Brasil tem 17% de pobres, mas só 2% em situação extrema

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Para o Banco Mundial, esse desempenho foi possível graças ao crescimento econômico, o aumento do emprego e da renda e da expansão de programas sociais como o Bolsa Família | FOTO: Reprodução |

Um mapeamento inédito do Banco Mundial com uma nova metodologia para medir graus de pobreza revela que o país ainda tinha, em 2011, 17% da população na pobreza. No entanto, apenas 2% dela poderiam ser considerados em situação extrema. Para chegar a essa conclusão, economistas do banco elaboraram uma nova forma de dividir os pobres brasileiros em quatro segmentos, associando fatores sociais e critérios de renda para diferenciar pobreza crônica de transitória. Na comparação com 1999, o estudo destaca que o país conseguiu reduzir a pobreza em todos os grupos. Naquele ano, o total de pobres chegava a 35% da população, sendo 7% em situação extrema.

Para o Banco Mundial, esse desempenho foi possível graças ao crescimento econômico, o aumento do emprego e da renda e da expansão de programas sociais como o Bolsa Família. A partir de agora, para avançar mais, é preciso aprimorar políticas específicas para cada um dos grupos em que se dividem os pobres, diz o mexicano Luis Felipe Lopez-Calva, um dos economistas do Banco Mundial responsáveis pelo estudo. Ele diz que o Brasil foi um dos poucos países do mundo, na primeira década do século 21, a conseguir crescer economicamente reduzindo pobreza e desigualdade.

Pelo novo critério do Banco Mundial, a proporção de brasileiros localizados na pobreza extrema teve uma redução de quase 80% no período analisado. Esse grupo é caracterizado pelo que os pesquisadores consideraram pobres tanto pelo critério de renda, vivendo com menos de R$ 70 mensais por integrante da família, quanto pelo acesso a uma rede de proteção social, composta pelos componentes chamados multidimensionais no estudo para caracterizar a pobreza crônica. A baixa escolaridade dos adultos e crianças fora da escola, a falta de acesso a saúde e moradia, a cobertura deficiente de saneamento e eletricidade, a inexistência de bens ou de uma rede de relações pessoas são fatores que impedem essa parcela da sociedade de alterar sua condição.

“A parte mais importante do nosso estudo foi separar o que chamamos de pobreza crônica da transitória. Se uma pessoa é extremamente pobre em termos de renda, ela tem menos chance de sair dessa condição se não tiver acesso a políticas sociais para além de transferências como o Bolsa Família. Tentamos introduzir outros elementos na metodologia para identificar aqueles que têm mais dificuldades de sair da pobreza, que são as que deveriam receber maior atenção das políticas públicas. Há pessoas que passam pela pobreza, mas não de uma forma crônica. É preciso atacar de maneira diferente cada tipo de pobreza”, diz Lopez-Calva.

Na pesquisa do Banco Mundial, outros 2% de brasileiros estão em situação de pobreza moderada: têm situação muito ruim em termos monetários, mas têm situação melhor nos quesitos multidimensionais, como habitação, por exemplo. Já quem vive o contrário, com renda pouco acima da linha e pobreza e privação de outros componentes sociais, foram considerados vulneráveis e são 4% da população. Por fim, há aqueles considerados pobres transitoriamente por estarem sem renda, como os desempregados por pouco tempo, mas que não perderam acesso aos fatores multidimensionais que lhes permitem mudar a situação. São 9% da população.

Segundo Lopez-Calva, o Brasil começou a atacar a pobreza sem mecanismos para diferenciar os pobres crônicos daqueles cuja pobreza está baseada apenas na renda, mas conseguiu reduzir consideravelmente a carência em todos os segmentos. Em uma década, a proporção de brasileiros na pobreza severa já é mais do que três vezes menor, redução similar à experimentada entre os considerados moderadamente pobres. A proporção de vulneráveis caiu pela metade e a daqueles considerados numa situação de pobreza transitória foi reduzida em um quarto.

“É preciso reconhecer que o Brasil tem feito um trabalho muito bom em todos os tipos de pobreza. Poucos países conseguiram resultado tão expressivo. Se olharmos as últimas duas décadas, especialmente a partir de 2002, a redução da pobreza e da desigualdade no Brasil é bem maior do que em outros países da América Latina”.

Para o economista do Banco Mundial, o Brasil está no caminho certo ao diversificar a estratégia de redução da pobreza com diferentes programas em vez de concentrar os esforços apenas no Bolsa Família. Ele explica que uma sociedade nunca conseguirá eliminar totalmente os pobres, mas deve perseguir o objetivo de eliminar a pobreza crônica. Para isso, é preciso manter permanentemente um conjunto de políticas públicas que possam atacar de maneira específica as vulnerabilidades dos diversos grupos em que se dividem os pobres. O instrumento principal, ele diz, é a educação.

“O Brasil busca uma política universal de direitos, mas para torná-los universais é preciso ter políticas específicas para cada grupo. A ideia de que todo mundo tem direito a benefícios universais não significa que todo mundo precisa das mesmas políticas ou intervenções”, diz Lopez-Calva. “O Brasil conseguiu aumentar a escolaridade, mas agora precisa melhorar a qualidade das escolas. Isso é bem mais difícil”. Extraído do jorna O Globo.

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