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Não vejo como Aécio possa dar aula de ética, diz Jaques Wagner

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O petista acusa Aécio Neves (PSDB) de promover o ódio ao PT, com ajuda da “elite conservadora paulista” | FOTO: Reprodução |

Tido no PT como bom estrategista, o governador da Bahia, Jaques Wagner, diz que a oposição erra ao alçar a corrupção como principal tema da campanha. Para Wagner, que saiu fortalecido das urnas ao eleger o sucessor, o eleitor rejeita candidatos que se ancoram no combate à corrupção por saber que “não há partido dos santos, nem dos diabos”. O petista acusa Aécio Neves (PSDB) de promover o ódio ao PT, com ajuda da “elite conservadora paulista”. Diz que o PT paulista precisa “saber por que não colheu” votos e pede renovação no partido, mas vê Lula como opção para 2018.

A seguir, a entrevista.
Folha – Um ex-diretor da Petrobras reconheceu à Justiça uma série de crimes. A presidente fala em “golpe” e o PT, em calúnia. O senhor concorda com eles?
Jaques Wagner – Estamos em campanha e tenta-se fazer palanque sobre um tema rejeitado pela população, que é a corrupção. Se [denúncias] tem objetividade, saberemos no final. Há muita hipocrisia. Não reconheço em Aécio Neves alguém que possa dar aula de ética. O povo sabe que tem santo e diabo em todos os partidos. No meu e nos outros. Ninguém ganha eleição dizendo “sou honesto”. Até porque ninguém acredita.

Uma reforma política é suficiente para mudar?
Essa palhaçada só acaba quando houver financiamento público de campanha. O grande erro do PT foi não ter tido mais pulso para fazer a reforma política, porque ou destrói a máquina eleitoral do jeito que está hoje ou todo mundo vai para o ralo. Mudar essa máquina passa por coincidência de eleição, fim da reeleição, fim da barganha do tempo de TV. E não vejo o Aécio propor [sobre reforma política], a única coisa que fala é sobre fim da reeleição, para atender a pedido do [governador de SP, Geraldo] Alckmin. No fundo, não é um interesse nobre.

O senhor disse ter “medo” do preconceito contra nordestinos por causa da votação de Dilma na região. Acha que a oposição incita a intolerância?
Acho. Uma parte é, outra parte é um segmento da imprensa, mais firmado em São Paulo, que cria um caldo de cultura antipetista. É uma destilaria de ódio. Querer qualificar a votação é um outro besteirol, dizer que só gente mal informada vota no PT. Um título verdadeiro ao ex-presidente Lula é o de grande conciliador nacional. Ao contrário do que Aécio mente na TV, quem sempre dividiu o Brasil entre ricos e pobres foi o PSDB, que nunca trabalhou na permeabilidade social. Pobre não tem raiva de rico, pobre tem raiva da exclusão. E nós incluímos 40 milhões.

Dilma também foi capaz de ser essa conciliadora?
Não é esse o elemento em discussão, o jeito do Aécio e da Dilma. Dizem que o Aécio bebe, que a Dilma é zangada, não se trata disso. Cada um tem seu jeito e tem que ser respeitado. Considero Dilma muito mais qualificada, trabalhadora e determinada do que Aécio. Mas não é só isso. São projetos políticos diferentes. Falam do PT, mas se esquecem que FHC ganhou a reeleição mentindo para o país.

Dilma venceu o primeiro turno com a menor margem desde Collor. O que não deu certo nos últimos anos?
Não quer dizer necessariamente que o governo errou. Há razões conjunturais que explicam. A economia não tem crescido o necessário por culpa da conjuntura. Também tivemos uma candidatura que saiu do próprio projeto, com o Eduardo [Campos], que depois virou a candidatura de Marina [Silva, PSB]. Isso também contribui. Teve o movimento de junho de 2013, quando todo mundo no poder apanhou mais do que quem não estava. Ela continua para mim favorita.

Como o senhor viu o apoio do PSB à candidatura de Aécio Neves?
Não foi generalizado. Pessoalmente, acho que está muito ainda no emocional. E acho que Pernambuco, como era berço de Eduardo, fez esse movimento. Como governador nordestino, acho um equívoco. Não me consta que nos oito anos do PSDB Pernambuco tenha dado um grande salto. O PSDB trabalhou contra a ida da Fiat para lá. As questões regionais pesam. Por isso, pode não ser bom ter um governo conduzido por uma matriz paulista e mineira.

O PT atacou fortemente Marina no primeiro turno. Foi um erro?
Marina é uma mulher do bem, que se move na política por ideais, não por mesquinharia. Acho que o tom não devia ser esse. Critico o tom porque não é por aí que você ganha uma eleição. O povo não gosta disso.

Considera que Aécio também se move por ideais?
A trajetória de Marina é diferente da de Aécio. Ele é herdeiro, não construiu uma caminhada. Tudo o que faz é esse antipetismo. Além disso, mente muito sobre Minas. Admiro muito o senador [eleito e ex-governador Antonio] Anastasia [PSDB]. Esse sim governou Minas, governou por 12 anos. Se você olhar para a eleição mineira, você desnuda Aécio. O povo mineiro não é bobo. Elegeu disparado Anastasia pelo que é, um homem direito e trabalhador. Ao não reconhecer isso em Aécio, o povo não acompanhou sua indicação para o governo. Quem pensou em choque de gestão não foi Aécio. Estava no Rio passeando. Para sentar na cadeira de presidente tem que trabalhar muito. E ele não tem muito apreço pelo trabalho.

Antes das eleições, o PT canalizou forças para eleger governadores em SP, no RJ e no PR. Mas as urnas deram vitórias em MG, BA e PI. O senhor vê uma mudança na correlação interna de forças do PT?
Não. O partido tem que ser pensado nacionalmente. Quando a gente está frágil em São Paulo, é ruim para nós. Não dá para ficar dependente de um único Estado ou região. Aqui [Bahia], colhemos o que plantamos e, em São Paulo, eles precisam saber porque não colheram. São Paulo continua tendo sua importância, mas é óbvio que onde a gente teve desempenho eleitoral melhor, as pessoas olham para mim e para [o governador eleito de Minas Gerais Fernando] Pimentel como vitoriosos no PT. Acho que cada eleição dessas serve para o PT se repensar nacionalmente.

Independentemente do resultado das urnas, a pré-campanha de Lula para 2018 já começa em janeiro de 2015. Acha que o ex-presidente deve encarar uma nova eleição?
Lula terá 72 anos em 2018 e terá bala na agulha para se apresentar tranquilamente. Sempre fui contra o “volta, Lula” por apreço à regra do jogo da democracia. Não acho bom para o partido e para o país dizer que só uma pessoa pode garantir o futuro. Sou pela naturalidade na política e o natural era ela [Dilma] ser candidata. Sempre acho melhor renovar. Mas o patrimônio político de Lula não é algo que você dispense. Temos que esperar o resultado de 2014 e, em qualquer dos casos, Lula continua sendo uma figura importante. É uma carta no jogo para 2018. Até lá vamos ver o outro nome que pinta.

Extraído da Folha de S. Paulo

Jornal da Chapada

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