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Chapada: História, memória e resistência caracterizam a Semana da Consciência Negra do Ifba de Jacobina

Literatura, africanidades, musicalidade e artes plásticas são o foco das diversas fotografias e dos cartazes expostos.

Zumbi dos Palmares e todas as lideranças da luta e resistência dos povos afro-brasileiros. Esse foi o tema central da Semana da Consciência Negra 2019 do Ifba de Jacobina, na Chapada Norte. Na mesa de honra, estiveram os diretores geral e de ensino, Beliato Campos e Andson Rocha, ao lado de representantes estudantis e do presidente da comissão organizadora do evento, o prof. Joallan Rocha. Paralelamente ao credenciamento, duas exposições já compunham o cenário do salão de entrada do campus esta semana. Literatura, africanidades, musicalidade e artes plásticas são o foco das diversas fotografias e dos cartazes expostos.

Tanto os mestres de cerimônia, os docentes Angevaldo Maia e Isis Moreira, quanto os demais componentes da mesa destacaram aspectos históricos da data, bem como a importância do passado para a compreensão do presente e construção do futuro. Convidando toda a comunidade para participar ativamente dos três dias de atividades, sobretudo os diretores citaram a vasta programação da Semana e o compromisso do Instituto com ações que ultrapassem a sala de aula e envolvam toda a sociedade.

A recente criação do Núcleo Central de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do Ifba, como espaço de formação para fomentar estudos, pesquisas e atividades sobre as temáticas que atravessam as experiências das populações afro-brasileiras e indígenas, também esteve em evidência. Na sua fala, uma das representantes locais do núcleo, a aluna do curso técnico integrado de mineração Jusciana Oliveira, disse: “Estamos aqui pra gritar pelos nossos direitos na cara da lei e dos governantes. Essa é a realidade! Precisamos dar voz e conhecimento às populações negras para evitar o extermínio que ainda acontece em nosso país”. O colega Ciro Rodrigues, integrante do grêmio estudantil, complementou: “Se Palmares não vive mais, faremos Palmares de novo!”

Elencando as leis que tornaram obrigatório o ensino da história afro-brasileira e indígena nas instituições da educação básica do país, o diretor geral, Beliato Campos, lembrou as adaptações e propostas que o Instituto têm realizado para contemplar a temática no cotidiano escolar, sendo exemplo o evento em questão, finalizando sua participação com o seguinte pensamento: “Respeito não tem cor, gênero ou classe, mas consciência!”.

Na conferência de abertura, a professora convidada Karine Damasceno, doutora em História Social com ênfase em História do Brasil, contextualizou o mito da democracia racial com momentos que marcaram séculos e décadas, como a escravidão, atualmente considerada crime contra a humanidade, e o movimento Black Power, de 1970, que visava a autodeterminação dos povos africanos e seus descendentes, através de ações no âmbito político-cultural voltadas para os interesses coletivos dos negros. Ao mencionar o cenário acadêmico, ela ressaltou o eurocentrismo ainda presente nas universidades brasileiras, explicando que houve redirecionamentos devido às denúncias do movimento negro, levando à criação das políticas afirmativas.

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Na noite do primeiro dia de evento, ainda houve palestra sobre raça, gênero e classe com a professora e filósofa convidada Zilmar Alverita, doutora em ciências sociais e mestra em estudos interdisciplinares e feminismo. Nas tardes das terça e quarta-feira, 19 e 20, foi a vez das oficinas, dos minicursos e cines-debate. Dentre os temas discutidos, sobressaíram-se estética negra, racismo, empoderamento e apropriação cultural, através de oficinas de penteados afros e minicurso sobre empreendedorismo criativo, além de personalidades negras na ciência e cultura, com os cines-debate dos filmes Pantera Negra, famoso por seu elenco majoritariamente negro, e Estrelas além do Tempo, que retrata a trajetória de equipe de cientistas da Nasa formada exclusivamente por mulheres afro-americanas.

Gildeane Mota, assistente social, militante da causa negra, coordenadora do Movimento de Mulheres de Jacobina e instrutora do Programa Trilha, iniciativa do governo do estado, através da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), trouxe a sua turma para participar do minicurso Empreendedorismo Criativo: A cultura afrodescendente como tendência de Mercado, ministrado pela professora de administração do IFBA Josiane Borges.

Focada no cooperativismo e associativismo, a formação na qual estão inseridos, que acontece no bairro da Jacobina III, dialoga diretamente com a proposta ofertada pelo Instituto durante o Novembro Negro: “A ideia do curso é trabalhar as questões sociais. Então inscrevemos os jovens no minicurso do IFBA como uma aula de campo. Ficou clara a importância e visibilidade que o Instituto dá para a temática, abrindo espaço para o debate. A Semana está repleta de atividades. A qualidade do material e a metodologia de fácil compreensão são destaques”, comentou Gildeane.

Cerca de 20 jovens compõem o grupo. Para Layla Vitória Lima, ampliar a visão acerca da cultura afro foi algo novo. “É um conhecimento diversificado, que está em vários lugares. Aqui na cidade temos o Quilombo Erê [primeiro quilombo urbano da região], por exemplo. São muitas opções e precisamos ter mais conhecimento para aplicá-los no mundo do trabalho e no cotidiano, em geral”. Além de questões teóricas, o minicurso contou com atividade prática, por meio da qual os participantes montaram modelos de negócios. Guiomar Cruz, pedagoga e licenciada em história, revela que irá compartilhar os saberes com os familiares que já são empreendedores. De acordo com a colega Thaíse Santos, a formação serviu para reacender o projeto do seu salão de beleza.

Rodas de conversa acerca do mundo do trabalho, no diálogo com as relações étnico-raciais, e das comunidades quilombolas, contando com pesquisadores e representantes do poder público de Mirangaba [onde está situada a localidade remanescente de quilombo Coqueiros], também fizeram parte da programação, ao lado de recitais, voz e violão, coreografias, desfile e até batalha de rap. As atividades da Semana se estendem até esta quinta-feira, 21, quando estarão em foco as salas temáticas O tempo dos povos africanos: uma imersão na ancestralidade. Prestigie! É aberto ao público e gratuito! As informações são de assessoria.

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