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#Polêmica: Música de Chico Science, ‘Banditismo por uma questão de classe’ é proibida de ser tocada por bandas em Pernambuco

A Polícia Militar do estado pernambucano criou um censura para a música e grupos musicais reagiram emitindo nota de repúdio.

Bandas que foram contratadas para tocar em palcos do Carnaval de Pernambuco foram proibidas e até ameaçadas de prisão por cantarem uma música de Chico Science. Conforme noticiou o Jornal do Commércio, os grupos cantavam “Banditismo por uma questão de classe”, em que um dos trechos diz: “Em cada morro uma história diferente, que a polícia mata gente inocente”.

O primeiro episódio teria ocorrido na segunda-feira (24) de Carnaval, quando a banda Janete Saiu Para Beber se apresentava na Rua do Apolo, no Bairro do Recife. Nas redes sociais o grupo escreveu: “A Polícia Militar fez uma barreira entre o público e a banda. Tivemos que parar o show com ameaça de levar nosso vocalista preso. A produção foi incrível e conseguiu reverter a situação, mas o mais absurdo foram os argumentos: Chico Science não pode tocar, não pode!”.

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Sim amigos. Estamos vivendo sobre total Repressão Política. Na segunda de carnaval dia 24 tocamos o tributo ao Chico Science e Sheik Tosado na rua do Apólo – Recife Antigo. Durante o show enquanto tocávamos Banditismo por uma questão de classe, a Polícia Militar fez uma barreira entre o público e a banda. Tivemos que parar o show com ameaça de levar nosso vocalista preso! A produção foi incrível e conseguiu reverter a situação, mas o mais absurdo foram os argumentos: Chico Science não pode tocar, não pode! Assim como outras bandas de amigos também aconteceram a mesma coisa nos polos do recife. Também aconteceu com o @chinaina na no Polo da Lagoa do Araçá e com a @devotosoficial no Polo Várzea. Se isso não é ditadura, é oque então??? Resistencia! ✊🏼 . . . #resistencia #fuckthepolice #forafascistas #chicoscience #apoliciamatagenteinocente

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A outra banda que também relatou uma situação parecida com foi a Devotos, que se apresentava no polo Várzea – como é intitulado um dos palcos da folia – quando, de acordo com os membros, foi alertada pela PM que o show seria encerrado caso insistissem nessas canções.

Ao Jornal do Commércio, a Polícia Militar afirmou através de nota que “não há qualquer tipo de proibição à exibição de nenhuma música durante o Carnaval ou em qualquer época do ano. O efetivo somente orienta a suspensão de blocos que tenham estourado o tempo previsto para o desfile, por causa do planejamento operacional, que provoca o recolhimento da tropa após a dispersão dos foliões”.

“Deixar que a festa prossiga sem a presença de policiais colocaria em risco a segurança de todos. Os organizadores das agremiações que acreditem ter havido algum abuso deve procurar o Batalhão responsável ou mesmo a Corregedoria Geral, para formalizar uma queixa e possibilitar uma detalhada apuração de todos os fatos”. Os dados foram extraídos do site Bahia Notícias.

Veja nota de esclarecimento

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“O medo da origem ao mal. O homem coletivo sente a necessidade de lutar.” . . Na última segunda-feira, dia 24 de fevereiro, a banda Janete Saiu para Beber, participou de um festival de música alternativa na rua do Apolo, Recife Antigo. Juntamente com mais 4 bandas, fizeram um tributo em homenagem a artistas que admiram, onde a Janete optou por abraçar a cultura pernambucana do manguebeat através de músicas de Chico Science & Nação Zumbi e Sheik Tosado. Durante o início da apresentação, um grupo de policiais militares que estava circulando pela rua do Apolo, parou e ficou observando o show. Algumas das canções entoadas como “Sangue de Bairro”, “Monólogo ao pé do ouvido” e “Banditismo por uma questão de classe” irritaram alguns dos policiais presentes, que foram questionar a produção do evento sobre o teor dessas músicas. Segundo um dos produtores do evento, Du Lopes – que dialogou com os PMs – eles exigiram o fim do evento, argumentando que, em suas próprias palavras: “Não pode tocar Chico Science. Chico é som de briga! Não pode tocar!”. Neste momento foi apresentado ao oficial presente, toda a documentação exigida por lei para que o evento acontecesse. Desconhecendo toda a situação que acontecia nos bastidores do evento, o vocalista Cesar Braga, entre uma das músicas, proferiu um xingamento contra o fascismo e seus apoiadores. Em nenhum momento essas palavras foram direcionadas a Polícia Militar, como se pode conferir nas imagens registradas e divulgadas pela banda em suas redes sociais. Por conta disso, os policiais que estavam dialogando com os produtores, ameaçaram prender o vocalista por desacato a autoridade e injúria e pediram o encerramento imediato da apresentação. Enquanto os policiais que permaneceram na frente da casa, formaram uma barreira entre o palco e o público, intimidando todos os presentes.

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A produção do evento, tentando apaziguar a situação e temendo a prisão arbitrária de um dos músicos, solicitou que a banda encerasse o show. Devido ao diálogo, a produção conseguiu prosseguir com o evento, alegando ainda que as próximas apresentações seriam com letras em inglês, como forma de amenizar a tensão desnecessária. Podemos concluir que o problema estava resumido a fácil identificação das letras com o público e todo o conteúdo que ela representa. Em 1994, Chico Science e Nação Zumbi entregavam ao mundo o disco “Da lama ao caos”. A dobradinha que abre esse disco, “Monólogo ao pé do ouvido”/ Banditismo por uma questão de classe”, é um convite para a reflexão sobre o histórico da repressão policial no Brasil, independente do governo que esteja no poder. O fato inegável, é que essas ações contra manifestações culturais têm se espalhado pelo Brasil, onde alguns dos efetivos militares estão achando que possuem poderes para reprimir apenas por seu julgamento embasado em preconceitos. Nada de novo sob o sol, porém, estamos convivendo cada vez mais com os fantasmas violentos da ditadura militar. Em um país onde temos a polícia que mais mata, mas também a que mais morre, é revoltante perceber que aqueles agentes que deveriam servir e proteger, não possuem consciência de classe e enxergam a população mais vulnerável e suas manifestações artísticas como inimigas do falso cidadão de bem. O sentimento de resistência se torna mais forte através da arte e da comunicação, justamente porque não podemos permitir que serpentes criem asas. A realidade deve ser exposta, gritada e cantada para incomodar os hipócritas e fazer o povo pensar e agir, pois isso é tudo que um governo repressor e reacionário quer impedir. Recife, 27 de Fevereiro de 2020.

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