Jornal da Chapada

#Mucugê: “Água não está faltando, estamos fazendo manejo para que as pessoas recebam água de qualidade”, diz a prefeita sobre reclamações

Segundo a prefeita Dona Ana (DEM), dentre os pontos que estão interferindo no abastecimento, estão a insuficiência de filtros para o tratamento, o crescimento populacional e a falta de reservatório de alguns moradores.

O Jornal da Chapada recebeu denúncias de moradores do município de Mucugê, na Chapada Diamantina, sobre a falta de água recorrente em diferentes regiões. Segundo foi repassado para redação do jornal, há uma tabela de distribuição de água para o ‘Centro’ e ‘Cidade Nova’, no intervalo de 24h para cada. No entanto, os moradores apontam que o horário de fornecimento não está sendo cumprido e que antes das 10h já não tem mais água.

“De acordo com a tabela, cada região receberia água durante 24 horas. Porém, aqui eu tive água das 19h30, do dia 24, até as 10h do dia 25 [de fevereiro]. Hoje [26 de fevereiro] não chegou nem uma gota de água. Vai chegar às 19h30. E, provavelmente, vai embora, outra vez, às 10h da manhã. São várias as reclamações aqui”, aponta uma moradora que preferiu não se identificar. Outro morador relata a má distribuição e a utilização demasiada no agronegócio e abertura de muitos poços artesianos.

“Além disso, temos um problema sério, porque tem pessoas que são do agronegócio e possuem poços artesianos em cada quintal para alimentar, as vezes, uma ou duas pessoas. E nós aqui ficamos sem água, porque a água do subsolo está comprometida se ficar abrindo tantos poços artesianos. Outra situação é o agronegócio que limpa a terra toda e a água vai embora. As raízes do Cerrado tem características de prender a água no subsolo durante um tempo. Estamos com problema grave, prefeitura tem um acordo com eles [agronegócio] de que compraram a outorga da água de Mucugê, então precisamos resolver essa questão”, apontua.

Em contato com a redação, a prefeita Ana Medrado (DEM), a popular ‘Dona Ana’, destaca pontos que estão interferindo no abastecimento completo da população. Dentre esses pontos, estão a insuficiência de filtros para o tratamento, o crescimento populacional e a falta de reservatório de alguns moradores. “Quando faz o tratamento de água tem que decantar. Colocamos os produtos químicos e tem que aguardar por um determinado tempo para que possa soltar. Quando é realizado esse processo e solta, ela [água] não dá para suprir para todo mundo, principalmente quem mora nas partes altas que fica sem força para subir”, frisa.

“Esse manejo que estamos fazendo com a água é pelo seguinte, porque a cidade cresceu muito. A água que a gestão passada estava distribuindo era muito suja, e minha promessa de campanha seria uma água de qualidade. Quando fizemos a estação de tratamento de água foi em 2001 a 2002, de lá para cá, a cidade multiplicou. Então, para fazer o tratamento da água, os filtros estão insuficientes para tratar e abastecer a cidade toda de vez. Por isso que o ex-prefeito estava mandando água bruta. Do jeito que entrava estava saindo [suja]. Hoje a água está tratada, estamos fazendo o manejo, conforme a tabela. Têm pessoas que não têm caixa e quer que a água caia direto na torneira. Então fica impossível”, continua ‘Dona Ana’.

Ela ainda explica que estudos já apontaram que o consumo de água no município é equivalante a uma cidade de 20 mil habitantes e que a população foi avisada sobre o processo de tratamento e abastecimento. “A água daqui é de graça, ninguém paga nada, então o consumo é absurdo. A Embasa já fez um estudo que a água que distribui para a cidade dá para suprir uma cidade de 20 mil habitantes. A água não está faltando, estamos fazendo estes manejo para que as pessoas recebam água de qualidade. Avisamos, colocamos o carro de som em todas as ruas para que a população se preparasse”, diz a atual gestora do município chapadeiro.

‘Dona Ana’ revela que a prefeitura já está com projetos em andamento para solucionar as dificuldades no abastecimento. São licitações para perfuração de poços de alta profundidade e a compra de mais filtros para agilizar o tratamento da água. “Estamos com um projeto, uma licitação para perfurar três poços de alta profundidade e também iniciando os processos de licitação para comprar mais filtros para adaptar a usina para melhorar o abastecimento. É necessário que os moradores tenham os reservatórios. Peguei a prefeitura acabada, com esgotos estourados por todo canto, a usina de tratamento de água acabada, agora que estamos arrumando e melhorando as coisas”, completa a prefeita.

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