Igatu é um dos mais singulares patrimônios históricos da Bahia e da Chapada Diamantina. Localizada na Serra do Sincorá, a cerca de 18 quilômetros de Andaraí, a vila se destaca pelo conjunto arquitetônico construído quase integralmente em pedra, resultado direto do ciclo do diamante que marcou a região a partir do século XIX. Conhecida internacionalmente como ‘Cidade de Pedras’ ou ‘Machu Picchu Brasileira’, Igatu preserva ruínas que narram a ascensão e o declínio do garimpo, mantendo viva a memória de um dos períodos mais intensos da história econômica baiana.
Durante o auge da mineração, especialmente a partir de 1845, o antigo povoado chegou a abrigar mais de 9 mil habitantes. Com o esgotamento das jazidas diamantíferas, a população foi diminuindo drasticamente, restando hoje cerca de 400 moradores. Esse esvaziamento contribuiu para a preservação das estruturas originais, transformando o local em um verdadeiro museu a céu aberto.

Arquitetura de pedra e memória do garimpo
O grande diferencial de Igatu está em sua arquitetura. As casas, muros, ruas e até objetos do cotidiano foram erguidos com as pedras abundantes da região, moldadas manualmente pelos próprios garimpeiros. O resultado é um conjunto arquitetônico raro no Brasil, em que o ambiente natural e as construções humanas se confundem, criando uma paisagem única e de forte impacto visual.
As ruínas das antigas moradias, armazéns e trilhas do garimpo permanecem integradas à vegetação da caatinga rupestre. Esse cenário chamou a atenção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tombou o conjunto arquitetônico de Igatu no ano 2000, reconhecendo seu valor histórico, cultural e paisagístico em âmbito nacional.
Clima de serra e melhor época para visitar
Igatu possui clima tropical de altitude, com influência direta da Serra do Sincorá, situada a cerca de 800 metros acima do nível do mar. As temperaturas são mais amenas em comparação a outras áreas do sertão baiano, podendo chegar próximas aos 10°C durante as madrugadas de inverno, especialmente entre junho e agosto.
A melhor época para visitar a vila vai de abril a setembro, quando as chuvas são menos frequentes e as trilhas ficam mais seguras. Esse período favorece caminhadas pelas ruínas, visitas às cachoeiras e a contemplação da paisagem, sem o risco de estradas escorregadias ou cheias repentinas nos cursos d’água.

Turismo cultural, trilhas e paisagens naturais
Além do valor arquitetônico, Igatu oferece atrativos turísticos que combinam história, natureza e cultura. Caminhar pelas ruas de pedra permite observar detalhes das antigas construções e entender como a vila se organizava durante o ciclo do diamante. O Museu Vivo do Garimpo é outro ponto de destaque, reunindo ferramentas, fotografias e relatos que ajudam a contextualizar a vida dos antigos garimpeiros.
O entorno da vila também concentra trilhas, mirantes e cachoeiras, como a Cachoeira do Viturino e a trilha da antiga Estrada Real, que ainda conserva trechos do calçamento original. Esses caminhos revelam vistas panorâmicas da serra e reforçam o potencial turístico de Igatu como destino voltado ao ecoturismo e ao turismo histórico.
O acesso à vila se dá por uma estrada de pedra, a partir de Andaraí, o que exige atenção redobrada de motoristas, especialmente em períodos chuvosos. Apesar do percurso desafiador, a estrada faz parte da experiência e contribui para preservar o caráter histórico do local.
Com sua arquitetura singular, clima agradável e forte identidade cultural, Igatu se consolida como um dos destinos mais autênticos da Chapada Diamantina. A vila demonstra que as pedras que um dia sustentaram o garimpo hoje sustentam um modelo de turismo baseado na preservação, na memória e na valorização do patrimônio histórico baiano. Jornal da Chapada com informações do portal Terra Brasil Notícias.



















































