A Chapada Diamantina será representada na Marquês de Sapucaí em 2027 através de uma das obras mais marcantes da literatura brasileira contemporânea. A escola de samba Unidos de Vila Isabel anunciou que levará para o Carnaval carioca o romance ‘Torto Arado’, do escritor Itamar Vieira Júnior, transformando o universo do sertão baiano em enredo oficial da agremiação.
Com o título ‘Torto Arado: Sobre a Terra Há de Viver Sempre o Mais Forte’, o desfile irá adaptar a narrativa ambientada na fictícia fazenda Água Negra, localizada no sertão da região chapadeira. A escolha coloca em evidência aspectos históricos, culturais e religiosos profundamente ligados ao interior baiano, ampliando a visibilidade nacional da identidade sertaneja e das tradições populares da Chapada Diamantina.
Publicado em 2019, o romance acompanha a trajetória das irmãs Bibiana e Belonísia, marcadas desde a infância por um acidente envolvendo uma antiga faca encontrada na casa da avó. A partir desse episódio, a vida das duas passa a ser construída sob uma forte ligação simbólica, enquanto enfrentam conflitos relacionados à desigualdade social, ancestralidade, trabalho no campo e resistência no sertão baiano.

Jarê e a religiosidade da Chapada ganham espaço na Sapucaí
Um dos pontos centrais da obra é o Jarê, manifestação religiosa típica e praticamente exclusiva da Chapada Diamantina, especialmente presente no município de Lençóis. A tradição reúne elementos de matriz africana, indígena e católica popular, sendo considerada uma das expressões culturais mais simbólicas da região chapadeira.
A presença do Jarê no enredo da Vila Isabel representa não apenas um reconhecimento literário, mas também um importante espaço de valorização da religiosidade e da cultura popular do interior baiano em um dos maiores eventos culturais do mundo. A expectativa é que o desfile leve para a avenida símbolos, referências e elementos ligados à ancestralidade sertaneja e à força das comunidades negras rurais.
O enredo será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, responsáveis pelo terceiro lugar conquistado pela escola no Carnaval de 2026. Segundo a agremiação, a proposta é transformar o ‘universo simbólico’ de ‘Torto Arado’ em um desfile marcado pela força visual, espiritualidade e identidade cultural brasileira.
A escolha da obra reforça ainda uma tendência crescente no Carnaval carioca de aproximar literatura e samba-enredo. Além da Vila Isabel, a Unidos da Tijuca também apostará na literatura em 2027 ao adaptar o romance ‘A Cabeça do Santo’, ampliando o espaço das narrativas brasileiras na avenida e fortalecendo o diálogo entre cultura popular e produção literária nacional.
Jornal da Chapada













































