A cerca de 460 metros de altitude, em meio às paisagens da Chapada Diamantina, o município de Wagner se destaca pela força da agricultura familiar e pelas riquezas naturais que atraem moradores e visitantes durante todo o ano. Em visita à cidade, o jornalista Matheus Boa Sorte acompanhou de perto a produção de bananas e rapaduras, além de conhecer um dos cartões-postais mais conhecidos da região: a Pedra do Chapéu.
Com clima ameno e solo fértil, Wagner reúne condições consideradas ideais para o cultivo da banana. As temperaturas, que variam entre 16°C e 30°C ao longo do ano, desaceleram o ciclo natural da bananeira, fator que contribui diretamente para uma fruta mais doce e com maior concentração de açúcar. O resultado é uma banana com índice de brix acima da média encontrada em regiões de planície, característica que ajuda a consolidar a produção local nos mercados consumidores das principais capitais do Brasil.

A qualidade da fruta também passa por um rigoroso processo de seleção. Os produtores classificam as bananas em diferentes categorias antes da comercialização. A chamada ‘Tipo 1’ reúne os frutos mais selecionados, geralmente acima de 14 centímetros e com melhor padrão visual. Já a ‘Tipo 2’ inclui bananas menores ou com pequenos danos, enquanto a “Tipo 3” contempla frutos abaixo de 10 centímetros e com maior presença de marcas. Segundo os produtores, essa triagem é essencial para garantir que o produto chegue com qualidade ao consumidor final.
Além da banana, Wagner também mantém viva uma tradição que atravessa gerações: a produção artesanal de rapadura. Feita a partir do caldo da cana-de-açúcar cozido e moldado manualmente, a iguaria carrega forte valor cultural e nutricional, sendo rica em ferro, cálcio, potássio, fósforo, magnésio e vitaminas do complexo B. O alimento segue sendo uma importante fonte de renda para famílias da zona rural do município.

Entre os produtores que mantêm viva a tradição da rapadura em Wagner está Edivan, que há mais de duas décadas trabalha diretamente na fabricação artesanal do alimento. O produtor acompanha de perto todas as etapas do processo, desde o preparo da cana até a finalização da rapadura, preservando técnicas essenciais para manter o sabor e a autenticidade do doce.
“Aprendi com meu padrasto e faço desde os 21 anos. O segredo está na qualidade da terra, para a cana ser boa e a rapadura ficar saborosa”, contou. Na propriedade, além da versão tradicional, também é produzida a rapadura com amendoim, bastante procurada por visitantes e comerciantes da região.

Pedra do Chapéu
Durante a passagem pelo município, Matheus Boa Sorte também visitou a Pedra do Chapéu, um dos pontos turísticos mais conhecidos da região. Localizada na divisa entre Wagner e Lençóis, a formação rochosa se tornou ponto de encontro para quem deseja acompanhar o pôr do sol em meio à paisagem da Chapada Diamantina. O local atrai turistas, aventureiros e moradores que aproveitam o fim da tarde para contemplar a vista privilegiada.
Além da beleza natural, a Pedra do Chapéu abriga um dos mais interessantes conjuntos de pinturas rupestres do Brasil. Os desenhos, ainda bastante preservados, revelam figuras ligadas a antigos rituais e representações que lembram animais de grande porte, como mamutes e elefantes. O sítio arqueológico reforça a importância histórica e cultural de Wagner, município que une tradição, produção agrícola e patrimônio natural em um dos cenários mais marcantes da Chapada Diamantina. Jornal da Chapada com informações do canal Boa Sorte Viajante.












































