O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixou o cenário de empate técnico contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e passou a liderar um eventual segundo turno nas eleições presidenciais de 2026. Segundo pesquisa Meio/Ideia, Lula aparece com 46,5% das intenções de voto, enquanto Flávio soma 41,4%.
Na rodada anterior, realizada no início de maio, o cenário era mais equilibrado. Lula registrava 44,7% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia numericamente à frente, com 45,3%, dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais. A queda do senador ocorre após o vazamento de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro investigado Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o fundador do Instituto Meio/Ideia, Maurício Moura, o objetivo da pesquisa foi rastrear os impactos do episódio do vazamento do áudio de conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro nas eleições. “Nós conseguimos mensurar o impacto do evento na intenção de voto, mas também na percepção da população sobre o ocorrido. Não foi um episódio que passou batido e eventuais repercussões podem influenciar nos resultados daqui para frente”, explicou.
De acordo com a pesquisa, 70,4% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento do áudio vazado. Outros 18,2% disseram não ter ouvido falar sobre o caso, enquanto 11,4% não souberam responder. Para 48% dos entrevistados, o episódio é grave e merece investigação. Já 20% discordam dessa avaliação.
O levantamento também mostra que 46% consideram que o episódio retrata uma prática comum da política, enquanto 21% não concordam nem discordam da afirmação e 23% discordam. Sobre a percepção de que o caso estaria recebendo atenção exagerada, 34% concordam com essa avaliação, 22% não concordam nem discordam, 36% discordam e 8% não souberam responder.
A criação de uma CPI para investigar o caso do Banco Master é apoiada por 57% dos entrevistados, enquanto 12% se posicionam contra. Além disso, 45% avaliam que o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro contradiz o discurso de combate à corrupção defendido pelo senador. Outros 22% discordam dessa percepção, 24% não concordam nem discordam e 9% não souberam responder.
Segundo a pesquisa, 33,4% acreditam na versão apresentada por Flávio Bolsonaro sobre o fato, enquanto 40,6% afirmam não acreditar. O impacto do áudio na imagem do senador também foi medido: para 44% dos entrevistados, o episódio piorou a opinião sobre o pré-candidato; 30,8% disseram que nada mudou; 14,5% afirmaram que a percepção melhorou; e 10,7% não souberam responder.
Questionados sobre os efeitos do caso Flávio-Vorcaro na campanha presidencial, 33% afirmaram que o episódio prejudicará muito a candidatura do senador, enquanto 24% avaliam que prejudicará um pouco. Para outros 24%, o caso não terá impacto eleitoral, enquanto 6% acreditam que a situação pode beneficiar a campanha. Outros 13% não souberam opinar.
Cenários da disputa
Nos demais cenários de segundo turno, o presidente Lula mantém vantagem sobre todos os adversários testados pela pesquisa. No cenário contra o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, Lula marca 46%, frente aos 40% do oponente. Caiado reduziu significativamente a diferença entre os dois. No início de maio, este mesmo cenário mostrava Lula com 44,7% dos votos e Caiado com 27,6%.
Contra Renan Santos, Lula aparece com 46% das intenções de voto, acima dos 31% do adversário. Em uma eventual disputa contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, Lula registra 46%, também em alta em relação aos 37% de Zema.
Na pesquisa espontânea (quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao entrevistado) o presidente aparece com 33% das intenções de voto, índice estável em relação ao início de maio, quando registrava 33,4%. Já Flávio Bolsonaro oscilou de 20% para 18,7% no mesmo período. O percentual de entrevistados que afirmam votar em branco, nulo ou em ninguém subiu de 5% para 10%, na mesma comparação, enquanto os indecisos passaram de 23,1% para 24,5%.
Nos cenários estimulados de primeiro turno, Lula lidera em todas as simulações testadas. Contra Flávio Bolsonaro, o petista registra 38,5% das intenções de voto, ante 31,5% do adversário. Em um eventual confronto com Michelle Bolsonaro, Lula aparece com 38%, contra 29,6% da ex-primeira-dama. Em uma disputa sem Lula, o ministro Fernando Haddad alcança 36,5%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 32,7%, com 5,7% de branco/nulo e 9,1% de indecisos.
Em termos de rejeição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 46,7%, acima dos 44,8% registrados no início de maio. Já Flávio Bolsonaro tem rejeição de 39,8%, também em alta na comparação com a rodada anterior da pesquisa, quando marcava 38%.
Chapa feminina
A pesquisa também testou a percepção do eleitorado sobre chapas presidenciais femininas. Segundo o levantamento, 28% dos entrevistados afirmaram que uma chapa composta exclusivamente por mulheres aumentaria a chance de voto. Entre o eleitorado feminino, esse percentual sobe para 33,6%. O estudo simulou uma eventual chapa formada por Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro. Nesse cenário, 40% dos entrevistados disseram que a composição aumentaria a chance de voto. Entre os eleitores evangélicos, o índice chega a 66,1%, enquanto entre as mulheres o percentual registrado é de 37,9%.
Um eventual segundo turno entre Lula e Tereza Cristina, contudo, ainda coloca o petista em vantagem: Lula teria 46% dos votos, enquanto Tereza somaria 27%. A CEO do Instituto Ideia, Cila Schulman, explicou que o cenário com chapa inteiramente feminina impulsiona votos, mas ainda não é decisivo. “A gente consegue identificar uma vontade da população por uma liderança feminina, mas ainda não o suficiente para definir as eleições”, disse.
Recorte demográfico e regional
No recorte por segmentos demográficos e regionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com desempenho mais forte entre eleitores do Nordeste, onde registra 58% das intenções de voto, além das classes D/E (51,6%), católicos (56,7%), pessoas com escolaridade até o ensino fundamental (51,1%) e eleitores pretos (54,7%). Já Flávio Bolsonaro concentra maior apoio entre o eleitorado masculino (44%), na faixa de 25 a 34 anos (44%), nas regiões Centro-Oeste (47,5%) e Sul (52,3%), além das classes A/B (44,8%), evangélicos (66,6%), pessoas com ensino médio (46%) e eleitores brancos (44,3%).
















































