A cadeia produtiva da mangaba voltou ao centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e agricultura sustentável na Chapada Diamantina. O tema foi debatido durante encontro promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri-BA), realizado no dia 13 de maio, em Ibicoara, reunindo secretários de Agricultura de 12 municípios da região, representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), produtores rurais, técnicos e instituições ligadas ao setor agrícola e econômico do estado.
O evento teve como principal objetivo ampliar o aproveitamento econômico da mangaba para além da comercialização da fruta in natura, estimulando o processamento agroindustrial e a geração de renda para agricultores familiares da Chapada. A iniciativa foi organizada em parceria com a Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem) e a prefeitura de Ibicoara, reforçando o debate sobre o potencial econômico das frutas nativas brasileiras.
Considerada uma espécie típica de biomas como Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e restingas nordestinas, a mangaba vem ganhando espaço na Chapada Diamantina devido às condições climáticas favoráveis da região, marcadas por áreas de altitude, solos diversificados e períodos de clima quente e seco, fatores que favorecem o desenvolvimento da fruta. Nos últimos anos, produtores rurais e pesquisadores passaram a enxergar a mangaba como alternativa promissora para fortalecer a agricultura regional e ampliar a diversidade produtiva no campo.

Conhecida pelo aroma intenso, sabor adocicado com leve acidez e alto rendimento de polpa, a mangaba possui amplo potencial de aproveitamento comercial. Atualmente, a fruta já é utilizada na produção de sorvetes, geleias, compotas, doces, licores, sucos, picolés e até cervejas artesanais, despertando interesse crescente da agroindústria e do mercado de produtos naturais. Além disso, pesquisadores destacam o valor nutricional da fruta, rica em vitaminas, minerais e propriedades antioxidantes.
Durante o encontro, especialistas ressaltaram que a mangaba integra o grupo das chamadas ‘plantas do futuro’, espécies consideradas estratégicas por aliarem biodiversidade, adaptação climática e potencial econômico sustentável. “Há uma necessidade de olharmos a mangaba como um produto da sociobiodiversidade que pode gerar alimento e renda para as comunidades”, afirmou o pesquisador da Embrapa, Josué Francisco da Silva Júnior.
Os debates também abordaram caminhos para estruturar projetos de agroindustrialização, fortalecer a comercialização regional e ampliar o valor agregado da produção. Segundo os participantes, as características da mangaba podem variar de acordo com o ambiente de cultivo, permitindo a criação de produtos regionais diferenciados e contribuindo para a valorização da biodiversidade da Chapada Diamantina no mercado nacional.
A expectativa das entidades envolvidas é transformar a mangaba em um novo vetor econômico para a região, estimulando pequenos produtores, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis e ampliando o espaço das frutas nativas brasileiras no mercado. O encaminhamento técnico do encontro prevê a construção de uma agenda regional voltada ao fortalecimento da produção, beneficiamento e comercialização da fruta, modelo que futuramente poderá ser replicado em outras culturas típicas da Chapada Diamantina. Jornal da Chapada com informações do portal Correio.
















































