Com ruas, avenidas e serviços de limpeza urbana paralisados em diversas cidades da Bahia, a Greve Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Limpeza Urbana teve início nesta segunda-feira (22), mobilizando a categoria em protesto contra a demora do Senado Federal em pautar o Projeto de Lei 4.146/2020, conhecido como PL dos Garis e Margaridas. A mobilização conta com o apoio do SindilimpBA, que tem atuado ao lado dos trabalhadores e servido como principal articulador na defesa das reivindicações da categoria.
O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e segue aguardando inclusão na pauta do Senado, mesmo após o pedido de urgência assinado por 60 parlamentares. A categoria afirma que a falta de avanço na tramitação tem ampliado a insatisfação e fortalecido o movimento de paralisação em diferentes regiões do estado.
Na Bahia, a greve atinge municípios como Salvador, Camaçari, Itabuna, Simões Filho, Juazeiro, Santo Antônio de Jesus, Alagoinhas, Lauro de Freitas, Barreiras, Jequié, Paulo Afonso, Ilhéus e Ilha de Maré. Em várias dessas localidades, os trabalhadores relatam a suspensão total dos serviços de coleta e varrição.
Com a interrupção das atividades, ruas e espaços públicos já registram acúmulo de resíduos em diversas cidades, gerando preocupação entre moradores e gestores municipais. O cenário evidencia o impacto imediato da paralisação na rotina urbana e na manutenção da limpeza pública.
Em Salvador, as mobilizações têm maior visibilidade, com atos realizados em pontos como o bairro do Bonfim e a orla de Ondina. Organizados em grupos, os trabalhadores utilizam faixas, cartazes e palavras de ordem para chamar atenção às reivindicações da categoria, com o SindilimpBA acompanhando de perto cada ação e reforçando o apoio às mobilizações.
Greve amplia pressão e escancara impasse no Senado
O principal foco da greve é pressionar pela aprovação do PL dos Garis e Margaridas, que trata da valorização profissional e da ampliação de direitos trabalhistas dos trabalhadores da limpeza urbana. A categoria destaca que o projeto representa um avanço importante na garantia de dignidade e reconhecimento da função.
Entre os principais pontos previstos no projeto estão o Piso Salarial Nacional, que estabelece um valor mínimo base para a categoria em todo o país, evitando grandes diferenças regionais; a Profissão Regulamentada, que define e reconhece oficialmente as atribuições dos garis e das margaridas, termo utilizado para as mulheres que atuam na limpeza urbana; e a Aposentadoria Especial, que busca consolidar regras mais justas de aposentadoria, considerando a alta insalubridade e o desgaste físico da função.
O avanço da greve também levanta preocupação sobre os impactos nos serviços essenciais, especialmente na saúde pública e na qualidade de vida da população. Municípios afetados já relatam dificuldades operacionais e risco de agravamento do cenário.
Em nota, o SindilimpBA reforça que “permanece ao lado dos trabalhadores durante toda a mobilização, atuando como ponte entre a categoria e as autoridades, além de intensificar a cobrança pela inclusão imediata do projeto na pauta do Senado Federal”. A entidade afirma ainda que seguirá acompanhando o movimento em todo o estado.
A coordenadora-geral do SindilimpBA, Ana Angélica Rabello, comentou a mobilização e destacou a dimensão do movimento neste momento de paralisação em diversas cidades do estado.
“Essa greve mostra a força dos trabalhadores da limpeza urbana. Estamos lutando por respeito, valorização e pela aprovação de um projeto que representa justiça para toda a categoria. Não estamos apenas parando atividades, estamos cobrando dignidade, reconhecimento e condições mais justas para quem mantém as cidades funcionando todos os dias”, afirma.











































