O que começou como o relato de uma família enlutada rapidamente se transformou em uma mobilização que tomou conta das redes sociais e das ruas de Seabra. A morte de uma recém-nascida na Maternidade Frei Justo Venture, registrada na última terça-feira (7), fez surgir uma série de depoimentos de mulheres que afirmam ter enfrentado dificuldades durante o atendimento obstétrico na unidade. As manifestações reacenderam o debate sobre a qualidade da assistência prestada às gestantes e motivaram pedidos de investigação sobre o caso.
A repercussão ganhou força após a avó da bebê divulgar um relato detalhando o atendimento recebido pela gestante. Segundo ela, a paciente deu entrada na maternidade no último domingo (5), já em trabalho de parto e com fortes dores. Conforme a família, a mulher permaneceu internada por mais de dois dias até o nascimento da criança, período em que teria recebido medicação, sido submetida a exames e aguardado a evolução do parto sob acompanhamento da equipe médica.
Ainda de acordo com o relato, exames realizados durante a internação teriam identificado alterações nos batimentos cardíacos do bebê em dois momentos distintos. A família afirma que a equipe optou por aguardar a estabilização do quadro antes de iniciar a indução do parto, procedimento que teria começado apenas durante a madrugada de terça-feira (7). Horas depois, no início da tarde, a gestante foi encaminhada à sala de parto.
Conforme a avó, durante todo o procedimento os profissionais informavam que os batimentos cardíacos permaneciam dentro da normalidade. No entanto, a recém-nascida veio ao mundo sem respirar, sem chorar e com coloração arroxeada. Um médico foi chamado para realizar manobras de reanimação, mas a criança não resistiu. A família também afirma que, dias antes da internação, a gestante procurou atendimento após apresentar perda de líquido amniótico e recebeu alta sem a realização de ultrassonografia. Segundo os familiares, no momento do parto foi constatada ausência de líquido amniótico e presença de mecônio intrauterino. Essas informações, entretanto, ainda não foram confirmadas por investigação oficial.

A divulgação do caso provocou uma reação imediata nas redes sociais. Centenas de mulheres passaram a compartilhar relatos sobre atendimentos obstétricos na Maternidade Frei Justo Venture, descrevendo experiências que, segundo elas, apresentam semelhanças com a situação vivida pela família da recém-nascida. Os depoimentos mencionam demora na realização de procedimentos, dificuldade para obter atendimento, falta de escuta durante o trabalho de parto e episódios que algumas classificaram como violência obstétrica.
A repercussão ultrapassou o ambiente virtual e mobilizou moradores de Seabra. Nos dias seguintes, um grupo realizou uma manifestação em frente à maternidade para cobrar transparência na apuração da morte da bebê e uma investigação rigorosa sobre as denúncias apresentadas. Os participantes também defenderam que os relatos de outras pacientes sejam analisados pelos órgãos competentes, caso sejam instaurados procedimentos para apurar a assistência prestada pela unidade.
Diante da repercussão, a Maternidade Frei Justo Venture divulgou uma nota oficial na última sexta-feira (10). A unidade manifestou pesar pela morte da recém-nascida e informou que a paciente permaneceu internada sob acompanhamento contínuo de uma equipe multiprofissional durante todo o período de internação. Segundo a direção, “as condutas adotadas foram pautadas na evolução clínica e obstétrica, com monitorização materna e fetal, conforme os protocolos assistenciais da unidade”.
A maternidade informou ainda que, após o nascimento, “a equipe iniciou imediatamente as manobras avançadas de reanimação neonatal, empregando todos os recursos indicados para a situação, porém sem êxito”. A direção acrescentou que o caso passa por uma revisão técnica, com análise do prontuário e dos registros assistenciais. De acordo com a nota, “até o presente momento, a avaliação preliminar não identificou elementos objetivos que permitam afirmar a ocorrência de violência obstétrica”, ressaltando que a apuração segue em andamento.
Confira a nota completa:
A Maternidade Frei Justo Venture manifesta profundo pesar pelo óbito fetal ocorrido na unidade e se solidariza com a paciente e seus familiares neste momento de dor. A paciente permaneceu internada sob acompanhamento contínuo de equipe multiprofissional durante todo o período de internação.
As condutas adotadas foram pautadas na evolução clínica e obstétrica, com monitorização materna e fetal, conforme os protocolos assistenciais da unidade. Após o nascimento, a equipe iniciou imediatamente as manobras avançadas de reanimação neonatal, empregando todos os recursos indicados para a situação, porém sem êxito.
O caso encontra-se sob rigorosa análise técnica, com revisão do prontuário, dos registros assistenciais e dos demais elementos relacionados ao atendimento. Até o presente momento, a avaliação preliminar não identificou elementos objetivos que permitam afirmar a ocorrência de violência obstétrica, permanecendo a apuração em andamento até a conclusão da investigação técnica.
A Maternidade Frei Justo Venture permanece à disposição das autoridades competentes para todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, o acolhimento às famílias, a segurança da assistência e a melhoria contínua dos seus processos.
É importante destacar que a Maternidade Frei Justo Venture mantém assistência obstétrica permanente à população da região e realizou 2.937 atendimentos no primeiro semestre de 2026, atendendo mais 30 municípios da região, evidenciando o trabalho contínuo desenvolvido por sua equipe em favor da saúde materno-infantil.

















































