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Relatório de audiências de custódias evidencia que 98,8% dos presos em flagrante são negros, jovens e pobres em Salvador

Os dados foram coletados entre setembro de 2015 e dezembro de 2018; durante todo o período de 1.128 dias foram registrados 17.793 flagrantes.

A Defensoria Pública do Estado da Bahia lançou um estudo sobre os resultados das audiências de custódias quatro anos após a regulamentação do procedimento no Estado. O Relatório das Audiências de Custódia na comarca Salvador, no estado da Bahia, nos anos 2015 a 2018 evidenciou o perfil dos autuados na capital baiana, majoritariamente homens negros jovens e de baixa renda.

Os dados foram coletados entre setembro de 2015 e dezembro de 2018. Durante todo o período de 1.128 dias foram registrados 17.793 flagrantes, sendo que 16.757 custodiados eram homens e 1.025 mulheres, informou o assessor do Gabinete, Lucas Ressurreição. De acordo com o estudo, quase a totalidade dos autuados em flagrante são população negra (98,8%) – considerando pretos e pardos, homens (94%); jovens (68,3%); com até o ensino fundamental (54,6%); e têm renda abaixo de dois salários mínimos (98,7%).

A Defensoria baiana deu assistência em 67,2% dos casos. Já a taxa de retorno, quando uma pessoa incorre em uma nova audiência de custódia após ter sido liberado em uma anterior, cresceu ao longo dos anos: apenas 1,5% em 2016; 2,2% em 2017 e 3,9% em 2018. Rafson Ximenes, defensor público geral da Bahia, afirma que as audiências são abordadas sem análise científica, baseando-se meramente no senso comum. “Isso faz com que o entendimento que as pessoas tenham de um processo penal seja distorcido”, avaliou.

O relatório reforça que ‘a análise a respeito da audiência de custódia não pode prescindir de uma investigação que tome a análise da realidade como norte para o debate’. “Desconstrói a argumentação crítica pautada no senso comum que entende ser a audiência de custódia um instrumento de ‘incentivo a criminalidade’ vez que o flagranteado solto voltaria a cometer delitos por conta de suposta ‘impunidade’”. As informações são do Estadão.

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