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#Brasil: Quadrilha toma ruas e assalta banco em Cametá, no Pará, em ação parecida com a que ocorreu em Criciúma

Assim como na cidade catarinense, criminosos usaram reféns de escudo e atacaram um quartel da PM. Grupo fugiu. Uma pessoa morreu.

Uma quadrilha com pelo menos 10 criminosos tomou as ruas de Cametá (PA), a 235 km de Belém, no começo da madrugada desta quarta-feira (2), e assaltou uma agência do Banco do Brasil. Moradores relataram em redes sociais uma noite de terror. Um homem, identificado como Alessandro de Jesus Lopes Moraes, foi morto após ser feito refém.

Outra pessoa foi atingida na perna e está internada no hospital da cidade, mas não corre risco de morte. A ação tem características semelhantes à registrada em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, na madrugada desta terça (1º), em que uma quadrilha também fez ataques pelo município em ação para assaltar uma agência do Banco do Brasil.

Em 2020, o estado registrou mais dois outros assaltos semelhantes: um em Ipixuna do Pará, em 30 de janeiro, e em São Domingos do Capim, em 3 de abril. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, “praticamente todos os envolvidos” foram presos. De 2017 a 2020, foram 51 assaltos desse tipo no Pará, segundo Secretaria de Segurança Pública.

Assim como ocorreu em Criciúma, a quadrilha atacou um quartel da Polícia Militar (PM), impedindo a saída dos policiais, e usou reféns como escudos para se locomover pelas ruas da cidade. As pessoas foram capturadas em bares. Esse crime é conhecido como “novo cangaço” ou “vapor”, que se caracteriza por ações rápidas, violentas, com muitos disparos de armas de fogo, tomada de reféns e uso de explosivos.

Normalmente, são planejados em cidades de médio e pequeno porte, que tem um efetivo menor de policiais. Nas ações, os criminosos cercam os batalhões de polícia. O nutricionista Vinicius Valente, 33, mora em frente ao 32º Batalhão da Polícia Militar do Pará, que foi cercado pelos criminosos.

“Minha filha tá doente, tava fazendo nebulização e coloquei ela pra dormir, por volta de 23h30, quando começou, muito tiro. A gente pensava que era por causa do jogo que tava tendo na praça, mas aí depois começamos a ouvir gritaria na rua e a gente começou a se desesperar. O movimento tava em frente da Praça da Cultura [que engloba três praças que ficam uma do lado da outra: a da Justiça, a da Bandeira e a dos Artistas], onde tudo começou. Eles pegaram os reféns que estavam assistindo o jogo. O filho de uma senhora que vende batatas fritas em frente ao quartel foi um dos reféns, a senhora ficou dentro do trailer e escapou”, relata Vinicius.

Os criminosos atiraram para cima durante mais de uma hora. O grupo usou armas de alto calibre e explosivos. Vídeos registram que em aproximadamente 2 minutos foram ouvido 45 tiros.

Fuga de carro e barco
Os bandidos deixaram a cidade pela rodovia Transcametá e seguiram pelo rio. Segundo a PM, o grupo fugiu usando carros e barcos – a cidade fica às margens do Rio Tocantins. Ainda não se sabe o que foi levado. Até às 10h30, a Secretária de Segurança Pública do Pará (Segup) informou que não há presos. Uma caminhonete com explosivos foi apreendida no km 15 da estrada que liga Cametá a Tucurí, segundo o governo.

Cametá é uma das 10 maiores cidades do Pará, com cerca de 136 mil habitantes, segundo o IBGE, e fica próximo à Ilha do Marajó, no norte do estado. O governador Helder Barbalho (MDB) disse está a caminho do município para acompanhar as investigações.

De acordo com as primeiras informações do Governo do Estado, durante a fuga os criminosos deixaram dinamites no km-40 da BR-422, ainda em Cametá. Mais adiante, no km-80 da mesma rodovia, mas já no município de Baião, um carro suspeito de ter sido usado na fuga foi encontrado dentro do rio Itaperuçu. A Polícia acredida que os suspeitos seguiram pela mata a partir daí. As informações são do portal G1.

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