Nesta terça-feira, dois de fevereiro de 2022, Dia de Iemanjá, se completam 25 anos da morte do cantor e compositor Chico Science, criador não só da banda Nação Zumbi, como o inventor de um gênero, o Manguebeat, que visto à distância, é uma das coisas mais criativas de nossa música desde então.
Há uma história que contei, por ocasião dos oito anos da morte de Chico Science, que vale repetir. Segue abaixo:
Estava em um táxi que saiu de Recife e entrou em Olinda. A passagem é rápida, quase imperceptível. As duas cidades se confundem em mixagem perfeita. O motorista era um senhor, bem humorado e muito falante. Em um determinado ponto ele muda o tom. Aponta um poste e diz: “Foi ali que morreu aquele tal de Chico Ciência, que vocês gostam tanto. Eu passei na hora e vi retirarem seu corpo”. O local fica demarcado na memória. Foi nesse poste ordinário, igual a todos os outros do Brasil, que se foi o Chico Science. Foi ali que tudo acabou. Será?
Pelas ruas do Recife sempre tem um garoto que leva consigo um tanto do criador do mangue beat. O cantor e compositor parece disseminado pela cidade. E a cidade sempre pareceu impregnada nele, com seus caboclos lançadores, balizas, reis e rainhas. No centro antigo, a garotada moderna dança e batuca com os velhos. O maracatu está na cidade. E a cidade é o folguedo que sobrevoa e enfeita suas misérias. Que glorifica sua sina galega de amante e libertadora dos seus algozes e senhores.
É o próprio Chico quem explica, num 2 de fevereiro, exatos oito anos depois de sua morte. Ressuscitado na TV, conta o significado de Afrociberdelia, nome do segundo CD de sua banda, a Nação Zumbi. “Afro pela nossa descendência, Ciber pela nossa relação com as novas tecnologias e Delia pelas cores, pelo sonho, pela profunda intimidade cultural de nossa gente com a psicodelia”, decreta em triunfo.
Hoje, 25 anos depois, a profecia se cumpre. Chico e o Mangue Beat estão por toda a parte, não só de Recife e Pernambuco, como do Brasil e talvez do mundo. Estão no cinema pernambucano, nas imagens, cheiros e sons de Claudio Assis, pelas ruas do Brasil, na aspereza do dia a dia. Estão no que é dito e no que é gingado, gritado, entoado.
Chico Science viu um mundo novo, onde a lama e o caos se tocaram suavemente à tecnologia que os transportou pelo planeta. Com apenas dois álbuns – “Da Lama ao Caos”, de 1994 e “Afrociberdelia”, de 1996 – reinventou o novo de novo. Foi o gênio cujo guarda-chuva acolheu toda uma comunidade.
Chico está no Mundo Livre SA, que acaba de lançar um belo álbum novo; está na própria Nação Zumbi, nas bandas Eddie e Monbojó, no cantor China e na cantora Karina Buhr entre vários outros. Em cada invenção contemporânea que carrega em si seus ancestrais, lá está Chico Science, 25 anos após de vivo para a eternidade. Com informações da Revista Fórum.















































