Imagens que circulam nas redes sociais mostram trabalhadores indianos em fábricas têxteis utilizando câmeras acopladas à cabeça enquanto executam tarefas como costurar, dobrar tecidos e repetir movimentos manuais com precisão ao longo do dia. A prática, já presente em 2026, reflete uma técnica utilizada no desenvolvimento de robôs humanoides.
O método é conhecido no setor como egocentric data collection, também chamado de “hand farms”. A tecnologia registra a perspectiva dos olhos do trabalhador sincronizada com o movimento das mãos, captando detalhes como ângulo, velocidade, torque e execução das tarefas.
Esses dados são utilizados para treinar robôs humanoides, como os modelos Tesla Optimus, Figure 03 e Boston Dynamics Atlas, permitindo que realizem atividades manuais com maior precisão.
Startups como a Objectways, sediada em Bengaluru, contratam trabalhadores para coletar esses dados, registram cada etapa e comercializam os conjuntos para empresas de robótica.
A prática tem gerado debate nas redes sociais, principalmente pela percepção de que os próprios trabalhadores contribuem para o desenvolvimento de tecnologias que podem substituir suas funções. Um comentário em hindi resume essa visão: “Apne pair pe kulhadi marna”, expressão que significa “cortar o próprio pé”.
O caso reforça discussões sobre os impactos da automação e o papel da mão de obra humana na construção das tecnologias que influenciam o futuro do trabalho.
Jornal da Chapada

















































