O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, falou, nesta segunda-feira (7), sobre os questionamentos feitos ao sistema eleitoral brasileiro nas eleições do ano passado, sobretudo às urnas eletrônicas, pelos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ministro não citou o principal incentivador desse movimento, o ex-presidente Bolsonaro, mas falou sobre “a ignorância e má-fé dos extremistas”, que colocaram em dúvida a veracidade das urnas eletrônicas, as quais chamou de “verdadeiro patrimônio nacional”.
Na palestra “Justiça Eleitoral e Defesa da Democracia”, ministrada na sede da Escola Paulista de Magistratura (EPM), em São Paulo, para alunos da Escola Judiciária Eleitoral Paulista (Ejep), do TRE-SP, Moraes defendeu o sistema eleitoral brasileiro, que considera o “melhor do mundo” por ser o único a apresentar os resultados no mesmo dia. “Foi por isso que a Justiça Eleitoral entendeu como absolutamente ofensiva qualquer afirmação em relação à fraude nas urnas eletrônicas”, explicou. A exposição foi aberta por cerca de 25 minutos para a imprensa.
Estratégia internacional da extrema-direita
Para Moraes, essa estratégia de desacreditar a democracia faz parte de uma cartilha internacional da extrema-direita, criada nos EUA e posta em prática também na Hungria, Polônia e Itália “para tomar o poder e solapar a democracia”.
Ele entende que as mentiras difundidas sobre o processo eleitoral têm como objetivo destruir os três pilares das democracias ocidentais: a imprensa, as eleições livres e periódicas e o Poder Judiciário independente. “Esse extremismo foi competente em embaralhar as notícias. Eles conseguiram que a opinião de influenciadores de terno e gravata, com fundo falso de livros, valessem mais que a de jornalistas investigativos e colunistas estudados”, afirmou o ministro.
Regulação das redes sociais
O ministro afirmou que as redes sociais tiveram um papel chave na disseminação de fake news para desacreditar o sistema democrático brasileiro. Ele explicou que o processo de disseminação de notícias falsas no Brasil utiliza um método em cadeia: primeiro os produtores de conteúdo produzem notícias falsas de maneira convincente, depois os robôs tratam de disseminar e engajar os conteúdos, só então os políticos começam a republicá-los, para dar um ar de veracidade à informação.
“Criavam as notícias fraudulentas, as famosas fake news, e por meio de robôs as colocavam no top cinco das notícias para dar credibilidade. Por isso, melhoramos a forma de identificação e punição”, comentou. Moraes defendeu que as redes sociais passem a exigir um número de CPF para cadastrar usuários, para evitar a proliferação de robôs, pois “robô não tem CPF”. Na toada da sua defesa a regulação das mídias sociais, o ministro destacou ainda necessidade de dar maior transparência aos algoritmos das plataformas. As informações são da Revista Fórm.














































