O projeto que propõe o irmanamento entre as cidades de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, e Aného, antiga capital do Togo, foi apresentado nesta quinta-feira (8) à prefeita Eliana Gonzaga. A iniciativa é resultado de articulações do Fórum de Entidades Negras da Bahia (FENEBA), cujos integrantes participaram, em dezembro, da 9ª Conferência Pan-africana, realizada no país africano.
A proposta foi apresentada durante uma reunião que contou com a presença de membros do secretariado municipal e de representantes do movimento negro e político, entre eles Raimundo Bujão, presidente do Feneba; Antônio Carlos Vovô, presidente do Ilê Aiyê; Gutierres Barbosa, coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT; Samuel Azevedo, Diretor Presidente do África900 – Centro de Referência Política e membro do Feneba; e Ivan Alex, assessor especial do governador Jerônimo Rodrigues.
Segundo Samuel Azevedo, assessor de relações internacionais do Feneba e responsável pela adaptação legal do projeto, a ideia surgiu em Lomé, durante uma conversa com o prefeito de Aného, Alexis Coffi Aquereburu. No diálogo, foram destacadas as semelhanças históricas e diaspóricas entre as duas cidades, além de possibilidades de parcerias culturais e comerciais. Inicialmente, foi sugerida a criação de uma casa togolesa na Bahia, mas a proposta evoluiu para o projeto de cidades-irmãs.
“Eles fizeram a proposta, mas a coisa evoluiu para o projeto de irmanamento, porque promove o desenvolvimento e o crescimento mútuo, as possibilidades de acordos em educação, cultura, ciência, artes e comércio, e amplia transações como emissão de vistos”, explicou Samuel Azevedo.
De acordo com ele, a reunião com a prefeita Eliana Gonzaga foi positiva. A gestora demonstrou receptividade à iniciativa, que dialoga com a luta antirracista, apontada como uma das marcas da sua gestão, e estabeleceu prazo até o final do mês para que o setor jurídico do município providencie a documentação necessária.
Para Samuel, o projeto pode representar um novo marco nas relações entre as duas cidades e países. “Esse é um trabalho que pode ser o começo de um novo conceito de demarcação das relações entre os dois países e as duas cidades, além do que estamos deslocando o centro cultural de Salvador para uma cidade não menos emblemática como Cachoeira”, avaliou.
Localizada no Golfo da Guiné, Aného tem cerca de 30 mil habitantes, faz fronteira com o Benin a leste e tem sua economia baseada principalmente na agricultura e na pesca artesanal. Para o presidente do Feneba, Raimundo Bujão, o projeto simboliza o início de “uma nova era”, especialmente no ano em que a entidade comemora 25 anos de fundação. As informações são de assessoria.



















































