Emerson Souza, vice-presidente de relações institucionais da Brazil Iron, detalhou ao CNN Money os planos de um dos maiores projetos privados de mineração sustentável em desenvolvimento no Brasil. A entrevista, concedida ao programa CNN Money, abordou o avanço do projeto “ferro verde”, em implantação no município de Piatã, na Chapada Diamantina, com investimento bilionário e proposta de integrar toda a cadeia produtiva do minério de ferro até a produção de insumos voltados ao aço de baixo carbono, em um contexto global de transição energética da indústria siderúrgica.
Chapada Diamantina e o projeto pioneiro do ferro verde nas Américas
O projeto da Brazil Iron prevê investimentos estimados em US$ 5,7 bilhões e estrutura uma cadeia produtiva totalmente integrada, que vai desde a extração mineral em áreas que abrangem Piatã, Abaíra e Jussiape até etapas de beneficiamento, logística ferroviária e processamento industrial final. A proposta inclui ainda a conexão com infraestrutura portuária, onde o minério passa por transformações até chegar ao chamado ferro verde, voltado ao fornecimento da indústria global de aço de menor emissão.
Durante a entrevista, Emerson Souza destacou o caráter inovador da iniciativa ao afirmar: “o que trazemos com o projeto ferro verde da Brazil Iron é algo inovador, apesar de todos saberem a importância da descarbonização da indústria siderúrgica como um todo, os caminhos apontados ainda são desconhecidos, e nós dentro do nosso projeto temos a fabricação do ferro verde como um dos principais caminhos para levar ao aço verde”.

Ele reforçou ainda a dimensão inédita do empreendimento ao explicar: “nosso projeto é o primeiro projeto das Américas com mineração e produção de ferro verde integrada”, ressaltando que a iniciativa busca posicionar a Bahia em uma nova cadeia global da siderurgia de baixo carbono.
O executivo também chamou atenção para a escala financeira e estrutural do projeto ao detalhar que “é um investimento bilionário, 5,7 bilhões de dólares, para fazer toda a integração do projeto, desde a operação da mineração até a fabricação do ferro verde na ponta final”, incluindo minas, plantas de beneficiamento na região da Chapada Diamantina e etapas industriais posteriores.
Segundo ele, a estrutura logística foi desenhada para garantir eficiência total do fluxo produtivo: “esse valor compreende o processo de extração da mina, uma primeira planta de beneficiamento lá na região onde está a mina, na região de Piatã, Abaíra e Jussiape, e a conexão com o ramal ferroviário para levar esse material até a ferrovia e transportar até a zona portuária”.
Além do impacto industrial, a iniciativa também reposiciona a Chapada Diamantina como território estratégico da mineração sustentável, ao inserir a região em um modelo de produção de menor impacto ambiental, baseado em tecnologias mais limpas e em processos integrados de beneficiamento e logística. O projeto passa a conectar o interior da Bahia a uma cadeia global voltada à transição energética, especialmente em um cenário de crescente pressão internacional por redução de emissões na indústria do aço.
Tecnologia, sustentabilidade e logística para uma nova mineração na Bahia
O projeto já está em fase de licenciamento ambiental e conta com estudos de impacto realizados por instituições técnicas independentes. Emerson Souza explicou que “todos os estudos de impacto ambiental já foram realizados, até para garantir o máximo de capacidade técnica e uma certa isenção na realização do estudo, que nem foi a nossa empresa que fez, foi o SENAI Cimatec”.
Entre as principais inovações previstas está a substituição total do transporte interno por caminhões por um sistema de esteiras de longa distância, com mais de 16 quilômetros, alimentadas por energia renovável. Segundo o executivo, “todo o processo de transporte de material dentro da operação da mina vai ocorrer sem a presença de caminhões, ele será feito por esteiras”.
Ele também destacou o compromisso com sustentabilidade ao afirmar que “a esteira se alimenta de energia limpa e renovável” e que o projeto foi concebido sem necessidade de barragens de rejeitos, incorporando tecnologias modernas de mineração sustentável.
Outro ponto relevante é o modelo de recuperação ambiental simultânea, que permite a recomposição das áreas mineradas ao longo da própria operação. “Temos máquina de recuperação de mina, que permite que, no tempo em que você faz a extração em algumas áreas, você já consiga fazer a recuperação”, explicou, acrescentando que “em cerca de sete anos essa área já vai estar recuperada e agricultável”.
Na parte logística, o escoamento da produção deve ocorrer principalmente pela Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e pelo futuro Porto Sul, considerados estratégicos para viabilizar o projeto em escala global. O executivo também citou alternativas: “o plano B seria a malha FCA, não é a melhor opção, carece de adaptações, mas o ramal ferroviário que iremos contribuir conecta tanto na Fiol como na FCA”.
O cronograma prevê início da implantação em 2027 e início da produção em 2030. Já há contratos de venda de longo prazo com compradores na Europa e na Ásia. “Já temos dois contratos de offtake que correspondem a 10 anos de produção de ferro verde, o que dá muito mais segurança para os investidores e mostra o interesse do mercado nesse projeto”, afirmou Souza.
Emerson ainda destacou o interesse em parcerias institucionais, incluindo o BNDES: “sem dúvida é de interesse da empresa, não só pelo benefício do aporte financeiro, mas também por ter uma chancela governamental quando você tem o BNDES apoiando o projeto”.
Jornal da Chapada













































