A Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur) voltou ao centro de uma série de questionamentos após uma investigação revelar suspeitas de superfaturamento em contratações artísticas realizadas com recursos públicos ao longo de quase uma década. Os apontamentos envolvem milhões de reais em contratos, empresas ligadas entre si, uso de supostos laranjas, auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e investigações que seguem em andamento no Ministério Público da Bahia (MP-BA). O ex-gestor do órgão, Diogo Medrado, aparece como um dos principais nomes citados nos relatórios analisados pela apuração.
Segundo a investigação divulgada pela TV Bahia, o esquema teria operado entre 2015 e 2024 por meio da contratação de artistas com cachês muito superiores aos valores praticados no mercado. A diferença, de acordo com a apuração, não chegava aos artistas e ficava concentrada nas empresas intermediárias responsáveis pelas contratações. Entre os casos apontados estão apresentações contratadas por até R$ 180 mil, enquanto os mesmos artistas realizavam shows particulares por valores significativamente menores.

Os relatórios do TCE também identificaram problemas recorrentes como falta de justificativa para os preços pagos, concentração de contratos nas mesmas empresas, utilização considerada irregular de inexigibilidade de licitação e descumprimento de recomendações emitidas pelos órgãos de controle. Em alguns casos, empresas que receberam milhões de reais compartilhavam endereços, contatos eletrônicos e até vínculos familiares entre seus representantes.
Diogo Medrado, que comandou a antiga Bahiatursa e posteriormente a Sufotur, nega qualquer irregularidade. Em nota, o ex-gestor afirma que todas as contratações seguiram a legislação vigente, passaram por análises técnicas e jurídicas e que não houve prejuízo aos cofres públicos. Ele também destaca que o órgão recebeu, em 2024, reconhecimento relacionado à transparência dos festejos juninos.
Investigação amplia debate sobre transparência e relação com fornecedores
Além das suspeitas envolvendo a contratação de atrações artísticas, fornecedores de comunicação e veículos de imprensa também relatam dificuldades relacionadas a pagamentos de serviços contratados por intermédio de campanhas institucionais vinculadas à divulgação de eventos promovidos pelo órgão.
Entre os casos está o do Jornal da Chapada, que foi contratado para divulgar banners institucionais relacionados ao Carnaval deste ano. O serviço foi executado dentro dos prazos acordados e a previsão de pagamento seria de até 60 dias após a publicação. No entanto, mesmo após meses da veiculação, o valor ainda não foi quitado. Paralelamente, novos materiais publicitários referentes às campanhas do São João foram encaminhados para divulgação.
A situação tem gerado reclamações entre prestadores de serviço que apontam a existência de uma rede de empresas e intermediários responsáveis pela contratação de espaços publicitários, mas que, segundo os relatos, não realizariam os pagamentos dentro dos prazos estabelecidos. As denúncias reforçam o debate sobre a necessidade de maior controle, fiscalização e transparência não apenas nos contratos de atrações artísticas, mas também na contratação de serviços de comunicação e divulgação institucional.
Enquanto isso, seguem em andamento um Procedimento de Investigação Criminal (PIC), que apura possíveis crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro, além de um inquérito civil voltado ao aperfeiçoamento das formas de contratação adotadas pela Sufotur. Ambos tramitam sob acompanhamento do Ministério Público da Bahia, enquanto uma auditoria referente às contas mais recentes do órgão ainda aguarda conclusão.
Em meio às investigações e às denúncias apresentadas por fornecedores, cresce a pressão por esclarecimentos e por mecanismos que garantam maior segurança jurídica, transparência e respeito aos contratos firmados com recursos públicos. O desfecho dos processos poderá definir não apenas eventuais responsabilidades administrativas e criminais, mas também influenciar futuras mudanças nos modelos de contratação adotados pelo turismo baiano.
Jornal da Chapada

















































