#Bahia: Festa do licuri promove preservação e valorização da espécie e seu sistema produtivo

Postado em ago 20 2018 - 4:45pm por Jornal da Chapada

A festa, que teve início no sábado (18) e encerrou no domingo (19), em Capim Grosso, nasceu da força e tradição das quebradeiras e da possibilidade de exportar a produção dessas mulheres | FOTO: Divulgação |

“Licuri tem fortaleza e o povão vai saciar, fazendo as comidas típicas, o povão vai saborear, corta o cacho licuri dendê, joga pra secar, quebra pra comer”, nesses versos, a agricultora Maria dos Santos Silva, quebradeira de licuri da comunidade Jabuticaba, em Quixabeira (BA), expressa a força do fruto que é conhecido como “Ouro do Sertão”, e que hoje ganhou visibilidade a partir da Festa do Licuri.

Na sua 11ª edição, a Festa, que teve início no sábado (18) e encerrou neste domingo (19), na comunidade de Mata do Estado, no município de Capim Grosso, no Território de Identidade Piemonte da Diamantina, nasceu da força e tradição das quebradeiras e da possibilidade de exportar a produção dessas mulheres. A Festa tem como missão dar visibilidade a produção do licuri, ao potencial do seu sistema produtivo na geração de renda para a agricultura familiar e a valorização do trabalho realizado pelas quebradeiras desse fruto.

“Desde criança a gente faz a quebra do licuri. Toda a minha vida é o licuri, todo sabor da cozinha é do leite do licuri. Hoje, chegamos a um ponto em que o licuri tem valor. Na época de criança que eu quebrava, não tinha valor”, afirma a Maria dos Santos. Para a agricultora e quebradeira de licuri, essa valorização é uma conquista das mulheres, reconhecendo que a Festa do Licuri ajudou a disseminar o potencial econômico desse fruto.

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No evento, a riqueza dessa palmeira é encontrada na variedade de produtos derivados do licuri, a exemplo da farinha, bolo, azeite, doces, geleias, sorvetes, picolé, artesanato feito com palha da planta, além do licuri in natura e caramelizado. A artesã Lucineide Gomes de Lima, de São José Jacuípe, relata que “aqui eu vendo meus produtos, mostro como é rico o licuri, dele aproveitamos tudo, e ainda faço amizades e troco conhecimento”.

Durante os dois dias do evento, foram realizadas oficinas temáticas, intercâmbio entre comunidades produtoras, apresentações culturais, concursos, dentre eles, o de Quebra do Licuri. A jovem Ana Lúcia dos Santos, do município de Caém, participou da oficina “Comida com Gosto do Licuri” e diz: “eu não sabia que era possível fazer diversos pratos do licuri, não sabia da sua riqueza. Hoje, despertei para a necessidade de preservar essa planta que ainda não é valorizada como merece”.

Preservação
O evento tem também o objetivo de estimular a preservação e replantio dos licurizeiros. O diretor-presidente Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), Paulo Santos, destaca como conquista a lei de preservação do licuri e do umbu: “A Festa do Licuri tem dado o pontapé na articulação para aprovação dessa lei para a preservação da nossa palmeira. Conquista que reafirma a festa do licuri como um espaço de discussão e construções de políticas públicas que fortalece a agricultura familiar no Semiárido”.

A Festa, que é uma iniciativa da Coopes e de agricultores familiares, com o apoio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio do Pró-Semiárido, projeto executado a partir de acordo de empréstimo entre o Governo do Estado e o Fundo de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). As informações são da Agência Chocalho.

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