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Deputado diz que “ONU precisa intervir para evitar mais violência contra religiões de matriz africana”

Valmir Assunção lembra os casos recentes de ataques a monumentos, como contra o busto de Mãe Gilda, e a terreiros e centros religiosos, e diz que outros “inúmeros casos de violência psicológica, apedrejamentos, depredações, incêndios criminosos, atentados contra a vida e o sagrado, só aumentam os discursos de ódio”.

Racismo, discriminação, xenofobia e intolerância religiosa. Esses foram alguns crimes relatados por entidades da sociedade civil e parlamentares brasileiros contra membros de religiões de matriz africana no país em documento entregue à Organização das Nações Unidas (ONU). O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) assina o documento e defende uma intervenção urgente da organização para evitar mais violência contra os praticantes na Bahia, por exemplo. Ele lembra os casos recentes de ataques a monumentos, como contra o busto de Mãe Gilda, e a terreiros e centros religiosos, e diz que outros “inúmeros casos de violência psicológica, apedrejamentos, depredações, incêndios criminosos, atentados contra a vida e o sagrado, só aumentam os discursos de ódio”.

“É um absurdo que isso ainda aconteça no nosso país. A liberdade de religião é constitucional. Todos temos o direito de se expressar. E esse documento é neste sentido, para que a ONU tenha conhecimento das inúmeras violações que acontecem e que o governo Bolsonaro já tem conhecimento, mas nada faz para conter essa violência”, declara Valmir. O parlamentar aponta que os dados foram enviados para Tendayi Achiume, que é relatora especial da ONU sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância. Valmir descreve que os dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), apontam que as religiões de matriz africana com maior número de adeptos no Brasil são a umbanda e o candomblé, e que representam 0,3% da população brasileira. Mesmo sendo baixo o número de praticantes, eles são as maiores vítimas de violência e violação de direitos.

“Conforme estudo, a partir do ‘Disque 100’, entre o mês de janeiro de 2015 e o primeiro semestre de 2017, o país teve uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas. A maioria das vítimas de intolerância é de religiões de origem africana, com 39% das denúncias”, explica Assunção utilizado dados do documento. Ainda conforme esse levantamento, umbanda teve 26 casos de violações, candomblé teve 22 e as chamadas matrizes africanas chegaram a 18 casos, seguidas por católica, com 17, e evangélica com 14. No ano de 2007, uma lei instituiu 21 de janeiro como o ‘Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa’. Essa data é a do falecimento da iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, em Salvador. Gilda foi acusada de charlatanismo, sua residência foi atacada e pessoas da comunidade foram agredidas. Por conta disso, ela morreu de infarto. As informações são de assessoria.

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