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#Brasil: Secom do governo Bolsonaro é representada no MP por apologia armamentista no Dia do Agricultor

Governo usou foto de jagunço armado para representar o "homem do campo", atitude que, para Ivan Valente (PSOL-SP), estimula a violência

A repercussão negativa da postagem feita pelo governo Bolsonaro para celebrar o Dia do Agricultor, com uma foto que mostra um homem armado, não ficou só nas notas de repúdio.

Nesta quinta-feira (29), o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) entrou com uma representação na Procuradoria da República do Distrito Federal solicitando que o ato seja investigado por improbidade administrativa.

A postagem foi feita pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Nela, a foto de um homem segurando um rifle representaria o “agricultor”.

“Hoje homenageamos os agricultores brasileiros, trabalhadores que não pararam durante a crise da Covid-19 e garantiram a comida na mesa de milhões de pessoas no Brasil e ao redor do mundo”, dizia a legenda da publicação.

Diante da reação de internautas, políticos e entidades que representam a agricultura, a Secom decidiu apagar a imagem. Questionada pela Fórum sobre o motivo pelo qual excluiu a foto, a secretaria se enrolou. “A imagem utilizada anteriormente, em referência à segurança no campo, deu margem a interpretações fora do contexto”, disse em nota.

“Governo miliciano de Bolsonaro é covarde também. Depois de a Secom comemorar o dia do agricultor com a imagem de um jagunço armado e merecer o repúdio unânime, retira o post que é propaganda subliminar do armamentismo do genocida. Respeite o trabalhador rural seu criminoso”, declarou Ivan Valente.

Apesar da postagem não estar mais disponível, o congressista considera que a Secom “extrapolou os limites estabelecidos pela legislação, uma vez que não possui como objetivo orientar ou educar a população, mas sim de disseminar a violência no campo”.

Segundo o parlamentar, a publicação faz “apologia à política armamentista” defendida por Jair Bolsonaro e, por extrapolar os limites constitucionais de sua atuação, a publicação da Secom incorreria em improbidade administrativa.

“O Governo Federal, a pretexto de homenagear os agricultores, lança mão de recursos públicos para atentar contra o interesse público, fomentando a violência no campo, onde os conflitos já são elevados em todo o país”, escreve Ivan Valente na ação.

Armamentismo e violência no campo
Para embasar a representação no MP, Ivan Valente citou dados e informações que mostram o aumento da violência no campo durante o governo Bolsonaro.

Importante lembrar que o Presidente da República já vem, há muito tempo, deixando claro suas prioridades e opiniões com relação à posse de armas no Brasil. No ano passado, foi emblemático ao afirmar seu desejo de que ‘o povo se arme, que é garantia que não vai ter um filho da puta pra impor uma ditadura aqui, que é fácil impor uma ditadura, facílimo’”.

“Conforme levantamento realizado com os registros de todas as ocorrências de conflitos registrados durante o ano passado nas zonas rurais do Brasil, os números são assustadores: de acordo com a CPT, os episódios de violência nunca foram tão altos e os números são os maiores dos últimos 35 anos.

Foram registradas 2.054 ocorrências em 2020, um aumento de 8% em relação a 2019. Esse é o maior número de ocorrências de conflitos no campo já registrado pela organização desde 1985″, pontua ainda o psolista. A redação é do site da Revista Fórum.

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