O afogamento segue como uma das principais causas de morte acidental no país. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), cerca de 16 brasileiros morrem por dia vítimas desse tipo de ocorrência — o equivalente a uma morte a cada 90 minutos. O levantamento mostra que quase metade das vítimas tem menos de 30 anos, revelando o impacto entre jovens.
Em 2025, a realidade foi sentida de perto na região, reforçando o alerta de especialistas de que o afogamento não deve ser tratado como acidente, mas como incidente previsível e evitável.
Prevenção como principal ferramenta
O tenente Antonio Carlos Brustolin Júnior, comandante do Corpo de Bombeiros de Americana, destaca que medidas simples podem salvar vidas.
“Costumamos dizer que ‘água no umbigo é sinal de perigo’ e ‘bebida alcoólica e mar, nem pensar’. É fundamental conhecer o local onde a pessoa vai se refrescar e priorizar áreas com presença de guarda-vidas”, afirma.
Segundo os bombeiros, consumo de álcool, desconhecimento da profundidade e ausência de supervisão estão entre os principais fatores de risco.
Atenção redobrada com crianças
A Sobrasa aponta que cerca de quatro crianças morrem afogadas por dia no Brasil. Entre crianças de até nove anos, mais da metade dos casos ocorre dentro de casa, principalmente em piscinas e banheiras.
“Crianças precisam estar sempre sob vigilância. Um segundo de distração pode ser fatal, especialmente com o uso do celular. Também orientamos atenção ao tipo de boia: o ideal é usar modelos tipo colete. Boias de braço podem se soltar com facilidade”, alerta Brustolin.
Riscos em águas doces
Ao contrário do que muitos pensam, 76% das mortes por afogamento no Brasil ocorrem em águas doces, como rios, lagos e represas. Nesses ambientes, a profundidade e as correntezas podem enganar.
Outro perigo é o salvamento impulsivo, quando alguém tenta ajudar sem preparo e acaba se tornando mais uma vítima.
“A orientação é sempre acionar o 193. Tentar um resgate direto é extremamente perigoso. Se for possível ajudar, o ideal é oferecer um objeto que flutue, como uma corda ou madeira”, explica o comandante.
Casos que reforçam o alerta
Em novembro, um homem morreu afogado no Rio Jaguari, em Americana, ao tentar salvar um animal de estimação. Segundo o Corpo de Bombeiros, mesmo nessas situações a prioridade deve ser a segurança pessoal.
“O indicado é usar uma embarcação ou oferecer algo que flutue. O animal pode estar em estresse e representar risco. É preciso cuidado para não se tornar mais uma vítima”, reforça Brustolin.
Educação e conscientização
O Corpo de Bombeiros realiza ações educativas por meio de programas como Bombeiros na Escola e distribuição de cartilhas informativas. Entre as orientações estão manter crianças próximas dos responsáveis, não mergulhar de cabeça em locais desconhecidos e evitar o consumo de álcool.
Com a chegada das férias, especialistas reforçam que cercar piscinas, manter contato visual com crianças e evitar distrações são atitudes simples que podem evitar tragédias.
Jornal da Chapada




















































