A expectativa é alta para a tradicional Festa de Iemanjá, que acontece nesta segunda-feira (2), no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Considerada uma das maiores manifestações religiosas e culturais da Bahia, a celebração deve reunir um grande público formado por moradores da capital, turistas de diversas partes do país e autoridades políticas, movimentando intensamente a cidade desde a véspera.
O evento, que ultrapassa o caráter religioso, é um dos símbolos mais fortes da identidade cultural baiana. Todos os anos, milhares de pessoas se reúnem para homenagear Iemanjá, a Rainha do Mar, em um ritual marcado pela fé, pela tradição e pela ocupação coletiva dos espaços públicos do bairro do Rio Vermelho.

A origem da celebração remonta às tradições do candomblé, mas ao longo do tempo a Festa de Iemanjá incorporou elementos do sincretismo religioso, dialogando também com o catolicismo e outras expressões de fé. Esse encontro de crenças transformou o evento em um momento de devoção plural, no qual diferentes religiões e culturas convivem de forma harmoniosa.
Além do aspecto espiritual, a festa também carrega um forte componente histórico e social. Surgida a partir da iniciativa de pescadores da Colônia Z-01, a celebração passou a integrar o calendário oficial de Salvador e se consolidou como um patrimônio cultural imaterial, refletindo a relação do povo baiano com o mar e com suas tradições ancestrais.

Programação e rituais tradicionais
A programação tem início ainda na noite de domingo (1º), com a entrega do presente de Oxum, no Dique do Tororó. O cortejo sai por volta das 23h10 do Terreiro Olufanjá, no bairro de Beiru-Tancredo Neves, e segue até o Dique, onde a oferenda é entregue à meia-noite, marcando simbolicamente o começo das homenagens.
Na segunda-feira (2), acontece o momento mais aguardado da festa, com a entrega do presente principal de Iemanjá, no Rio Vermelho. O presente sai do galpão às 4h30 e chega à praia de Santana, na Colônia de Pesca Z-01, às 5h, quando ocorre a tradicional alvorada de fogos que anuncia o início das celebrações do dia.
O presente permanece no carramanchão ao longo do dia, recebendo flores, perfumes e mensagens dos devotos. Às 16h, a oferenda segue para o mar, conduzida por pescadores, pela Iyalorixá do Terreiro Olufanjá, Mãe Nicinha de Nanã, e por seus filhos de santo, em um cortejo marítimo carregado de simbolismo.
A entrega dos presentes representa um gesto de gratidão, pedidos de proteção e renovação da fé, expressando a devoção à Rainha do Mar. Ao mesmo tempo, a Festa de Iemanjá também revela seu lado profano, com música, encontros, manifestações culturais e a ocupação festiva das ruas.
Jornal da Chapada

















































