A história do diamante em Mucugê começou em 1844 e mudou para sempre o destino da pequena localidade situada no coração da Chapada Diamantina. A descoberta das primeiras pedras preciosas no leito do riacho Mucugê, atribuída ao tropeiro José Pereira do Prado, também citado em registros como Cristiano Pereira do Nascimento, deu início a uma das maiores corridas diamantíferas do Brasil no século XIX.
Até então ocupada basicamente por fazendeiros de gado, a região viu sua paisagem humana se transformar rapidamente. A notícia do achado se espalhou com velocidade e atraiu milhares de pessoas de diferentes partes da Bahia, de Minas Gerais e até do exterior, incluindo países europeus e nações árabes. Em poucos anos, Mucugê passou de povoado isolado a um centro efervescente de riqueza, trabalho intenso e diversidade cultural.
O ciclo do diamante promoveu um encontro marcante entre escravizados, senhores de engenho, garimpeiros, comerciantes e imigrantes europeus, todos movidos pela promessa de fortuna. O antigo arraial foi elevado à categoria de Vila da Santa Isabel do Paraguaçu, vivendo um período de luxo e ostentação, mas também de conflitos, exploração e duras condições de trabalho nas lavras diamantinas.
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Do auge à reinvenção da cidade
Durante o Segundo Império, Mucugê chegou a figurar entre as maiores produtoras de diamantes do mundo. A riqueza gerada pelo garimpo refletiu-se na construção de igrejas, casarões, aquedutos e em uma estrutura urbana sofisticada para os padrões da época. No entanto, a prosperidade começou a declinar a partir da década de 1870, quando a descoberta de grandes jazidas na África do Sul alterou o mercado internacional e reduziu drasticamente o valor das pedras brasileiras.
Com o fim do auge diamantífero, a cidade enfrentou um período de retração econômica, mas não desapareceu. Mucugê se reinventou por meio da agricultura, especialmente com o cultivo do café, e da extração das flores sempre-vivas, atividades que garantiram a sobrevivência da população e ajudaram a preservar a identidade local ao longo do tempo.

Hoje, caminhar pelas ruas de Mucugê é fazer uma viagem ao passado. O casario colonial preservado, a arquitetura singular e os cemitérios em estilo bizantino guardam a memória do período do garimpo. Essa história também é contada no Museu do Garimpo, que reúne ferramentas, documentos e objetos do cotidiano dos mineradores, mantendo viva a herança do ciclo do diamante e reforçando a importância de Mucugê na formação histórica e cultural da Bahia. Jornal da Chapada com informações do portal TourBooks.





















































