O município de Mucugê relembra neste ano o centenário da resistência à tentativa de invasão da Coluna Prestes, episódio ocorrido em maio de 1926 e que permanece vivo na memória local. A história é contada pelo guia e brigadista Joaab Rocha, que resgata detalhes do confronto e do contexto histórico que marcou a Chapada Diamantina.
Segundo o relato, parte das forças revolucionárias ligadas ao movimento liderado por Luís Carlos Prestes deslocou-se em direção ao município com o objetivo de obter armamentos. Na época, o grupo principal estava na região do Guiné, enquanto um destacamento comandado por Djalma Dutra, com cerca de 250 homens, avançou rumo à cidade.
Organização da defesa e retirada da população
De acordo com a narrativa, ao saber da aproximação dos chamados revoltosos, o coronel local Douca Medrado ordenou a evacuação de Mucugê para evitar riscos à população. A decisão abriu caminho para uma estratégia defensiva improvisada, liderada por um de seus filhos, que se recusou a aceitar a ocupação do município.
Ele reuniu aproximadamente 80 garimpeiros, distribuiu armas e posicionou o grupo em pontos elevados da serra próxima à cidade. Dali, os defensores teriam atirado por horas contra a tropa que se aproximava, impedindo a entrada dos revolucionários e forçando o recuo após baixas registradas no confronto.
A ação decisiva de Anatalino
Outro episódio marcante envolve Anatalino Medrado, também filho do coronel. Segundo o relato, ele teria seguido sozinho em direção à trilha por onde avançava o destacamento de Djalma Dutra. Ao encontrar os soldados, iniciou disparos sem saber que o irmão já havia organizado a resistência, atitude que acabou contribuindo para a confusão entre as tropas e ajudou a evitar sua execução imediata.
Após o confronto, Anatalino foi capturado e levado com a coluna até a região do Guiné, onde chegou a ser ameaçado de fuzilamento. A intervenção de Djalma Dutra, afirmando que ele não tinha conhecimento prévio da estratégia, teria garantido sua sobrevivência. Posteriormente, foi libertado em Minas Gerais e seguiu para Salvador, onde deu entrevistas sobre o episódio.
Contexto histórico e legado
O contexto histórico da investida está ligado à marcha da Coluna Prestes pelo interior do país entre 1925 e 1927, movimento que criticava o governo de Artur Bernardes e defendia reformas como voto secreto, expansão do ensino e mudanças políticas. Ao longo do percurso de milhares de quilômetros, a coluna enfrentou resistências locais e confrontos como o ocorrido em Mucugê.
Cem anos depois, a narrativa da resistência permanece como parte importante da memória coletiva do município, simbolizando a mobilização de moradores e garimpeiros para proteger o território e preservando um capítulo singular da história da Chapada Diamantina.Jornal da Chapada com informações do guia Joaab Rocha.



















































