O vereador de Salvador, André Fraga (PV), cobrou uma investigação rápida e rigorosa sobre o ataque armado ocorrido na Serra da Chapadinha, em Itaetê, na Chapada Diamantina. A declaração foi dada à TV Câmara Salvador antes da sessão legislativa da última terça-feira (5), quando o parlamentar comentou a invasão ao posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) Toca do Lobo, onde os ambientalistas Marcos Fantini e Alcione Correa foram feitos reféns durante a madrugada.
Segundo os relatos divulgados por entidades ambientais e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), criminosos armados invadiram o local entre a quinta-feira (30) e a sexta-feira (1º), renderam o casal, destruíram equipamentos e incendiaram parte da estrutura utilizada como base de monitoramento ambiental na região. O ataque atingiu sistemas de energia solar, baterias, rádios, computadores, celulares e armadilhas fotográficas usadas no acompanhamento da fauna silvestre.
Durante a entrevista, André Fraga destacou a gravidade da violência em uma área considerada estratégica para o equilíbrio ambiental da Bahia. “A Serra da Chapadinha é um espaço fundamental para a recarga hídrica da Bahia. Por isso, uma violência desse tipo numa região tão importante não pode prosperar”, afirmou o vereador. Ele também declarou que o mandato acionou a Polícia Civil e solicitou a abertura imediata de inquérito para apuração do caso.
“Solicitamos que a Polícia Civil instaure rapidamente o inquérito, para que esse tipo de violência no campo, numa região tão importante como a Chapada Diamantina, não prospere. É necessário que os responsáveis sejam identificados urgentemente e responsabilizados”, declarou Fraga. Após a repercussão do caso, a Polícia Civil da Bahia confirmou a entrada nas investigações para identificar os autores do atentado e esclarecer as circunstâncias da ação criminosa.

Área estratégica para o meio ambiente
A Serra da Chapadinha é apontada por ambientalistas como uma das áreas mais sensíveis da Chapada Diamantina por sua importância para a recarga hídrica, preservação de nascentes e conservação da biodiversidade. A região também abriga espécies ameaçadas de extinção, como o guigó-da-caatinga, além de desempenhar papel estratégico para o abastecimento de água em diferentes territórios da Bahia.
Entidades como a CPT e o Observatório dos Conflitos Socioambientais da Chapada Diamantina (OCA) avaliam que o atentado reacende o alerta sobre a violência no campo e os conflitos envolvendo disputas fundiárias, grilagem de terras, especulação imobiliária e interesses econômicos ligados à exploração ambiental. Organizações que acompanham a situação afirmam que comunidades tradicionais e defensores ambientais vêm enfrentando um cenário crescente de pressão e insegurança na região.
Após serem mantidos sob ameaça por cerca de uma a duas horas, Marcos e Alcione deixaram o local apenas ao amanhecer, utilizando trilhas da mata por receio de uma nova emboscada na estrada principal. Sem comunicação, internet e equipamentos destruídos, o casal conseguiu sair da área depois de viver uma madrugada marcada pelo medo e pela destruição de uma estrutura considerada fundamental para as ações de proteção ambiental na Serra da Chapadinha. Jornal da Chapada com informações do portal CMS.














































