O Dia Nacional do Café, celebrado neste domingo (24), reforça o protagonismo de municípios da Chapada Diamantina na produção de cafés especiais reconhecidos nacional e internacionalmente. Cidades como Piatã, Mucugê e Ibicoara vêm se consolidando como referências no segmento graças à combinação entre altitude elevada, clima ameno e técnicas artesanais de cultivo que garantem grãos de alta qualidade.
Além de impulsionar a valorização da bebida, o crescimento da cafeicultura especial também tem fortalecido a economia regional. A atividade gera empregos no campo, amplia a renda de agricultores familiares, movimenta cooperativas e aquece o comércio local, consolidando o café como uma das principais cadeias produtivas da Chapada Diamantina.

Piatã: referência internacional em cafés premiados
Em Piatã, considerada uma das maiores referências em cafés especiais do Brasil, as lavouras chegam a altitudes superiores a 1.400 metros, fator decisivo para a qualidade dos grãos. O clima frio e a maturação lenta do fruto ajudam a concentrar açúcares e nutrientes, resultando em bebidas complexas, aromáticas e de alta pontuação em concursos como o Cup of Excellence.
A produção cafeeira do município é marcada pela forte presença da agricultura familiar e pelo cultivo artesanal, com colheita majoritariamente manual e seleção rigorosa dos frutos. O terroir da região favorece cafés com notas frutadas, doçura elevada e acidez equilibrada, características que colocaram Piatã entre os destinos mais valorizados do café especial brasileiro.
A força do setor também passa pelas cooperativas e marcas que ganharam reconhecimento nacional. A Cooperativa de Cafés Especiais e Agropecuária (Coopiatã) reúne produtores locais e fortalece a comercialização dos grãos da região. Entre os principais destaques estão o Café Rigno, da Fazenda Tijuco, além do tradicional Café Chapada Diamantina, conhecidos pela qualidade e pelos sucessivos prêmios conquistados ao longo dos últimos anos.

Mucugê amplia espaço no mercado de cafés gourmet
Outro município que vem consolidando seu nome no segmento é Mucugê. Com plantações situadas entre 1.100 e 1.300 metros de altitude, a cidade reúne condições ideais para a produção de cafés 100% arábica de perfil gourmet. A grande amplitude térmica, marcada por dias quentes e noites frias, favorece sabores mais complexos e bebidas de aroma intenso.
A produção local aposta em variedades como Catuaí Vermelho, Catuaí Amarelo e Topázio, além de um rigoroso processo de colheita manual e seletiva. Entre os principais nomes estão o Café Igaraçú, cultivado na tradicional Fazenda Matos, e o Café Mucugê Gourmet, produzido na Fazenda Sol do Paraguassu, ambos cada vez mais valorizados no mercado de cafés especiais.

Ibicoara fortalece produção orgânica e sustentável
Já em Ibicoara, a produção tem se destacado pela combinação entre qualidade e sustentabilidade. O município se tornou um polo de cafés especiais e orgânicos, com lavouras cultivadas em meio ao clima ameno e às altas altitudes da Chapada Diamantina. Os grãos produzidos na região apresentam aromas florais, doçura natural e acidez equilibrada, características que conquistam consumidores exigentes.
Entre os destaques está o Café Boa Nova, produzido em sistema regenerativo e orgânico e já reconhecido entre os melhores cafés do Brasil. Além da valorização da produção sustentável, o crescimento do setor em Ibicoara também tem ampliado oportunidades de trabalho no campo, movimentando o comércio local e fortalecendo a economia regional ao longo do ano.

Encontro de Cafeicultura em Rio De Contas
Rio de Contas também vem fortalecendo sua presença no mercado de cafés especiais da Chapada Diamantina e, em meio às comemorações do Dia Nacional do Café, lançou a 2° edição do Encontro de Cafeicultura Entre Serras e Grãos. O evento será realizado nos dias 6 e 7 de junho, na Comunidade do Mato Grosso, reunindo produtores, especialistas, turistas e apreciadores da bebida.
A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva do café de altitude e ampliar a valorização dos produtores locais, que apostam na agricultura familiar, no cultivo artesanal e na qualidade dos grãos produzidos na região. O encontro também reforça a conexão entre cafeicultura, cultura regional e turismo de experiência.
No dia 6 de junho (Sábado), a programação acontece no Centro Histórico de Rio de Contas e contará com oficinas de extração de café, apresentações culturais, bate-papos com produtores e visitas guiadas a propriedades cafeeiras da Comunidade do Mato Grosso, onde os visitantes poderão conhecer o processo de cultivo dos grãos.
Já no dia 7 de junho (domingo), as atividades serão concentradas na Comunidade do Mato Grosso, com rodas de conversa, degustações guiadas, apresentações musicais, feira de artesanato e culinária regional, além de debates sobre oportunidades de mercado e homenagens a nomes importantes da cafeicultura local.
Com expectativa de reunir cerca de 2 mil pessoas, o encontro reforça o potencial de Rio de Contas como destino de turismo de base comunitária e destaca o crescimento da cafeicultura de altitude como ferramenta de geração de renda, fortalecimento cultural e desenvolvimento econômico na região.
Jornal da Chapada













































