Com o objetivo de garantir proteção aos ambientalistas atacados e reforçar a preservação da Serra da Chapadinha, o Ministério Público Federal (MPF) entrou no caso do atentado ocorrido na região de Itaetê, na Chapada Diamantina. O órgão encaminhou ofícios a instituições estaduais e federais cobrando investigação rigorosa do crime, medidas de segurança às vítimas e comunidades ameaçadas, além da criação de uma unidade de conservação de proteção integral na área.
Os documentos foram enviados à Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), à Procuradoria-Geral do Estado, ao Ministério do Meio Ambiente, ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O MPF reforça a necessidade de prioridade nas apurações e atuação integrada entre os órgãos para evitar novos episódios de violência na região.
Entre as medidas defendidas pelo órgão está a ocupação do posto avançado Toca do Lobo por instituições ambientais federais, garantindo a continuidade das ações de preservação na Serra da Chapadinha. O Ministério Público Federal também voltou a cobrar a criação de uma unidade de conservação de proteção integral na região, proposta já apresentada anteriormente ao Governo da Bahia e ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
O procurador da República Ramiro Rockenbach destacou a gravidade do caso e a necessidade de resposta institucional diante do atentado. “O atentado representa uma grave ameaça não apenas à integridade física dos ambientalistas, mas também ao direito coletivo ao meio ambiente equilibrado e à proteção das comunidades tradicionais que atuam historicamente na preservação da Serra da Chapadinha”, afirma.

Além da atuação do MPF, a Polícia Civil da Bahia também investiga o atentado e trabalha para identificar os responsáveis pela invasão à propriedade onde estavam os ambientalistas. As apurações buscam esclarecer a dinâmica do crime e identificar possíveis mandantes, diante de suspeitas de conflitos relacionados a disputas por terra e possíveis casos de grilagem na região.
Considerada uma das áreas ambientais mais estratégicas da Chapada Diamantina, a Serra da Chapadinha abriga nascentes, remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado, além de expressiva biodiversidade. A região também é alvo de disputas em razão do potencial mineral, o que tem gerado tensão entre interesses econômicos, preservação ambiental e comunidades tradicionais.
Em 2023, o MPF já havia recomendado ao Governo da Bahia a criação de uma unidade de conservação na área e a suspensão de autorizações de supressão vegetal sem consulta prévia às comunidades locais. O território soma mais de 14 mil hectares distribuídos entre os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê.

Entenda o caso
O ataque armado ocorreu entre a madrugada de 30 de abril e 1º de maio, na Pousada Toca do Lobo, localizada na Serra da Chapadinha. Um grupo de homens encapuzados e armados invadiu o local, rendeu um casal de ambientalistas e permaneceu na propriedade por cerca de duas horas. Durante a ação, equipamentos foram destruídos e parte da estrutura da pousada foi danificada, além de terem sido registrados disparos de arma de fogo.
A ação violenta teve como alvo direto os ambientalistas Alcione Corrêa e Marcos Fantini, conhecidos pela atuação na defesa ambiental da região. Os criminosos também subtraíram equipamentos e materiais utilizados no monitoramento ambiental, intensificando o clima de intimidação durante a invasão. Jornal da Chapada com informações do portal MPF.



















































