Moradores de Boninal, na Chapada Diamantina, divulgaram uma nota pública de repúdio cobrando a construção de um hospital geral no município e denunciando as dificuldades enfrentadas pela população diante da falta de uma unidade hospitalar capaz de atender casos de urgência e emergência. O documento faz críticas à situação da saúde pública local e pede providências da prefeita Celeste (PT) e do Governo da Bahia para ampliar a estrutura de atendimento.
Na manifestação, a comunidade afirma que a cidade permanece sem um hospital de média e alta complexidade, obrigando pacientes a dependerem apenas das unidades de atenção básica e de um centro de atendimento que, segundo a nota, não possui estrutura suficiente para atender ocorrências mais graves. “É inadmissível que uma cidade com cerca de 14 mil habitantes e um território extenso continue sem uma estrutura hospitalar de urgência e emergência para atender sua população”, destaca um dos trechos do documento.
De acordo com os moradores, a ausência de um hospital obriga pacientes vítimas de acidentes, complicações clínicas e partos de risco a serem transferidos para municípios vizinhos, como Seabra e Barreiras. Além da distância percorrida, a demora no acesso ao atendimento especializado pode agravar quadros clínicos e aumentar os riscos para quem necessita de assistência imediata.

Comunidade cobra investimentos na saúde
A nota também critica a chamada ‘ambulancioterapia’, situação em que pacientes precisam ser transportados para outras cidades por falta de atendimento adequado no município. “Diante de qualquer emergência grave, acidentes ou partos de risco, a população é submetida ao desespero da ‘ambulancioterapia’, sendo obrigada a viajar horas por estradas até hospitais de municípios vizinhos”, afirma o texto.
Segundo os moradores, a falta de uma unidade hospitalar representa um dos principais entraves para a garantia do direito à saúde em Boninal e evidencia o que classificam como abandono da rede pública no município. Para a comunidade, a situação afeta especialmente moradores da zona rural, idosos, gestantes e pacientes que necessitam de atendimento rápido, além de causar insegurança permanente às famílias.
Outro trecho da nota afirma que o cenário atual viola um direito assegurado pela Constituição Federal. “O direito à saúde, garantido pelo artigo 196 da Constituição Federal, está sendo sistematicamente violado em nossa cidade”, diz o documento. Entre as reivindicações estão a construção de um hospital regional ou hospital-polo em Boninal, investimentos em infraestrutura, equipamentos e médicos plantonistas 24 horas, além de maior transparência na aplicação dos recursos destinados à saúde.
A comunidade reforça ainda que continuará cobrando respostas do poder público e pede que as promessas sejam transformadas em ações concretas. “Não aceitaremos mais que a saúde pública seja tratada como moeda de troca ou segundo plano. Exigimos respeito, dignidade e o direito básico de sermos socorridos e tratados dentro da nossa própria terra”, conclui a nota.
O Jornal da Chapada tentou contato com as partes envolvidas após as denúncias apresentadas pelos moradores de Boninal, mas não obteve sucesso até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações e o direito ao contraditório.
Jornal da Chapada















































