Chapada: Morte de líder do MST em Iramaia não foi solucionada; políticos e familiares cobram punição

Postado em fev 13 2019 - 9:57pm por Jornal da Chapada

No último final de semana, um ato ecumênico marcou um ano da morte de ‘Marcinho’ | FOTO: Jonas Santos |

O assassinato brutal do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Márcio Matos, o popular ‘Marcinho’, ainda não foi solucionado depois de um ano do crime. ‘Marcinho’ foi morto a tiros em sua casa onde morava no assentamento Boa Sorte Una, no município de Iramaia, na Chapada Diamantina, em janeiro de 2018. De lá pra cá, pouco se soube sobre a investigação do caso. Informações apuradas pelo Jornal da Chapada com familiares e amigos, confirmam que a morte do ex-dirigente do movimento não teve conclusão do inquérito e até hoje ninguém foi identificado nem punido.

No último final de semana, um ato ecumênico marcou um ano da morte de ‘Marcinho’. Lá, muitos depoimentos emocionados foram explanados e alguns até gravados. Em vídeos exclusivos conseguidos pelo Jornal da Chapada, políticos e dirigentes do MST trataram do assunto e todos foram uníssonos a respeito da investigação, que precisa ter maior celeridade para que os responsáveis sejam identificados e devidamente punidos. O ato foi em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, e também fez um relato da trajetória do ex-dirigente baiano.

Nos vídeos, o vereador de Salvador, Luiz Carlos Suíca (PT), o deputado estadual Jacó (PT), os dirigentes nacionais Evanildo Costa e Lucineia Durães, a popular ‘Liu’, além dos dirigentes estaduais Paulo César, o popular ‘PC’, e Elizabeth Rocha falaram sobre o crime. “Estamos com muita indignação, muita vontade de que a justiça seja feita e que aqueles e aquelas que fizeram e patrocinaram esse crime, essa atrocidade, sejam identificados e sejam verdadeiramente punidos”, disse Jacó. Ele completa dizendo que seu mandato Jacó estará atento e cobrando do poder público para que, efetivamente, essa apuração seja concluída. “Que aqueles e aquelas que forem culpados sejam denunciados na justiça e possam cumprir suas penas na cadeia. Não podemos conviver e aceitar a impunidade”.

Ato ecumênico em Vitória da Conquista – homenagem a Márcio Matos

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O edil petista, Suíca, lembrou da atuação de ‘Marcinho’ na Bahia e no Brasil e pediu justiça. “Quero clamar por justiça, para que seja apurado e a gente possa encontrar os covardes que tiraram Márcio Matos tão cedo do nosso convívio e do nosso movimento. É com carinho e pesar que desejo paz para a família e que tenha força para seguir em frente”, destaca. Para ‘Liu’, em depoimento bastante emocionada, é preciso urgentemente elucidar esse crime. “O MST realizou o ato exigindo justiça. Não podemos realizar o ato no dia do assassinato, pois é o mesmo dia do aniversário de sua mãe, e esse é um presente que não se pode dar”, aponta.

Já Elizabeth Rocha disse que para os dirigentes do MST e amigos de Márcio Matos, companheiros e companheiras que lutaram com ele, esse momento é de lembrar e cobrar, cada vez mais, que a justiça seja feita. “Os assassinos não podem ficar impunes. Uma vida foi ceifada e queremos Justiça”. Para Evanildo Costa a situação não pode ficar impune. Ele destaca a trajetória de ‘Marcinho’ e o que representou sua atuação para o movimento. “Não tenha dúvida que o que atingiu ele atingiu a todos nós. Sofremos por isso e não vamos sossegar enquanto a justiça não for feita e os assassinos sejam presos… Até o exato momento não termos nenhum tipo de solução para esse caso”.

O dirigente estadual do MST, Paulo César, disse ser muito difícil viver sem ‘Marcinho’. “Para nós que convivemos com ele é muito difícil essa dor que sentimos da perda desse companheiro. Por isso, venho aqui pedir que seja feita justiça. Vim pedir justiça porque não pode acontecer uma coisa dessa, uma covardia que aconteceu com o nosso companheiro, uma pessoa tão humana como o companheiro Márcio. Vim pedir justiça Divina e justiça da terra”, salienta.

Anteriormente, em contato como Jornal da Chapada, a mãe de ‘Marcinho’, a professora Nilvandia Prado, cobrou respostas das autoridades para a conclusão do inquérito. “Um ano já se passou desde o crime contra o meu filho e a gente continua sem resposta. Nunca soubemos de nenhum avanço nas investigações, e esse silêncio é muito doloroso. Mas a gente mantém a esperança de que um dia a justiça seja feita, e de que os autores desse crime sejam responsabilizados. A gente não vai desistir jamais”.

Jornal da Chapada

Confira os depoimentos em vídeo abaixo

Vereador Luiz Carlos Suíca

Deputado Jacó

Dirigente estadual do MST – Elizabeth Rocha

Dirigente nacional do MST – Elizabeth Rocha

Dirigente nacional do MST – Evanildo Costa

Dirigente estadual do MST – Paulo César

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