Antes de qualquer trilha ou mirante famosos, a Chapada Diamantina guarda outra camada de história, escrita diretamente nas pedras. Espalhados por paredões, cavernas e áreas de difícil acesso, sítios arqueológicos revelam registros milenares de ocupações humanas que transformam a região em um dos mais importantes acervos pré-históricos da Bahia.
Esses vestígios incluem pinturas rupestres, gravuras e marcas que retratam cenas de caça, figuras humanas, animais e símbolos geométricos. Além do valor científico, os sítios também ajudam a reconstruir modos de vida de povos antigos que habitaram o território muito antes da formação das cidades atuais.

Lençóis e o Complexo Arqueológico Serra das Paridas
Em Lençóis, o destaque é o Complexo Arqueológico Serra das Paridas, localizado na zona rural do distrito de Tanquinho, a cerca de 36 km da sede do município. O espaço é considerado o maior sítio arqueológico da Bahia aberto à visitação, reunindo mais de mil pinturas rupestres preservadas em painéis naturais.
As representações incluem figuras humanas, animais e formas abstratas, com destaque para uma imagem antropomorfa bastante conhecida, que lembra um “extraterrestre” e se tornou símbolo do local. O sítio conta com trilhas estruturadas e visitação acompanhada por condutores locais, o que garante acesso orientado e preservação do patrimônio.

Morro do Chapéu e a concentração de sítios pré-históricos
Em Morro do Chapéu, a paisagem também abriga um importante conjunto arqueológico, com mais de 200 sítios catalogados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Entre eles estão a Vila do Ventura e a Toca da Figura, além de áreas inseridas no Parque Estadual do município.
As pesquisas indicam ocupações humanas com mais de 2.500 anos, incluindo vestígios de fogueiras pré-históricas e ferramentas de pedra. Na Toca da Figura, os painéis rupestres exibem cenas de caça, animais em movimento e grupos humanos organizados em composições que revelam riqueza simbólica e social.

Utinga e o Sítio Pedra da Figura
No município de Utinga, o principal registro arqueológico é o Sítio Pedra da Figura, cadastrado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) sob a sigla BA00621. O local está situado em um paredão de arenito na zona rural e preserva um conjunto expressivo de pinturas rupestres.
As imagens combinam figuras humanas e animais, além de padrões gráficos variados, com forte semelhança estilística aos registros encontrados em Lençóis e Morro do Chapéu, o que indica uma linguagem visual recorrente entre diferentes grupos pré-históricos. Esse aspecto reforça possíveis conexões culturais entre populações antigas que ocuparam distintas áreas da Chapada Diamantina ao longo de milhares de anos.
Valor científico e preservação do patrimônio
Os sítios arqueológicos da Chapada Diamantina formam um patrimônio essencial para a compreensão da história humana no território baiano. Eles permitem estudos sobre sociedades antigas, seus hábitos, deslocamentos e formas de expressão simbólica.
Ao mesmo tempo, a conservação desses espaços é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e evitar danos ao patrimônio. O acesso controlado e a visitação orientada vêm se consolidando como estratégias para equilibrar preservação ambiental, turismo e educação patrimonial na região.
Jornal da chapada



















































