Sem a presença do presidente Lula, o roteiro político do desfile cívico do 2 de Julho ficou nas mãos dos personagens locais, notadamente ACM Neto (União Brasil) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT), dando o tom da campanha eleitoral que se avizinha.
Mas a solenidade de abertura, nas primeiras horas desta quinta-feira, no Largo da Lapinha, teve outro protagonista: o senador Jaques Wagner. O petista chegou ao local sob fortes vaias e protestos diante da repercussão por ter sido incluído nas investigações envolvendo o Banco Master.
Há exatos 15 dias, ele foi acordado pela Polícia Federal para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, quer revelaram dólares e euros em espécie, além de uma coleção de relógio de luxo.
Jerônimo e o ministro Rui Costa chegaram logo em seguida, também sob manifestações divididas entre vaias e aplausos. ACM Neto, por sua vez, foi acompanhado do prefeito Bruno Reis e dos integrantes de sua chapa majoritária: o vice Zé Cocá (PP) e os postulantes ao Senado, João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos).
Sem a âncora de Lula e sob desgaste do Master, a base governista acabou marchando de forma mais fragmentada. Jerônimo assumiu a dianteira, Rui seguiu em percurso próprio e Wagner permaneceu por pouco tempo no cortejo. Ainda assim, o governo conseguiu sustentar presença com servidores estaduais e apoiadores distribuídos ao longo do trajeto, garantindo volume político ao bloco.
Diante desse cenário, além de ter conseguido se aglutinar melhor geograficamente ao longo do percurso, o grupo de ACM Neto conseguiu, inclusive na visão de governistas, “dar uma cara de oposição” nas abordagens. “Bem diferente de 22, quando ele parecia fazer uma campanha de governador indo à reeleição”, lembrou um interlocutor.
Ilustra bem a ocupação estratégica de espaço, a concentração que houve no trecho entre o Barbalho e o Santo Antônio Além do Carmo, onde um “pagodão” embalou apoiadores sob rajada de fogos e fumaça azul. O momento foi explorado em publicações nas redes sociais.
Quem também capitalizou o 2 de Julho foi ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), que participou do cortejo pela primeira vez, de olho no voto do eleitorado baiano anti-Lula.

Por fim, dois episódios extrapolaram o contorno político. Um deles envolveu o governador Jerônimo Rodrigues, que reagiu de forma ríspida à abordagem de uma mulher que o provocara durante o desfile, cena registrada em vídeo e que gerou repercussão.
O outro teve Rui Costa no centro, ao sugerir a inclusão da esposa de ACM Neto nas apurações relacionadas ao Banco Master, ampliando para contornos familiares um embate até então restrito ao campo da política. As informações são do site Política Livre.

















































