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Valmir Assunção diz que oposição baiana “saiu pequena das urnas”

Deputado federal Valmir Assunção |FOTO Heder Novaes|
Deputado federal Valmir Assunção |FOTO Heder Novaes|

Em entrevista exclusiva à Tribuna, o recém-reeleito deputado federal Valmir Assunção espera que o nome do governador Jaques Wagner, visto por ele como um vitorioso maestro político, seja forte para a Presidência da República em 2018, caso o ex-presidente Lula não se candidate. Valmir também não eximiu de críticas a presidente Dilma e espera que ela faça mais pela reforma agrária, setor considerado por ele como fraco. Assim como ele considera prematuro definir nomes para as eleições de Salvador, acredita que o nome de Marcelo Nilo (PDT) não devia ser o mais cotado para a Assembleia Legislativa. “Acho Marcelo Nilo um excelente deputado. Foi um excelente presidente da Assembleia. Mas acredito que tem outros nomes, que são do PT, que não são do PT, que também têm condições de ser presidente da Assembleia”.

Tribuna da Bahia – Deputado, como o senhor avalia o resultado das urnas? A vitória de Rui Costa surpreendeu?

Valmir Assunção – Não. Primeiro, a vitória de Rui Costa não surpreendeu pelo trabalho que Dilma fez no estado, com investimento na mobilidade urbana no estado. E segundo, foram os oito anos do mandato de Jaques Wagner, que cada vez mais democratizou nosso estado, investiu muito na capital e no interior e estabeleceu outra relação. Do meu ponto de vista, era possível, real e concreto a sociedade baiana reconhecer esse trabalho, esse esforço feito pela presidente Dilma e pelo governador Jaques Wagner.

Tribuna – A avaliação do governo Wagner não era das melhores antes do período eleitoral. Acredita que o marketing conseguiu mostrar o governo de uma forma melhor para a população?

Valmir – Acho que o momento eleitoral na TV e no rádio permitiu à campanha de Rui Costa apresentar para a população baiana o que Wagner fez, o que Dilma fez, e tudo isso, com a vitoria da força da aliança que fizemos, permitiu ganhar a eleição no primeiro turno.

Tribuna – O senhor acredita que a oposição, mesmo unida, saiu pequena das urnas na Bahia?

Valmir – Sem dúvida, saiu pequena até pela quantidade de deputados que se elegeram e pela quantidade de cidades em que eles ganharam, que foi em torno 40, dos 417 municípios baianos. Ganhamos em Feira de Santana, em Salvador… E isso mostrou que a oposição baiana, por mais esforço que tenha feito, do ponto de vista do respaldo da sociedade, não foi da altura do que se esperava. A oposição é importante que exista, acredito que vamos trabalhar muito para poder cumprir todos os compromissos da campanha eleitoral, mas a oposição sai muito pequena dessa eleição.

Tribuna – O governador Jaques Wagner é o grande vitorioso dessas eleições?

Valmir – O baiano é um grande vitorioso e é claro que Wagner, como principal líder, porque ele acreditou numa estratégia, num candidato, construiu essa candidatura junto com o PT, e junto com o PT fez um arco de aliança grande no estado. É um grande vitorioso justamente por ter sido um maestro desse processo. Ele construiu esse processo do qual muita gente acreditava que o PP não estaria conosco, nem Nilo, e ele enquanto governador teve capacidade de unificar. Mas o grande vitorioso foi o povo baiano, liderado por Wagner.

Tribuna – A campanha foi tensa como há muito tempo não se via na Bahia. Inclusive, a relação do prefeito ACM Neto com o governador eleito, Rui Costa, se alterou. Como se dará essa relação a partir de agora?

Valmir – Primeiro, assim que ACM Neto ganhou a eleição tentou passar a ideia para a população baiana de que era simpático ao governo Wagner, tentou passar a ideia de empatia com a presidente Dilma e rompeu com isso no processo eleitoral. E esse rompimento foi o que fez com que a campanha fosse acirrada em todo estado e em todo período. Neto tentou construir uma participação que não era uma característica dele real. Então isso é serio. Mas do ponto de vista do governo, Rui com relação a Salvador ou com cidades que nosso adversário ganhou, não tenho dúvida, vai trabalhar muito para ajudar o município, defender sua população, pois este é o papel dele. É o governador de todos os baianos. Ele vai prezar por essa filosofia e vai permitir aprofundar mudanças que começamos com Wagner e aprofundaremos com Rui, modernizando o estado. ACM Neto tentou passar ideia de uma simpatia com esse projeto, rompeu essa ideia no período eleitoral, mas faz parte da vida. Agora chegou o momento de descer do palanque, e é ele que tem que descer do palanque porque tanto Rui Costa como nós do PT estamos preocupados em como cumprir os compromissos assumidos e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Tribuna – O governo Rui Costa vai ser melhor do que o governo Wagner, como ambos dizem?

Valmir – Tem toda condição pra isso. Primeiro Wagner pegou o estado, trabalhou muito na questão do social, trabalhou na infraestrutura de Salvador. Tem ainda a relação com a presidente Dilma, que é uma das melhores do país. Wagner saiu vitorioso da eleição, então, toda essa preparação nos permite dizer que Rui Costa tem todas as condições de fazer um governo muito melhor. Jaques Wagner fica orgulhoso porque apostou, acreditou numa liderança importante do estado, que era o deputado federal mais votado do PT pela Bahia e vai corresponder sob o ponto de vista gerencial, pois ele tem capacidade de gestão muito grande e nós sabemos, até pelos projetos que ele acompanhou e dirigiu como secretário da Casa Civil. Por outro lado, ele tem também uma tradição no movimento sindical, social. Rui está preparado para ser o melhor governador da história da Bahia.

Tribuna – O que deve ser colocado como prioridade no próximo governo do PT?

Valmir – Temos três áreas para colocar como prioridade. Temos que trabalhar muito esta questão do turismo na Bahia, eu acho que esta é uma prioridade para poder trazer mais investimentos para o estado, fazer com que o nosso estado se fortaleça cada vez mais nessa área. E quando falo do turismo, falo também da cultura, que podemos trabalhar juntos para fortalecer a imagem do nosso estado, isso é fundamental. E outro aspecto é com a agricultura. Temos uma vocação muito grande nessa questão da produção, desde a agricultura familiar, de grãos, em todo o estado, temos que dar prioridade. Lógico que tem prioridades urgentes e necessárias e naturais em qualquer governo, que se trata de educação, da saúde, que são questões que foram debatidas no período eleitoral. Tem também a questão da segurança pública, e a situação é grave. O assassinato da juventude negra é muito grande em todo o Brasil e eu, enquanto deputado negro e cidadão da Bahia, acho que essa é uma preocupação que o governador Rui Costa irá colocar como prioridade. Como enfrentar essa situação e isso significa combater a situação das drogas, enfrentar isso diretamente. Ele tem muitas prioridades que tem que definir ao longo dos períodos com seus secretários, e eu acredito que isso vá fazer com que nosso estado seja um grande vitorioso. Acho que é isso que tem que ser a preocupação central.

Tribuna – Qual a expectativa da montagem do governo de Rui? Qual será o perfil desse secretariado? Muitos serão aproveitados?

Valmir – A minha expectativa é que tenha uma equipe com perfil muito técnico e que estes técnicos tenham incorporado muito a política. O que ganha a eleição, sem duvida, é o trabalho, o serviço, a obra e é a política que determina. Acredito que temos que ter essa dimensão da técnica com a política. A minha expectativa é que ele monte a equipe com essa perspectiva. Tem companheiros nossos que perderam a eleição, e eu sou solidário a esses companheiros que nos ajudaram a nos tornar vitoriosos, mas cabe a Rui tornar a decisão se vai incorporar ou não algum deles no governo.

Tribuna – O PT deve ter mais espaço no governo Rui do que Wagner?

Valmir – A minha compreensão é que nós do PT temos que saber que nós ganhamos a eleição por causa de uma aliança e por causa dos movimentos sociais. Esses partidos da base aliada e dos movimentos sociais têm que se sentir contemplados no poder. Não podemos, só porque temos o governador, acharmos que nós somos maior partido e por termos cada vez mais espaço dentro desses poderes. Temos que construir harmonia com partidos aliados e movimentos sociais junto do que foi o resultado das eleições.

Tribuna – Qual será o futuro político do governador Jaques Wagner? Para qual ministério ele vai, diante do perfil de bom articulador?

Valmir – O futuro dele, na minha concepção, será o de ministro. De que área ou de que pasta? Olha, aí vai ser aquela que a presidente Dilma achar que ele melhor pode contribuir para o governo. Porque eu sei que a vontade de Wagner é contribuir com o governo federal. E se Dilma achar que ele deve contribuir com a pasta A ou B, ele vai assumir com toda capacidade que tem, capacidade que ele já mostrou que ele tem quando foi ministro no governo Lula.

Tribuna – O país saiu dividido com diferença apertada entre Dilma e Aécio Neves. O maior desafio da presidente será governar para todos, sobretudo, por ter ficado explicita a grande insatisfação de parte da população?

Valmir – Não sou da tese de que saiu dividido. Acho que teve um processo democrático, disputa-se eleição, um ganha e outro perde. E a vitória passou de uma sobra. Então, para você ganhar tem que ter mais do que um voto do seu concorrente. E passou disso, já é sobra. Ela teve mais de três milhões de diferenças de votos.

Tribuna – Da mesma forma que foram mais de 51 milhões de votos para o PSDB…

Valmir – Mas não deu para ele a vitória. A vitória é nossa. Tivemos uma grande vitória nas eleições. É uma compreensão que tenho. Mas a característica entre o governo Dilma, Lula e do PT, é governar para toda a população. Todos os três governos foram para todos e esse esforço Dilma ira fazer. Tenho certeza disso.

Tribuna – Como o Senhor vê o tensionamento na relação entre o Planalto e o Congresso Nacional? A situação está tensa e tende a se complicar?

Valmir – Veja bem. Existe um tensionamento grande no Congresso e isso é fato, sem dúvida nenhuma. Do meu ponto de vista, a direita brasileira nos acusou de que queríamos transformar o Brasil numa Venezuela. E a direita brasileira fez igual ao modelo da direita da Venezuela. Não reconheceu a vitória. Ir para as ruas para pedir impecheament, isso a direita da Venezuela sempre fez por lá não reconhecendo o resultado das urnas. Aqui no Brasil, a situação é essa: a direita não quer reconhecer o resultado das urnas. Como terminou a eleição, eles querem fazer essa batalha da Câmara com o Congresso. Lógico que a presidente está viajando e, na volta, depois do dia 20, vai reiniciar o processo de recomposição da base, dialogar mais com os parlamentares e partidos políticos. E acredito que através do dialogo que ela falou que vai fazer mais constante com todos os partidos e também com a base aliada, isso vai restabelecer a maioria na Câmara e os projetos importantes pro Brasil serão aprovados. Não tenho dúvida disso.

Tribuna – Acredita que a presidente vai ter condições e capacidade de empreender essas mudanças que a população colocou como necessárias, sobretudo, as reformas política e tributarias no Congresso?

Valmir – Esse é um grande desafio. O governo Dilma não pode absolver a pauta derrotada. Porque acho que esse é um grande debate que tem na sociedade, e o que a direita brasileira quer fazer é fazer com que ela assuma a prova que foi derrotada nas urnas. Não dá para assumir. O que ela tem que assumir, tem capacidade e maioria na sociedade brasileira é a pauta vitoriosa: controlar a discussão, gerar mais emprego, fazer a reforma agrária, fazer a reforma tributária, fazer uma reforma política no Brasil onde tenha financiamento público, onde venha impedir que as empresas possam financiar as campanhas eleitorais. São desafios para ela.

Tribuna – Uma situação que começou a complicar, sobretudo para deputados e senadores, é com relação ao escândalo da Petrobras. Como o senhor vê essa crise que estão passando o governo federal e o Congresso hoje?

Valmir – A crise é do modelo político que temos na sociedade. Não é do governo federal. É do modelo político que está em xeque na sociedade. É por isso que a presidente na campanha dizia que a reforma política era uma questão urgente. Acredito que aprofundando mais essa crise desse modelo político, logo vai ter um problema sério para o Congresso resolver e acredito que nós temos uma democracia madura o suficiente para resolver esses problemas. O que a presidente Dilma diz, e acredito que é fundamental, é que o processo de investigação foi iniciado, esta sendo feito, com muita gente denunciada, e quem é culpado tem pagar pelos seus erros. Essa é a compreensão do processo democrático.

Tribuna – A gente esta falando de roubo, corrupção, lavagem de dinheiro e de fraude. E isso vai atingir, pelo que dizem no próprio Congresso, cerca de 40 parlamentares. Pode causar uma crise maior do que a causada pelo mensalão?

Valmir – Não sei quantos deputados vão ser atingidos. Tem a delação premiada e todas as informações ainda não foram divulgadas. Agora, claro, é uma crise. E pelo que está sendo desenhado, pela quantidade de pessoas presas, e pelo que está sendo comentado, é possível que seja maior que a crise do mensalão. Não tenho dúvida disso. Agora passamos pela crise do mensalão e fortalecemos ainda mais a democracia. E acredito que era uma crise de modelo eleitoral também e que a democracia brasileira tem que estar preparada para passar por cima. E lógico que passando pela compreensão de que os culpados têm que pagar, sem dúvida nenhuma.

Tribuna – O senhor chegou a tecer críticas à falta de uma política clara de assentamentos no governo Dilma. O governo não conseguiu evoluir?

Valmir – Eu sou daqueles que acham que quem ajuda a ganhar eleição tem moral suficiente pra criticar, sem dúvida nenhuma. E eu ajudei a presidente a ganhar a eleição. Meu dever e minha responsabilidade é de elogiar quando está bom e de criticar quando está ruim. Por isso critiquei o processo de reforma agrária, que ela não agilizou esse processo. No governo do presidente Lula, 40% dos assentamentos foram criados por ele. Ele fez muito. A presidente Dilma, nessa bandeira, não deu prioridade e não agilizou. A minha esperança é que nesse governo ela possa dar prioridade, agilizar o processo de desapropriação e priorizar os assentamentos, fortalecer o Incra, valorizar os servidores da instituição. E acredito que ela possa trabalhar nisso. E essa foi uma das motivações que cada vez mais nos levaram a acreditar nela e fazer campanha.

Tribuna – Falando agora em 2016, o PT não tem candidato natural. Qual a aposta do senhor?

Valmir – Olha eu estou dizendo não só pra Salvador, mas para Camaçari, Vitória da Conquista, Feira de Santana, cidades importantes para nós, e acredito que o candidato tem que ter sintonia com Rui Costa, com a equipe estadual e com o PT municipal. Ter esse diálogo, esse debate… e definiremos qual a melhor estratégia para a próxima eleição. Qualquer nome lançado agora seria prematuro. Salvador não tem candidato natural, mas tem diversas lideranças na capital que tem capacidade para ser candidato a prefeito e ganhar a eleição.

Tribuna – E na Assembléia… Como vê a tentativa de Marcelo Nilo de ir para o quinto mandato consecutivo?

Valmir – Acho que Marcelo Nilo um excelente deputado. Foi um excelente presidente da Assembleia. Mas acredito que tem outros nomes, que não são do PT, que também tem condições de ser presidente da Assembléia. A minha compreensão da disputa da Assembleia é que é prematuro lançar nomes. Os poderes são independentes, mas temos que dialogar com o governador, olhar o que ele tem e o que ele pensa sobre a presidência da AL-BA. É preciso dialogar, debater com o governador e construir um nome de consenso independentemente de partido político. Um nome que fortaleça o poder executivo. Extraído da Tribuna da Bahia.

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