Filhote da maior ave de rapina das américas é encontrado em parque da Bahia

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Postado em mar 30 2016 - 2:36pm por Jornal da Chapada
gaviao

Pesquisadores lutam há mais de 10 anos para preservar a espécie de gavião-real | FOTO: Divulgação/ICMBio/Jailson Souza |

Os biólogos do Parque Nacional do Pau-Brasil, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), localizada no sul da Bahia, têm motivos de sobra para comemorar. Depois de monitorarem por três meses um filhote de gavião-real (Harpia harpyja), a maior ave de rapina das américas, finalmente localizaram seu ninho. A descoberta vai permitir aos pesquisadores ampliar o conhecimento da espécie, contribuindo para sua preservação.

O gavião-real era encontrado em várias regiões do País, mas entrou em risco de extinção, sendo classificado como vulnerável, devido ao avanço do desmatamento na Mata Atlântica. É a primeira vez, em mais de dez anos de atividades no bioma, que o grupo de monitoramento encontra um ninho com filhote em áreas remotas do parque, que ocupa o equivalente a 190 mil campos de futebol em área de Mata Atlântica no sul da Bahia.

Soltura
Há pouco mais de um ano, a equipe que tenta salvar a harpia fez a soltura de uma fêmea resgatada e cuidada por um mês no Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama (Cetas/Ibama) e por mais de dois anos na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel. O otimismo da equipe que monitora o ninho tem uma justificativa. A harpia, dona de uma envergadura (asas abertas) de mais de 2,5 metros, constitui um dos maiores desafios de preservação do País.

É uma ave que está no topo da cadeia alimentar, o que faz com que sua sobrevivência dependa de um ambiente muito equilibrado, com vegetação preservada e abundância de outras espécies animais das quais se alimenta. O ninho encontrado está em um embiruçu, árvore com mais 35 metros de altura e 3,5 metros de circunferência. As harpias da Costa do Descobrimento, como é conhecida a região do litoral sul da Bahia, na fronteira com o Espírito Santo, são as últimas remanescentes do bioma Mata Atlântica.

O novo ninho foi localizado fora de área onde regularmente a espécie se reproduz. Para sobreviver, um único gavião-real precisa de um território equivalente a 50 campos de futebol. Os filhotes ficam com os pais até completarem um ano e meio e circulam somente a 700 metros do local de nascimento, época em que aprendem a voar e a caçar para sobreviver.

Monitoramento
As harpias na região do Parque Nacional do Pau Brasil e em seu entorno são monitoradas pelo satélite Argos e por transmissores de radiofrequência, além do tradicional anilhamento. A ave solta pelo projeto ocupa uma área de pouco mais de 20 campos de futebol, num raio de 4 Km. O trabalho multidisciplinar é financiado e executado pela equipe da Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel, situada entre Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, com apoio de uma empresa privada.

O projeto Harpia na Mata Atlântica, coordenado pelo Programa de Conservação do Gavião-Real, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Aves de Rapina, do ICMBio, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Conta, ainda, com apoio das populações locais e de grupos de falcoaria envolvidos na reabilitação das águias resgatadas. As informações são do site do ICMBio.

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