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No dia que Brasil atinge quase 20 mil casos em 24h, Bolsonaro aposta alto em Cloroquina

No mundo inteiro, não há estudos definitivos que comprovem a eficácia da cloroquina no combate à covid-19. As pesquisas são mais claras quanto aos efeitos colaterais do que quanto aos supostos benefícios.

Um dia depois de ultrapassar pela primeira vez a marca de mais de mil mortos por covid-19 em 24h, nesta quarta-feira (20), atingiu quase outro número igualmente triste, 19.951 casos confirmados, em um único dia, totalizando 291.579 infectados no país. E é nesse contexto que o governo federal, por meio do ministério da Saúde, ainda sem comando definitivo na pasta, anuncia o protocolo do uso do controverso medicamento, cloroquina. São 888 novos óbitos confirmados pela pasta entre a última terça (19) e quarta-feira (20). Com isso, chega a 18.859 o número de mortes pelo novo coronavírus.

Ainda segundo o ministério, 3.483 óbitos suspeitos ainda estão em investigação e 156.037 casos seguem em acompanhamento. Um total de 116.683 pacientes já se recuperaram da doença. Na terça-feira, o país havia passado pela primeira vez a marca de mil mortes pela covid-19 em um dia — foram 1.179 registros novos. A estratégia do governo federal diante deste cenário insiste no tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina, apesar de não haver comprovação científica sobre a eficácia do medicamento em infectados pelo novo coronavírus.

Estudos no mundo todo refutam eficácia da cloroquina
Sob comando do general Eduardo Pazuello, ministro interino — que Bolsonaro já avisou que deve “ficar muito tempo” — o Ministério da Saúde divulgou hoje um protocolo para o uso de cloroquina e hidroxicloroquina nos tratamentos, sugerindo a adoção dos fármacos em casos leves da doença. O medicamento foi o principal motivo para a saída dos ex-ministros Nelson Teich e Luiz Henrique Mandetta da pasta.

No mundo inteiro, não há estudos definitivos que comprovem a eficácia da cloroquina no combate à covid-19. As pesquisas são mais claras quanto aos efeitos colaterais do que quanto aos supostos benefícios. A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que não há tratamento “conhecido e efetivo” contra o novo coronavírus. O maior estudo feito até hoje é da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, que contou com a participação de mais de 1,3 mil pessoas em Nova Iorque. O artigo publicado no último dia 7 aponta que pacientes da covid-19 que foram tratados com hidroxicloroquina não apresentaram resultados melhores do que os que não receberam o medicamento.

Outro estudo norte-americano, este da Universidade de Virginia, concluiu que “não houve evidência de que o uso de hidroxicloroquina, seja com ou sem azitromicina, reduziu o risco de ventilação mecânica em pacientes internados com covid-19”. Pior, os cientistas notaram “uma associação de aumento de mortalidade geral” em pacientes tratados apenas com a cloroquina. No Brasil, um estudo sobre cloroquina precisou ser interrompido em Manaus por questões de segurança após 11 pacientes morrerem. A pesquisa da Fiocruz Amazônia e da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) notou em apenas três dias que pacientes que tomavam a dose mais alta da cloroquina apresentavam arritmias cardíacas como efeito colateral.

O estudo brasileiro tentava replicar as conclusões de três cientistas chineses, que em fevereiro publicaram um artigo que alegava “melhora do estado dos pulmões” e “diminuição da duração da doença” em pacientes tratados com cloroquina. Estes resultados nunca foram replicados por outros estudos. Há certa confusão entre os estudos, por isso pesquisadores dos EUA e do Canadá analisaram os artigos que já existem. O trabalho analisou 12 pesquisas publicadas e concluiu que a metodologia usada até agora tem sido “muito pobre”. Entre os efeitos colaterais da cloroquina estão náusea, alterações na visão, taquicardia e problemas no rim.

Paciente deve assinar termo de consentimento
Acompanhando o protocolo, também foi publicado pelo Ministério da Saúde um termo de consentimento a ser assinado pelo paciente sobre os riscos dos medicamentos. Segundo a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, o termo deixa a responsabilidade sobre possíveis efeitos colaterais nas mãos do paciente. Ela havia sido questionada sobre a possibilidade de um paciente tentar processar a União em caso de fortes efeitos colaterais por causa da cloroquina.

“O termo de conhecimento livre e esclarecido deixa o paciente estabelecido que ele tem acesso a todas as informações e riscos”, disse ela durante entrevista coletiva concedida pelo Ministério da Saúde nesta tarde. A secretária afirmou que assinar tais termos faz parte da “rotina de procedimentos médicos”. Contestado por sociedades médicas, pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o protocolo do Ministério da Saúde pode ser lido, na íntegra, Laqui NK

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elogiou o ex-ministro Teich, e afirmou que continua seu amigo. “Estou quase apaixonado por ele. Diferentemente do anterior [Mandetta], que está lá criticando”, disse. Durante coletiva de hoje do Ministério da Saúde para atualização sobre a situação do novo coronavírus, o secretário-executivo, Élcio Franco, garantiu que a decisão da pasta tem respaldo científico, apesar dos diversos estudos que contestam a eficácia do medicamento e apontam diversos efeitos colaterais.

“Esse trabalho vem sendo feito já há algum tempo e em momento algum, algum princípio ético ou científico foi negligenciado ou foi conduzido somente por determinação de alguma autoridade”, disse. “Não é um cumprimento de ordem, mas sim um trabalho sério, técnico, conduzido por especialistas com reconhecimento na comunidade científica e que integra o corpo do ministério, com colaboração de outros técnicos do Brasil e do mundo”.

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do ministério, Mayra Pinheiro, ainda acrescentou que “nós não podemos esperar evidências” [sobre a eficácia do medicamento], em nome de uma “equidade no acesso à saúde”. “Não podemos permitir que o Brasil seja dividido entre pessoas que podem ter acesso em hospitais privados e brasileiros que não terão acesso no âmbito do serviço de saúde”, concluiu. As informações são do UOL.

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