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#Brasil: Dilma responde piadas do presidente Bolsonaro sobre torturas na ditadura; 23 mulheres cobram providências do STF

“Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela covid-19 que, aliás, se recusa a combater”, diz Dilma.

Em resposta às piadas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao falar sobre as torturas vividas por Dilma Rousseff (PT), na época da ditadura militar, a ex-presidenta emitiu uma nota, afirmando que “Bolsonaro não insulta apenas a mim, mas a milhares de vítimas da ditadura militar, torturadas e mortas, assim como aos seus parentes, muitos dos quais sequer tiveram o direito de enterrar seus entes queridos”, ressalta Dilma ao se referir ao presidente.

Em outro trecho da nota emitida por Dilma, na última segunda-feira (28), o presidente é “um sociopata, que não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro”. Dilma disse ainda que “Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela covid-19 que, aliás, se recusa a combater”.

Bolsonaro voltou a desrespeitar as vítimas da ditadura militar no Brasil e escolheu para atacar Dilma Rousseff. O presidente, além de ironizar, duvidou que a ex-presidente, que ficou presa durante três anos, tenha sido torturada. Entre risos, Bolsonaro provocou: “Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio-X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio X”, declarou, em encontro com apoiadores na manhã de segunda-feira (28).

Na última terça-feira (29), segundo o site Rede Brasil Atual, vinte e três ex-presas políticas e vítimas da ditadura entregaram nesta terça-feira (29) carta endereçada aos integrantes do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, cobrando providências para as agressões do presidente à Dilma.

“Nós mulheres, ex-presas políticas, que nos rebelamos e resistimos contra o autoritarismo da Ditadura Civil Militar que impuseram à sociedade brasileira naquele período, vimos repudiar estes atos e demandar que as instituições democráticas do Estado Brasileiro tomem as providências cabíveis”, diz carta divulgada à imprensa. Jornal da Chapada com informações da Revista Fórum e Rede Brasil Atual

Notas na íntegra

Dilma Rousseff (PT) à Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro promoveu mais uma de suas conhecidas sessões de infâmia e torpeza, falando a um pequeno grupo de apoiadores, nesta segunda-feira, 28 de dezembro.
Como não respeita nenhum limite imposto pela educação e pela civilidade, uma exigência a qualquer político, e mais ainda a um presidente da República, desmoraliza mais uma vez o cargo que ocupa. Mostra-se indigno ao tratar com desrespeito e com deboche o fato de eu ter sido presa ilegalmente e torturada pela ditadura militar. Queria provocar risos e reagiu com sórdidas gargalhadas às suas mentiras e agressões.

A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela Covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram.

É triste, mas o ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista. Ele revela, com a torpeza do deboche e as gargalhadas de escárnio, a índole própria de um torturador. Ao desrespeitar quem foi torturado quando estava sob a custódia do Estado, escolhe ser cúmplice da tortura e da morte.

Bolsonaro não insulta apenas a mim, mas a milhares de vítimas da ditadura militar, torturadas e mortas, assim como aos seus parentes, muitos dos quais sequer tiveram o direito de enterrar seus entes queridos.

Um sociopata, que não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro.

DILMA ROUSSEFF

Nota de ex-presas políticas

Manifestamos, com indignação, nossa solidariedade e apoio à ex-presidenta da República Dilma Rousseff, diante dos insultos, ofensas graves e ignominiosas feitas por Jair Bolsonaro, no último dia 28 de dezembro.

Em mais uma atitude irresponsável e incompatível com o cargo que exerce, o presidente mais uma vez faz apologia à tortura e humilha as vítimas torturadas a quem o Estado brasileiro já anistiou e pediu desculpas pelas violências cometidas.

O Estado foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2010, pelos crimes de tortura e desaparecimento forçado de militantes políticos que ousaram defender as liberdades políticas e a democracia durante a ditadura militar (1964-1985).

Nós mulheres, ex-presas políticas, que nos rebelamos e resistimos contra o autoritarismo da Ditadura Civil Militar que impuseram à sociedade brasileira naquele período, vimos repudiar estes atos e demandar que as instituições democráticas do Estado Brasileiro tomem as providências cabíveis.

Não permitiremos que nosso país mergulhe de novo no fascismo e no obscurantismo.
Em defesa da democracia, das liberdades políticas e pelo fim da tortura e dos desaparecimentos forçados! Reafirmando nossa solidariedade à companheira Dilma Rousseff: Tortura Nunca Mais.

São Paulo, 29 de dezembro de 2020

Maria Amélia de Almeida Tele, Eleonora Menicucci de Oliveira, Criméia Alice Schimidt de Almeida, Maria Celeste Martins, Leslie Denise Beloque, Guiomar Silva Lopes, Rita Siphai, Helenita Siphai, Rosalina Santa Cruz Leite, Iara Prado, Maria Aparecida Costa, Robeni Batista da Costa, Maria Nádia Leite Roig, Lenira Machado, Leopoldina Duarte, Leane Almeida, Nair Benedito, Sirlene Berdazzoli, Maria Aparecida dos Santos, Edoina Rangel, Marlene Soccas, Iara Seixas, Joana D’Arc e Maria Luiza Bierrenbach.

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