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Bahia: Larvas infectadas com dengue são identificadas em outro mosquito

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Aedes Albopictus pode ser mais um transmissor da doença e também da zika | FOTO: Reprodução |

Larvas infectadas com o vírus da dengue foram encontradas, na Bahia, em um outro tipo de mosquito: o Aedes Albopictus. Ele por ser mais um agente transmissor da zika, chikungunya e dengue, além do Aedes Aegypti. O diagnóstico é do pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o parasitologista Adriano Monte Alegre. Ao Portal G1 na manhã desta sexta-feira (10), o pesquisador informou que, caso seja comprovada a presença do vírus no Aedes Albopictus adulto, ele será um novo transmissor da dengue, zika e Chikungunya. Entre as semelhanças do Albopictus e Aegypti, segundo o estudioso, são as picadas das fêmeas, que ocorrem geralmente no começo da manhã e no fim da tarde. O uso de repelente é indicado porque qualquer parte do corpo pode ser picada.

Segundo o pesquisador, as diferenças ocorrem pelas linhas do corpo – o Aedes Aegypti tem várias linhas brancas e o Albopictus apenas uma, e é mais escuro. Além disso, o Aedes Aegypti prefere as zonas urbanas, já o Albopictus, além das cidades, também depositam os ovos na natureza. “Oco de árvores, fundo de cocos, palha onde se acumula água. Se ele está em nosso território desde a década de 1980, ele começa a se habituar ao nosso ambiente e a qualquer momento ele pode se tornar um hospedeiro desses vírus, mas igualmente um transmissor, um veiculador.

De acordo com o pesquisador, em países asiáticos, o Aedes Albopictus já é o principal transmissor da dengue. Em outras regiões, o mosquito também hospeda o zika e a chikungunya. No Brasil, o vírus da dengue foi identificado em larvas, mas em adultos ainda não foi confirmado. “Se a larva está infectada, ela vai se transformar em um adulto, e este teria o vírus hospedado. Temos a impressão de que já tenha Aedes Albopcitus com o vírus da dengue, mas não foi comprovada”, conclui Adriano Monte Alegre.

Contágio do zika vírus
Além de ser transmitido pelo mosquito aedes aegypti, o mesmo da dengue e da chikungunya, o contágio do zika vírus pode ocorrer por meio de transfusão de sangue e no parto materno. O Portal G1 conversou com dois especialistas e eles ressaltam que, apesar das possibilidades, não há, até o momento, registro de casos documentados que não tenham ocorrido pelo inseto. A Bahia tem 32.873 casos da doença, o que já é considerado uma epidemia pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Por conta do alto número de casos da Síndrome Guillain-Barré, cuja causa é viral, os órgãos de saúde avaliam se há relação da doença com a zika.

De acordo com o infectologista Antônio Bandeira, após ser contraído, o vírus circula pelo sangue e se multiplica. Por isso, há a possibilidade de passar de pessoa para pessoa através de transfusão ou da mãe para o bebê por meio da placenta – quando ocorre contato entre o sangue da mulher e do recém-nascido por meio de um ferimento, por exemplo. “Com relação ao contágio pela transfusão e durante o parto, há sim a possibilidade, mas é preciso deixar claro, no entanto, que ainda não se tem nenhum registro comprovado. Não há nenhuma documentação que comprove que tenha ocorrido um cotágio por meio dessas duas formas, mas é possível a transmissão”, destacou.

Na cidade de Itabuna, no sul da Bahia, a recepcionista Camila Martins precisou antecipar o parto por estar com o zika vírus para não correr o risco de infectar o bebê. Após o parto, ela ainda teve que ficar afastada do recém-nascido. “Minha neném estava toda encaixada, já estava com 40 semanas, só esperando o momento. A médica examinou e falou que teria de fazer a cesariana para não passar o vírus para o neném. Fiquei preocupada, tensa e muito triste porque eu queria um parto normal”, relatou.

Apesar de também ressaltar a ausência de registros, o infectologista Fábio Amorim, de modo semelhante, afirmou a possibilidade da transmissão pela transfusão e durante o parto. “Não existe forma de isolar o vírus e, portanto, se uma pessoa estiver contaminada pode trasmitir para outra através do sangue. Mas, no caso de transfusões, acho difícil isso ocorrer, levando em conta o controle que se tem hoje e a triagem rigorosa que é feita antes da doação. Uma pessoa que teve um processo infeccioso ou que tenha feito uso de algum medicamento, por exemplo, não pode doar e é excluído na triagem, impossibilitando assim o contágio”, disse.

Perguntado, o médico Amorim disse que também não há nenhum tipo de comprovação de que a zika pode ser transmitida via relações sexuais. “Essa hipóetse surgiu com relatos de artigos sobre um pesquisador americano que teria ido à Africa e contraído a zika. Quando retornou para casa, a esposa também contraiu e surgiu a suspeita de que tenha sido por meio da relação sexual. Mas não há comprovaçao disso”, afirmou.

Sobre o mesmo assunto, o especialista Antônio Bandeira também disse não existir nenhuma prova de que o vírus possa ser transmitido por meio do sexo. “Isso foi um caso isolado, sem nenhuma comprovação. Não há segurança para afirmar isso. Levantar essa hipótese agora só faz confundir ainda mais a população sobre essa doença”, destacou. As cidades da Bahia que possuem maior número de casos notificados de Zika são Salvador (46,18%), Camaçari (16,32%), Jequié (3,75) e Porto Seguro (2,90%). Ao todo, eles somam 69,15% dos casos no estado. Já a dengue apresentou aumento de casos de 162,72%, de janeiro a junho deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram 17,333 casos. E os casos de chikungunya foram notificados em 177 municípios da Bahia. As informações são da Sesab.

A zika foi identificada a partir de fevereiro de 2015 após diversas ocorrências de casos de uma doença com sinais e sintomas que se assemelham a dengue, mas com características clínicas diferentes como manchas na pele e febre de baixa intensidade. No dia 21 de maio, o Ministério da Saúde informou a validação da metodologia utilizada pelos pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que identificaram a doença como Zika Vírus.

Síndrome Guillain-Barré
Uma jovem de 26 anos morreu dentre os 55 casos notificados da Síndrome Guillain-Barré já registrados na Bahia. A vítima fatal é um dos dois primeiros casos da doença, anunciados em junho. Em Feira de Santana, uma menina está internada no Hospital da Criança.

Trezentas unidades do medicamento imunoglobulina, utilizado para a Síndrome de Guillain-Barré, foram enviadas à Bahia pelo Ministério da Saúde para reforçar estoque por conta do aumento dos casos notificados da doença. A Sesab informou ao G1 BA que tem o medicamento imunoglobulina e que o suporte extra do ministério é uma medida preventiva. Além disso, 18 leitos de três hospitais de Salvador foram bloqueados apenas para atendimento de pessoas com suspeita da síndrome. Antes dos casos atuais, o estado não tinha o controle da doença porque o registro era compulsório para maiores de 15 anos, segundo a Sesab.

A Síndrome Guillain-Barré é uma doença neurológica rara, que não tem causa definida, mas pode ser associada a doenças virais. Ela causa fraquezas ascendentes e paralisias flácidas, que costumam começar pelos membros inferiores e podem atingir as vias respiratórias. De acordo com informações do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem 35 procedimentos para tratamento da síndrome, entre diagnósticos, clínicos, cirúrgicos, de reabilitação e medicamentos.

Nesta quarta-feira, 250 profissionais de saúde se reuniram no Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador, para discutir se a doença pode ter relação com três doenças que apresentam registros epidemiológicos no estado: dengue, chikungunya e zika. De acordo com a Sesab, a Bahia vive epidemia dessas três doenças. A dengue tem 45.538 notificações, a chikungunya 11.351 e, além disso, já são 32.873 de doença exantemática indeterminada, tipo a zika. Matéria extraída na íntegra do Portal G1.

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