#Brasil: Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina é encontrado morto em shopping em Florianópolis

Postado em out 2 2017 - 1:45pm por Jornal da Chapada
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O reitor chegou a declarar que afastamento do cargo após operação da PF “é um exílio” e que prisão “foi traumática” | FOTO: Montagem do JC/G1/Roberta Guerreiro |

O reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (2) no Beiramar Shopping, em Florianópolis. Cancellier, de 59 anos, estava afastado da instituição por determinação judicial. Ele e outras seis pessoas foram presas no dia 14 de setembro e liberadas no dia seguinte. O grupo é investigado na Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que apura desvio de recursos em cursos de Educação a Distância (EaD) oferecidos pelo programa Universidade Aberta no Brasil (UAB) na UFSC.

Em nota, a assessoria do shopping disse que por volta das 10h30 um homem cometeu suicídio, caindo no vão central. Ele se jogou da escada do piso L4. A Polícia Militar e o Instituto Médico Legal (IML) confirmaram a identidade da vítima. A Polícia Civil esteve no shopping nesta manhã com os delegados Ênio Matos e três delegados recém-formados da Academia da Polícia Civil de Santa Catarina (Acadepol), que auxiliarão no caso. Eles coletavam informações com funcionários do shopping. A investigação ficará a cargo da 1ª Delegacia de Polícia da Capital.

Conforme a chefia de gabinete da UFSC, dois pró-reitores se deslocavam na manhã desta segunda-feira para o IML. Em nota, a universidade afirmou que “pró-reitorias e secretarias da Administração Central paralisaram as atividades a partir das 11h, em função do trágico acontecimento”. Estiveram no shopping nesta manhã familiares e amigos do reitor. Entre eles, a secretária de Justiça e Cidadania, Ada de Luca, e o ex-ministro do Trabalho, Manoel Dias.

Investigação
Cancellier era suspeito de tentar interferir nas investigações internas feitas pelo corregedor-geral, Rodolfo Hickel do Prado. O corregedor diz ter sido ameaçado pelo reitor, ter o salário reduzido e ser pressionado a fornecer dados da investigação. Também houve as denúncias de uma professora e uma coordenadora do EaD (Educação a Distância) a respeito de tentativas de “abafar” as investigações.

O reitor chegou a declarar que afastamento do cargo após operação da PF “é um exílio” e que prisão “foi traumática”. Segundo Cancellier, não houve nenhuma “atitude que leve à obstrução de qualquer denúncia que tenha sido feita com relação à universidade”.

Autorização para entrar na UFSC
No sábado (30), a 1ª Vara Federal de Florianópolis havia autorizado Cancellier a entrar no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) do campus da capital em 5 de outubro para participar de uma sessão pública. Ele estava afastado da instituição por determinação judicial.

Reitor
Com uma disputa apertada, Cancellier foi escolhido novo reitor da UFSC em 2015. A gestão começou em 2016, com duração até 2020. Cancellier era diretor do Centro de Ciências Jurídicas desde 2012. Tem graduação, mestrado e doutorado em Direito, pela UFSC, além de especialização em gestão universitária e direito tributário. Texto extraído na íntegra do G1.

NOTA OFICIAL DA ANDIFES
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira.

O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal.

É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular. É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita.

Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública. A ANDIFES manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira.

Brasília, 2 de outubro de 2017.

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