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#Bahia: Temperatura mínima em Salvador só faz subir ano após ano, dizem especialistas

O dia mais quente desde 1963 na capital baiana foi em 1995: era outono e, no dia 26 de abril, os termômetros bateram 37,1 °C | FOTO: Reprodução/Correio24h |

Nos últimos 56 anos, houve dias frios em Salvador, entre 17 °C e 19 °C, mas a verdade é que, por mais frias que possam parecer as últimas semanas, a temperatura mínima na cidade só faz subir. A marca histórica de 16ºC é de 1968, único ano em que soteropolitanos viram os termômetros chegar à casa dos 16 °C. Com base em 49.703 boletins de registros diários de temperatura mínima, média e máxima em Salvador, do banco de dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na década de 1960, apenas 17,37% dos dias registraram no mínimo 30 °C. Na última década, iniciada em 2010, esse percentual subiu para 41,55%.

O dia mais quente desde 1963 na capital baiana foi em 1995: era outono e, no dia 26 de abril, os termômetros bateram 37,1 °C. A temperatura subiu, de 1963 para cá, 2 °C, em média. “Parece que foi a temperatura máxima que aumentou, mas na verdade, ela tem se mantido estável. O que está aumentando nos últimos anos é a mínima”, explica a meteorologista Andrea Ramos, que é consultora do Inmet e especialista em extremos de temperatura. É justamente a mínima que influencia na temperatura média de Salvador. Estudos têm apontado, explica Andrea, que os últimos 20 anos foram os mais quentes – com destaque para o intervalo entre 2015 e 2018.

Mudança climática?
Para Ramos, é fato que a temperatura tem aumentado. “O que a própria Organização Meteorológica Mundial (OMM) percebeu nos últimos anos é que os extremos estão aumentando”, afirma. E isso vale para o mundo todo, desde as regiões mais frias às mais quentes. Mas, no caso de Salvador, segundo Andrea, ainda não dá para dizer que esses são os efeitos de uma real mudança climática – para haver uma alteração no clima é necessário um intervalo maior de tempo. Mas, sem dúvidas, o aumento na temperatura, não só em Salvador, tem ligação com ações humanas.

“Nós alteramos o microclima de um lugar quando fazemos intervenções. Se você suprime uma área gramada e coloca asfalto, isso influencia na temperatura. Em áreas de prédios, a temperatura é diferente, é mais quente, porque não se tem uma circulação adequada de ar. A temperatura muda quando o cenário urbano é modificado e a resposta disso está na própria sociedade, nas intervenções que ela faz”, avalia Andrea.

Causa e efeito
Já Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, defende que esse cenário é o início de uma mudança climática. “Esse aumento médio de temperatura, inclusive de quantidade de dias muito quentes, é um sinal. Quando a gente avalia o efeito local da variação de temperatura, tem que levar em consideração a urbanização, a perda de áreas verdes, o que já provoca um aumento de temperatura”, explica.

Outra informação que se pode tirar disso é que, a despeito dos dias quentes registrados na capital baiana nos últimos anos, é provável que a temperatura real em Salvador seja maior. Isso porque a estação meteorológica que mede as temperaturas na cidade fica numa área, digamos, privilegiada: é em Ondina, na parte mais alta, próximo ao zoológico e numa área bastante arborizada. No Centro da cidade, onde há mais asfalto, o registro certamente seria de temperaturas mais altas, reconhece Andrea Ramos.

A mudança, no entanto, está longe de se resumir à sensação de calor. Para crianças e idosos, os problemas respiratórios ficam mais acentuados e se associam a outros fatores. A falta de chuva e a chuva em excesso impactam na segurança hídrica e não são raros os casos de adoecimento de pessoas que consomem água contaminada de enchentes ou alimentos afetados pela seca.

Tudo isso, apontam especialistas, tem relação direta com o aquecimento global, que já vem causando catástrofes em todo o mundo. Só este ano, houve desde ciclone na África até tempestade no Rio de Janeiro e ondas de calor e frio extremo pelo mundo. Segundo Carlos Rittl, a temperatura da Terra está, em média, 1°C mais quente do que os níveis pré-Revolução Industrial. Esse aquecimento é provocado por ações humanas, como emissão de gases do efeito estufa, desmatamento, erradicação de áreas verdes.

Com temperaturas mais elevadas, há consequências como derretimento de geleiras, que provocam o aumento do nível do oceano, e consequentemente causam erosão nas costas marítimas, que perdem faixa de continente para o mar – como aconteceu no final de julho em praias de Arembepe e Jauá.

“Isso é outra consequência, porque a gente tem variações nas correntes oceânicas e mais volume de água em função do derretimento das geleiras. É importantíssimo que a gente saiba lidar com essas mudanças e o poder público também tem responsabilidade. É necessário tanto informar a população sobre os riscos, como estabelecer estratégias para evitar mais”, afirma. Entre os dias 19 e 23 de agosto, Salvador vai receber a Semana do Clima da América Latina e Caribe, evento da Organização das Nações Unidas (ONU). Jornal da Chapada com informações do Correio 24h.

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