Morre aos 73 anos o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro

Postado em jul 18 2014 - 8:21am por Jornal da Chapada
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João Ubaldo tinha sérios problemas com o álcool | FOTO: Reprodução |

O escritor João Ubaldo Ribeiro morreu na madrugada desta sexta-feira (18), vítima de um problema no pulmão. O baiano, que nasceu na Ilha de Itaparica, tinha 73 anos e estava em casa no momento em que teve uma embolia pulmonar. João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro morava no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro e era o 7º ocupante da cadeira número 34 da Academia Brasileira de Letras desde 1993, quando se tornou sucessor de Carlos Castello Branco. Entre as suas obras mais famosas estão “Viva o povo brasileiro”, “A arte de roubar as galinhas”, “Sargento Getúlio”, “O sorriso dos lagartos” e “A casa dos budas ditosos”. Em 2008, o escritor ganhou o prêmio Camões, considerado o mais importante da literatura brasileira.

Além de escritor, o baiano era jornalista, roteirista e professor. O baiano era formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), mas nunca exerceu a profissão como advogado. João Ubaldo Ribeiro deixa quatro filhos. Emília, Manuela, Francisca e Bento, que é ator. Bento ficou conhecido após interpretar o personagem Juca na novela A Favorita, onde era par romântico da atriz Claudia Raia, além de ter feito os dois filmes de Tropa de Elite.

Relançamento de sua principal obra
Em janeiro de 2011, o baiano comemorou seus 70 anos com o relançamento do livro Viva o Povo Brasileiro, um dos seus clássicos mais lidos. Em entrevista à revista Época, ele admitiu não sentir nenhum medo da morte, mas da proximidade dela. “Não tenho medo. Afinal de contas, quem não morre fica velho. Depois de certa idade, esse negócio de mortalidade fica complicado. Antes dos 40, a morte é uma coisa que só acontece com os outros. Depois você começa a ver mortes de contemporâneos. Quando chega aos 70, você nem brinca muito com esse assunto porque dá depressão”, disse.

“Medo da morte como fato, não me assusta. Mas duas coisas devem ser terríveis… Primeiro é o sujeito sentir a proximidade da morte, seja por falta de ar ou por um mal-estar qualquer. Outra é receber a notícia de que está condenado. Falar em morte com coroa é como falar de corda em casa de enforcado”, completou.

Alcoolismo
João Ubaldo tinha sérios problemas com o álcool. O escritor, que começou a beber aos 53 anos, chegou a frequentar o grupo Alcoólicos Anônimos e conseguiu superar o vício com ajuda da religião. “Foi uma luta de oito anos, complicadíssima. Tudo começou com uma depressão, em 1994, quando voltei da Copa do Mundo dos Estados Unidos. Uma depressão sem motivo, mas eu caí de cama, só não quis me suicidar. Tomei todos os remédios possíveis. Eu, que já bebia bastante, tentei curar a depressão com álcool, que é a pior burrice que alguém pode fazer”, contou em entrevista à revista Veja.

“A depressão vai embora durante três horas, quatro horas, depois volta pior. Você entra numa espiral descendente da qual é difícil sair. Fiquei oito anos nesse inferno, inchado, tremendo. O auge foi quando tive uma pancreatite que quase me levou à morte. Passei quinze dias na unidade semi-intensiva do hospital. Tive a sorte de ser um dos poucos casos de pancreatite que não deram dor nenhuma. Dizem que as dores associadas a essa doença estão entre as piores que se podem suportar, completou.

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O baiano, que nasceu na Ilha de Itaparica, tinha 73 anos e estava em casa no momento em que teve uma embolia pulmonar | FOTO: Reprodução |

“Superei o problema pela via da religião. Eu não me submeto ao ministério de nenhuma crença, embora acredite em Deus, reze todas as noites e me considere cristão. Há algum tempo, por uma série incrível de coincidências que não vou relatar aqui, tornei-me devoto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Eu dizia que quase morri de pancreatite. Depois que saí do hospital, voltei a meus velhos hábitos de beber. Acordava cedíssimo, por volta das 5 da manhã, ia comprar jornal e passava pelos bares que fecham tarde para comprar uísque. Às 10 da manhã já estava bêbado, e assim passava o dia inteiro. Logo tive o anúncio de que a pancreatite estava voltando: engulhos em seco. Eu acordava e ia direto para o vaso sanitário, para uma sessão de náuseas. Isso piorava a cada dia, e uma segunda pancreatite para mim seria a morte. Até que uma noite, na hora de dormir, eu rezei a Nossa Senhora: “Se amanhã eu amanhecer sem náuseas, eu paro de beber”. Acordei e, pela primeira vez em muito tempo, não tive engulhos. Desde então, e isso foi há três anos, não bebi mais nada. Todos os fins de semana vou com meus amigos ao boteco e só tomo guaraná diet. O mais incrível é que não sinto a mínima vontade de beber. Eu poderia dizer que tenho uma imensa força de vontade, mas não seria verdade. Eu não faço esforço nenhum”, relatou. Matéria extraída na íntegra do Correio 24h.

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