Bancada baiana de deputados federais promete se rebelar contra o governo

Postado em ago 20 2015 - 12:30pm por Jornal da Chapada
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Os parlamentares temem perder o prestígio nas regiões onde contam com muitos votos | FOTO: Reprodução/Mateus Pereira |

A bancada baiana na Câmara de Deputados continua insatisfeita com a demora na divisão de cargos no interior do Estado. Após apoiarem o PT na eleição do governador Rui Costa, os parlamentares agora querem indicar nomes para diretorias regionais nas áreas de saúde, trânsito, educação, dentre outros. Nos bastidores políticos, ventila-se que a insatisfação com a articulação política do secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes, aumentou depois de terem sido informados que os deputados estaduais teriam preferências nas indicações.

Além do desgaste com o governo, os parlamentares federais temem perder o prestígio nas regiões onde contaram com muitos votos. “Estão querendo subordinar os deputados federais ao deputados estaduais. Isso desgasta muito a relação com o governo, tem deputados que não querem votar as coisas do governo federal, e estão realmente possessos”, declarou um parlamentar que pede anonimato.

Dentre as principais queixas, está o não cumprimento do governo com a promessa de que os cargos seriam indicados pelos deputados federais mais votados na região do Estado. Uma reunião entre os parlamentares e o coordenador da bancada baiana na Câmara, deputado federal José Carlos Araújo, ocorreu na noite de ontem. Até o fechamento desta edição, nenhum dos deputados atendeu as ligações.

Os mais insatisfeitos pretendem, ainda, redigir uma nota em nome da bancada para ser entregue ao governador. “Eles não estão satisfeitos, e não vão aceitar esse tipo de coisa. Teremos que procurar deputados estaduais para saber como vamos ficar? Isso nunca foi assim”, reclamou um parlamentar que preferiu não se identificar. Ele acrescentou ainda outra preocupação: “Aí entregam os cargos a alguns deputados estaduais, alguns líderes dos partidos e os caras vão distribuindo como querem. Quer dizer, os deputados estaduais, inclusive, muitos com pretensão de vir pra Câmara Federal, vão deitar e rolar em cima disso aí. E os prefeitos e as lideranças não vão mais ligar para deputados que não têm prestígio com o governo”.

As tratativas têm à frente o chefe do escritório do governo baiano em Brasília, Jonas Paulo, o coordenador da bancada baiana José Carlos Araújo e o secretário Josias Gomes. O assunto vem se arrastando desde o início de abril. O coordenador da bancada baiana na Câmara, no entanto, minimizou a insatisfação. Segundo ele, depois de ouvir novamente os parlamentares baianos aliados ao governo, tentará falar com o governador Rui Costa. “Como coordenador, vou tentar falar com Rui”, resumiu. A reportagem tentou contato com o secretário Josias Gomes, mas sua secretária informou que ele estava em reunião com o governador.

Para o deputado federal Afonso Florence (PT), não há motivo para insatisfação por parte da bancada baiana. “O governo Rui tem uma base de coalizão, de sustentação na Assembleia Legislativa. Quem vota os projetos no âmbito da Assembleia são os estaduais. Os deputados estaduais têm filiação partidária com os partidos aos quais são membros os deputados federais. Então, não entendo essa falta de sintonia. Eu apoio a decisão do governador Rui”, pontuou, informando ainda que não tem indicação para os cargos. Segundo Florence, no governo Jaques Wagner tinha uma conta de votação que somava legenda e deputado. “E aí, você sentava na região tal, e via quantos cargos cabia àquela legenda, dividia entre federais e estaduais. Os deputados federais não fizeram dobradinha com os estaduais?”, questionou.

Julho – Quando questionado sobre o assunto, em julho deste ano, o secretário de Relações Institucionais havia dito à Tribuna que estava analisando um encontro dos parlamentares federais com o governador. “De fato, uma definição para os deputados federais ainda não temos”. “O governador está interessadíssimo no debate sobre essa questão. Sou deputado federal e sei da angústia que eles estão sentindo. Todos eles têm interesses legítimos”, destacou na época. Matéria extraída na íntegra da Tribuna da Bahia.

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