Chapada: Bahia Sem Fogo amplia debates sobre prevenção aos incêndios florestais em Wagner

Postado em dez 2 2016 - 1:35pm por Jornal da Chapada
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A programação abordou temas como fundamentos agroecológicos, manejo adequado de solo e água | FOTO: Reprodução/Sema |

Foram realizadas na última quinta-feira (1º) e nesta sexta (2) atividades teóricas e práticas voltadas à utilização de práticas agrícolas sustentáveis por produtores rurais do Território da Chapada Diamantina do Programa Bahia Sem Fogo, no município de Wagner. A intenção é dar continuidade as atividades de prevenção aos incêndios florestais na Chapada. A Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) são responsáveis pelo programa. Na abertura dos trabalhos, jovens moradores de assentamento, realizaram uma encenação com abordagem das questões vivenciadas na agricultura local e as mudanças de práticas agrícolas convencionais.

“É perceptível o interesse e a mobilização da comunidade em adotar práticas agrícolas sustentáveis, um processo de construção coletiva e democrática, com a participação de agricultores, professores, estudantes e poder público”, ressaltou a técnica da diretoria de Educação Ambiental para Sustentabilidade (Dieas) da Sema, Silvani Honorato. Para Wilson Pianissola, da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e morador do Assentamento São Sebastião, a mobilização dos moradores da região demonstra a preocupação de quem utiliza o solo para a produção de alimentos em adotar práticas que preservem os rios e a vegetação nativa.

“Sabemos que esta mudança deve ser feita aos poucos, mostrando para os vizinhos que é possível ter renda simultaneamente com a qualidade ambiental e de saúde. Temos alguns assentamentos que já estão implementando sistemas agroecológicos”. “Outra questão que deve ser considerada é a situação hídrica na região, estamos perdendo os nossos rios, a vazão baixa e a qualidade diminuindo a cada dia. Pretendemos aproveitar este momento com vários atores sociais presentes para consolidar um pacto, um plano de ações voltado ao fortalecimento de práticas agrícolas sustentáveis”, pontuou Pianissola.

Durante a programação foram abordados temas com fundamentos agroecológicos, manejo adequado de solo e água, plantio, sistema agroflorestal e produção de alimentos para subsistência, dentre outros. As ações fazem parte do Programa Bahia sem Fogo que realiza campanhas anuais de prevenção, fiscalização e combate, voltadas principalmente para os municípios com maior ocorrência de incêndios florestais nas regiões da Chapada Diamantina e Oeste Baiano.

A bióloga da Sema, Camila Lima, realizou uma apresentação sobre conceitos, modelos e o potencial do plantio no sistema de agricultura sintrópica. “No sistema agroflorestal é possível recuperar solos degradados, considerados pelo agricultor como improdutivos,através da regeneração natural, utilizando árvores, arbustos e plantas com grande incidência na localidade como fonte de biomassa, consorciados ao cultivo de espécies de importância econômica, frutíferas e hortaliças, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais. Na fase inicial de recuperação deve ser feito o plantio de plantas de rápido crescimento, para acelerar a disponibilidade de biomassa, após o enriquecimento do solo poderá ser feito o plantio de espécies mais exigentes”.

“Existe o desafio de produzir comida e se manter economicamente, por isso é fundamental a capacitação dos agricultores e o planejamento de todo o processo de cultivo, desde a escolha do terreno, cultivo, o beneficiamento e a própria venda. É importante, por exemplo, selecionar as melhores sementes para gerar produtos comercialmente viáveis, bem como o trabalho em conjunto, comunitário, para fortalecer a cadeia produtiva. A Política de Agroecologia proposta pelo Governo da Bahia traz avanços com a promoção de políticas públicas de incentivo e suporte técnico junto aos agricultores”, destacou Camila Lima.

Militante da juventude do São Sebastião e técnica em agroecologia, Gleizer Poliana, falou sobre os conceitos e desafios na utilização de sistemas agroflorestais. “O maior desafio é a falta de conhecimento técnico por parte dos agricultores o que aumenta o custo inicial para implantação e retorno financeiro pode ser mais demorado. Planejamos utilizar duas áreas, uma para hortaliças, que servirá para consumo da escola que fica no assentamento. A outra fica em uma área onde realizamos reflorestamento e pretendemos utiliza-la para plantio de frutíferas que se desenvolvam simultaneamente às mudas do reflorestamento”.

“Uma alternativa é a utilização de quintais agroflorestais para assegurar uma complementação alimentar, com variedade de plantas de usos múltiplos, além de alimentos e produtos úteis o ano todo. É preciso observar as espécies que serão plantadas, a facilidade em encontrar as sementes, o período de geração dos frutos, colheita e aceitação do consumidor”, explicou Poliana.

De acordo com o diretor do Centro Territorial de Educação Profissional da Chapada Diamantina (Cetep), em Wagner, Gileno Menezes, é preciso sensibilizar a população quanto à importância da produção de alimentos sem agrotóxicos, respeitando a saúde e a natureza. “Como diretor do Cetep Chapada trabalho na implementação de conceitos agroecológicos junto ao corpo docente e alunos. Quando a população começar a cobrar um produto mais saudável cria-se um mercado e aumenta a rentabilidade e o interesse na produção sustentável”, enfatizou.

O Programa promove, desde setembro, atividades de educação ambiental nos municípios de Andaraí, Barra da Estiva, Ibicoara, Iraquara, Lençóis, Mucugê, Palmeiras, Piatã, Seabra e Rio de Contas. A iniciativa visa aprimorar as medidas preventivas contra incêndios, através de encontros e discussões temáticas, oficinas, roda de conversa, entrega de materiais socioeducativos e intercâmbio de experiências socioambientais.

O encontro contou com a participação do biólogo da Conservação Internacional (CI), Rogério Mucugê, de moradores do distrito de Núbia, no município de Piatã, de representantes da comunidade quilombola da Barriguda, no município de Mucugê, e do Assentamento Bela Flor. Com informações da Sema.

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