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#Brasil: Sputnik V diz que afirmações da Anvisa são “enganosas” e desafia agência para debate no Congresso

Importação do imunizante russo foi reprovada pela Anvisa, que apontou falta de relatório técnico e possível falha na segurança; vacina é aplicada em 62 países.

O perfil oficial nas redes sociais da vacina russa contra a covid, a Sputnik V, fez uma postagem nesta terça-feira (27) acusando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de passar informações “incorretas e enganosas” sobre o imunizante, cuja a importação de doses para o Brasil foi desautorizada pela agência. O laboratório que produz a vacina ainda convidou representantes da Anvisa para um debate público no Congresso Nacional sobre os supostos problemas na vacina que foram apontados pelo corpo técnico do órgão regulador brasileiro.

A postagem vem após a Diretoria Colegiada da Anvisa ter se reunido por cinco horas nesta segunda-feira (26) para debates e apresentação de relatórios sobre a Sputnik V. Ao todo, 14 estados pedirem autorização para importação emergencial de quase 30 milhões de doses do imunizante. A Anvisa informou que não recebeu relatório técnico capaz de comprovar que a vacina atende a padrões de qualidade e não conseguiu localizar o relatório com autoridades de países onde a vacina é aplicada.

A gerência de Medicamentos da Anvisa também apontou falhas de segurança associadas ao desenvolvimento do imunizante. “Para salvar vidas no Brasil e seguindo as afirmações incorretas e enganosas de @anvisa_oficial, estamos convidando a Anvisa para um debate público perante a comissão competente do Congresso do Brasil”, diz comunicado do perfil oficial da Sputnik V.

Audiência sobre a Sputnik na Câmara
Também nesta terça-feira (27), foi realizada na Câmara dos Deputados uma audiência pública para debater os impasses com a aquisição da Sputnik com a presença do gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos Anvisa, Gustavo Mendes. Durante a audiência, o ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) não colocou em dúvida a avaliação técnica da Anvisa que reprovou a importação do imunizante, mas responsabilizou o presidente Jair Bolsonaro pela suposta falta de informações alegada pela agência.

“Por que a Anvisa não tinha todas as informações sobre as vacinas? Por que Bolsonaro não facilitou o acesso às informações? O presidente é responsável por isso. É obrigação do governado federal facilitar todos os tipos de cooperações internacionais para acesso da população à vacina. E isso não ocorreu em nenhum momento”, disse o petista.

“Deveria estar em contato direto com o presidente da Rússia e com seu ministro da Saúde combinando as melhores formas de adquirir todas as informações necessárias para aprovação da vacina em território brasileiro. A Anvisa não é a culpada da situação. Bolsonaro, novamente é quem atua contra a vida e contra a Saúde de seu povo”, completou Padilha. O deputado Jorge Solla (PT-BA) também fez questionamentos sobre a decisão da Anvisa que reprovou a importação da Sputnik V.

“Considerando que não há relatos de efeitos colaterais com a Sputnik V; que há referências da eficácia dessa vacina onde foi aplicada; considerando que estamos com uma epidemia completamente descontrolada no País, com 3 mil mortos por dia, vamos botar na balança e pesar: qual é o risco real da utilização da Sputnik V nas condições que estamos vivendo hoje? E o risco real de, ao atrasarmos mais a cobertura vacinal, aumentarmos em milhares o número de mortos em nosso País? Qual o maior prejuízo para a saúde da população brasileira, correr o risco de usar uma vacina que está com questionamentos ou continuar com o pico de mortos como vivemos hoje? É questão de pesar os riscos e benefícios, e me parece que os benefícios são infinitamente maiores que os riscos”, ponderou Solla.

Já Gustavo Mendes, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos Anvisa, afirmou que a aquisição da vacina russa não está totalmente descartada. “A angústia é nossa, precisamos de vacina, e precisamos aumentar o acesso enquanto antes. Mas só esse sentimento não pode guiar nossa ação, nossa ação é técnica. Sensibilizem os desenvolvedores da vacina para que a gente tenha acesso a dados”, declarou. Atualmente, a Sputnik V é aplicada em 62 países e, de acordo com a The Lancet, respeitada revista científica, tem eficácia de 91,6% contra a covid.

Governo brasileiro não solicitou visita ao local de produção da Sputnik
Após a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) negar o pedido de importação da vacina Sputnik V, imunizante contra a Covid-19 produzido na Rússia, o diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, Aleksandr Gintsburg, disse nesta terça-feira (26) que a agência brasileira não solicitou nenhuma visita ao local de fabricação da Sputnik.

Segundo ele, órgãos reguladores de países que fazem uso do imunizante estiveram no local de fabricação. Ele destaca ainda que as visitas não são negadas a nenhuma autoridade que tenha interesse na vacina. “A agência reguladora do Brasil [Anvisa] não me solicitou [a visita] na qualidade de diretor do centro, isso posso dizer com certeza. O regulador argentino nos contatou e já os recebemos diversas vezes. Não negamos o acesso a ninguém, mas há determinadas regras, estas visitas são coordenadas com o Ministério da Saúde da Rússia”, afirmou Gintsburg, segundo o portal Brasil 247 e a agência Sputnik.

Gintsburg afirmou ainda que a decisão da agência em não autorizar a importação da Sputnik V pode estar ligada a pressões políticas exercidas pelos Estados Unidos. “A decisão da Anvisa de adiar o registro da Sputnik V pode ser motivada politicamente. Isso é confirmado pelos dados do relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos de 2020, que fala abertamente dos esforços do departamento de pressionar as autoridades brasileiras e forçá-las a recusar a compra da vacina russa”, destacou. A redação foi extraída na íntegra do site da Revista Fórum.

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