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#Salvador: Primeira clínica popular que utiliza canabinoides em tratamento é inaugurada na capital baiana

Clínica foi fundada pelo biomédico Guilherme Cardoso e a médica Beatriz Sampaio.

Salvador ganhou a primeira clínica popular, inaugurada há pouco mais de um mês, com atendimento terapêutico baseado no uso medicinal da cannabis sativa. A clínica foi inspirada nas mães que lutam para melhorar a qualidade de vida dos filhos com enfermidades crônicas.

O biomédico Guilherme Cardoso e a médica Beatriz Sampaio foram os responsáveis pela inauguração da clínica, Dra. Sativa, que fica localizada no Caminho das Árvores e oferece consultas com valores a partir de R$200. A ideia do negócio surgiu, ainda na faculdade, quando Guilherme obteve contato com estudo dos canabinoides.

Desde que foi aberta, já acumula uma lista de espera de aproximadamente 60 pessoas. A busca é por uma alternativa para o tratamento de doenças com quadros de difícil controle. Já outros 25 pacientes aguardam pelo atendimento gratuito que também faz parte da proposta inclusiva da clínica.

Além do atendimento presencial, a consulta pode ser feita de maneira online em todo Brasil. A equipe conta com sete médicos da área clínica, biomédica, neurologia, especialista em dor e nutrologia. Além disso, a terapia é voltada para patologias como autismo, epilepsia, Alzheimer, dores crônicas, ansiedade e depressão.

“A cannabis é uma abordagem revolucionária na medicina assim como o antibiótico foi há décadas. Levamos cinco anos para organizar e estruturar o projeto que se transformou na primeira clínica particular independente com a proposta popular e única na Bahia. Nos nossos planos está a expansão do modelo para outros estados”, destaca o CEO, Guilherme Cardoso.

Os canabinoides são substâncias presentes na cannabis sativa – o nome científico da maconha – que possui mais de 480 compostos, entre eles, uma infinidade de tipos de canabinoides. É aqui que entra o Tetrahidrocanabinol (THC) e o Canabidiol (CBD), dois dos principais princípios ativos utilizados para fins medicinais, que ativam e interagem com o sistema endocanabinoide que está presente no corpo humano.
Eles são capazes de melhorar sintomas específicos daquela determinada doença, como, por exemplo, conter espasmos, no caso da esclerose múltipla ou controlar convulsões severas em pacientes com epilepsia.

Nos últimos dois anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou a fabricação e a venda de produtos para uso medicinal, nas farmácias, mediante prescrição médica. Segundo Guilherme Cardoso, o preço dos produtos chega a variar de R$ 300 a R$ 2 mil, o que limita sua aquisição a uma parcela pequena da população.

“Sabemos que o custo é alto. Por essa razão, os valores aplicados por nossos médicos são menores, em comparação a outros profissionais. Porém, conseguimos tornar o negócio sustentável e seguir com a proposta de atendimento popular e isso de certa forma é uma maneira humanizada de fazer medicina”.

Nos últimos dois anos, a Anvisa regulamentou a fabricação e a venda de produtos para uso medicinal, nas farmácias, mediante prescrição médica | FOTO: Divulgação |

Regulação
Os próximos dias serão decisivos para o avanço do marco regulatório da cannabis no Brasil. A votação do Projeto de Lei (PL) 399/15 que regulamenta o plantio da maconha para fins medicinais e a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta foi adiada no mês passado. A lei, no entanto, não trata de auto cultivo, nem do uso recreativo, religioso e ritualístico. A nova reunião da Comissão Especial para votação do parecer pelo relator está prevista para ocorrer na terça-feira (8), às 9h.

O pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Renato Filev, analisa que mesmo que seja um avanço, ainda existem barreiras que impedem o maior acesso. “A PL não deixa de ser um ganho, porém, é incipiente quando não contempla o cultivo pessoal para fins terapêuticos e impõe um ‘sarrafo’ de regras rígidas, sobretudo, para associações que estão mais próximas de um extrato artesanal do que de um medicamento farmacêutico”.

Ele destaca que quem precisa do tratamento, muitas vezes, enxerga ali, um último recurso. “O Brasil ainda é muito conservador. O maior gargalo é não reconhecer a importância de regular de uma maneira responsável os processos de produção, distribuição e consumo da cannabis”, completa. Jornal da Chapada com informações do Correio 24 horas

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