O caso envolvendo uma idosa de 74 anos, registrado na última terça-feira (21) em Salvador, volta a chamar atenção para o crescimento dos registros de crimes de racismo na Bahia. Os dados mais recentes apontam aumento nas ocorrências, evidenciando tanto a persistência da discriminação racial quanto uma maior busca por denúncia por parte da população.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e da Polícia Civil, o estado contabilizou aproximadamente 759 ocorrências relacionadas ao crime de racismo ao longo de 2025. Esse número engloba situações de discriminação por raça, cor, religião ou procedência nacional.
Ainda de acordo com os dados, somente no primeiro semestre de 2025 foram registrados 502 casos, incluindo episódios de injúria racial e racismo. O volume representa um crescimento de 51,2% em comparação com o mesmo período de 2024.
As investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), em Salvador, também revelam o perfil dessas ocorrências. Cerca de 30% dos casos apurados estão ligados à intolerância religiosa, atingindo principalmente religiões de matriz africana.
Especialistas alertam que os números oficiais não refletem a totalidade dos casos, já que muitos episódios ainda deixam de ser registrados. Entre os fatores apontados estão o desconhecimento das vítimas, o medo de denunciar e a dificuldade de acesso aos serviços de apoio. Por outro lado, iniciativas como a digitalização de denúncias e a criação de delegacias especializadas têm contribuído para ampliar o registro das ocorrências.
Na capital baiana, existem canais específicos para acolhimento e denúncia. A Decrin, localizada no bairro da Pituba, atua diretamente na apuração desses crimes. Já o Centro de Combate ao Racismo Nelson Mandela, vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), oferece suporte jurídico e psicológico gratuito. Também é possível registrar denúncias por meio do Disque 100, canal nacional voltado à proteção dos direitos humanos. Com informações do Farol da Bahia.















































