O desenvolvimento de novas tecnologias tem transformado a neurocirurgia e ampliado as possibilidades de tratamento para doenças que antes apresentavam alto risco. Em centros de alta complexidade, procedimentos passaram a ser realizados com maior precisão, impactando diretamente os resultados em casos de tumores cerebrais, aneurismas e acidente vascular cerebral.
De acordo com o neurocirurgião Carlos Bastos, do Hospital Mater Dei Salvador, os avanços recentes têm como foco a redução da invasividade e a preservação das funções neurológicas. “Os avanços na neurocirurgia para tratamento de tumores e sangramentos têm focado no aumento da precisão, na redução da invasividade e na melhor preservação das funções neurológicas, com o uso de tecnologias de imagem de ponta e inteligência artificial”, explica.
Entre os recursos disponíveis, destacam-se a cirurgia robótica, a neuronavegação em 3D e o mapeamento cerebral intraoperatório. Segundo o especialista, essas ferramentas funcionam como um sistema de orientação em tempo real, permitindo intervenções mais seguras, inclusive em áreas delicadas do cérebro. “Hoje conseguimos operar com uma espécie de ‘GPS cirúrgico’, que orienta cada movimento em tempo real. Isso reduz riscos e aumenta as chances de preservar funções essenciais, como fala e mobilidade”, afirma.
Novas técnicas também vêm ganhando espaço. Sistemas como NeuroMate e ROSA® permitem procedimentos com alto nível de precisão, sendo utilizados em biópsias e na retirada de tumores profundos. Outro destaque é o uso de fluorescência com substâncias como o 5-ALA, que auxilia na identificação de células tumorais durante a cirurgia. “Isso ajuda a diferenciar o tumor do tecido saudável, permitindo uma retirada mais completa e segura”, destaca Bastos.
A chamada cirurgia acordada também é aplicada em situações específicas, principalmente quando o tumor está próximo de áreas responsáveis por funções vitais. Durante o procedimento, o paciente permanece consciente e interage com a equipe médica, contribuindo para o mapeamento das regiões que devem ser preservadas. “É uma técnica que exige preparo, mas reduz significativamente o risco de sequelas”, explica.
A tendência atual aponta para procedimentos menos invasivos. Técnicas endoscópicas permitem acessar regiões profundas com incisões menores, o que contribui para uma recuperação mais rápida. Já a radiocirurgia avançada tem sido utilizada no tratamento de metástases cerebrais com alta precisão, preservando áreas saudáveis.
No campo da oncologia, novas abordagens também começam a apresentar resultados promissores. Terapias com vírus oncolíticos e tratamentos celulares, como CAR-T, vêm sendo estudados e mostram potencial na redução de tumores agressivos, como o glioblastoma. “Essas estratégias, aliadas à cirurgia, ampliam as possibilidades de tratamento e aumentam a sobrevida dos pacientes”, afirma o médico.
Em situações de emergência, como aneurismas e AVC hemorrágico, os avanços também têm impacto direto. Procedimentos como a clipagem de aneurismas e a cirurgia descompressiva são cada vez mais precisos e contribuem para salvar vidas e reduzir sequelas.
Apesar das evoluções, o especialista ressalta que o acesso rápido ao atendimento continua sendo um fator determinante. “A tecnologia existe, mas o paciente precisa chegar a tempo. Informação e agilidade continuam sendo determinantes”, conclui. Com informações são de assessoria.
















































