Papa Francisco bebe café orgânico da Chapada Diamantina, fornecido ao Vaticano desde 2011

Postado em maio 21 2015 - 6:16pm por Jornal da Chapada
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O café orgânico da Chapada Diamantina chega até a mesa do papa Francisco | FOTO: Meramente Ilustrativa/Luma |

A Bahia, que em 2014 foi o quarto maior produtor de café do país, com 2,28 milhões de sacas, vem conquistando o mercado internacional devido à excelente qualidade do produto cultivado na Chapada Diamantina. Conhecido como café orgânico, sem adição de qualquer tipo de agroquímico, os micros e pequenos produtores da Bahia estão conquistando mercados estratégicos e conseguiram chegar até o Vaticano. Há 20 anos no mercado e com outros quatro ostentando marca e conceito de café torrado, o Latitude 13 Café Especiais fornece, desde 2011, café orgânico para a sede da Igreja Católica, em Roma, sendo o tradicional cafezinho que é servido diariamente, inicialmente ao papa Bento XVI, continuando depois com o papa Francisco.

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O fato é que a Bahia, devido à excelente qualidade do solo, sempre em terreno plano e com altitude máxima de 1.300 metros, conseguiu abocanhar fatias específicas dos mercados de café especiais da Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e Itália. Grande parte dessa conquista deve ser creditada ao trabalho do casal de empreendedores Luca Allegro e Juli Nunes, descendentes de italianos, responsáveis pelo sucesso do Café Latitude 13. Produzido na região baiana de Ibicoara, na Chapada Diamantina, o café orgânico gourmet detém certificações nacionais e internacionais e segue a tendência de produção sustentável, de qualidade insuperável. O Café Latitude 13 foi selecionado também pelo famoso chef Jamie Oliver e é servido em sua rede de restaurantes.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) o desenvolvimento e crescimento da produção cafeeira na Bahia tem importância estratégica porque promove o desenvolvimento social e econômico do Estado, dando emprego e renda ao cafeicultor, com elevados índices de produtividade, além da excepcional qualidade do café ali colhido. A Bahia representa hoje 8% da produção cafeeira nacional, dos tipos arábica e conilon. O café em grão é o quarto principal produto do agronegócio na Bahia, com o Valor Bruto da Produção (VBP) calculado em R$ 1,4 bilhão. O Brasil é o maior produtor mundial de café, 45,3 milhões de sacas de 60 kg, em 2014.

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O papa com a presidente da Argentina, seu país de origem – FOTO Reprodução-Internet

Café orgânico certificado
Luca Allegro explica que o café orgânico é certificado pelo Instituto de Biodinâmica de Botucatu, em São Paulo, além de deter o selo de qualidade obrigatório emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), denominado Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica (SISORG). Esse modelo foi criado pelo governo para identificar e controlar a produção nacional de alimentos orgânicos. Luca Allegro destaca que o pequeno produtor não “deixa a peteca cair”, com a colheita manual do café feita com extremo cuidado e de forma extremamente seletiva, colhendo-se apenas os bons frutos.

O presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes Araújo, lembra que qualidade do café baiano, já testada em vários concursos feitos pelo Brasil afora, com a característica marcante de serem micros produtores, muitos deles trabalhando com esforço próprio sem assistência oficial. Tanto isso é verdade, explica ele, que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) resolveu ser “padrinho” dos próximos participantes de concursos sobre qualidade do café da Bahia. O objetivo é “transformá-los em pequenos produtores, de 30 a 50 sacas anuais, dando-lhes assistência e as condições para crescer e buscar o mercado de restaurantes e hotéis de luxo”.

Nos concursos realizados sobre a qualidade dos cafés especiais, os produtores baianos transformaram-se em vitrine e destaque. No ano passado, por exemplo, durante a realização do 15º Cup of Excellence – Early Harvest 2014, os cinco primeiros lugares foram de cafeicultores da Bahia. Esse concurso, realizado anualmente, tem o apoio do MAPA, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), da Aliance Coffe Excellence (ACE) e do Sebrae. Para o presidente do júri na ocasião, Silvio Leite, idealizador do evento, a “Chapada Diamantina é um verdadeiro oásis com cafés especiais de altíssima qualidade, sendo vencedores pequenos produtores que realizam uma colheita muito seletiva, de frutos bem vermelhos ou bem amarelos, dependendo da cultivar”.

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Café da Chapada Diamantina | FOTO: Reprodução/André Esquivel |

Mercado promissor
Dados da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) indicam que a demanda por grãos especiais está crescendo em torno de 15% ao ano no Brasil. O segmento representa atualmente 12% do mercado internacional da bebida, sendo que o valor de venda para alguns cafés diferenciados oscila 30 e 40% acima dos preços praticados em relação ao café convencional.

Em alguns casos, dependendo da qualidade, essas cotações chegam a ultrapassar 100% em comparação ao preço do café normalmente vendido para os consumidores em geral. Os principais mercados externos são o Japão, União Europeia e Estados Unidos. Mas existe ainda um longo caminho a ser percorrido pelos produtores de café orgânico especial: das 20 milhões de sacas consumidas no Brasil, por ano, estima-se que apenas um milhão seja de cafés especiais.

A área total de produção de café na Bahia, no ano passado, foi de aproximadamente 142 mil hectares, envolvendo 167 municípios – dos quais 80 têm grande importância no cenário cafeeiro do Estado – gerando 250 mil empregos. A grande maioria das propriedades, 86% do total, está vinculada a pequenos produtores, sendo que apenas 5% representam áreas superiores a 100 hectares, concentradas no Oeste baiano, onde a atividade é empresarial. A produtividade média é de 16 sacas por hectare: Cerrado (39,6 sacas/hectare); Planalto (8,1 sacas/hectare). As informações são do CNA.

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