Chapada: Jacobina é um dos campi do Ifba com maior número de trabalhos aprovados no Connepi

Postado em out 2 2018 - 12:02pm por Jornal da Chapada
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A atual coordenadora de pesquisa do campus é a professora de língua portuguesa Lucília Santa Rosa | FOTO: Divulgação |

Com 17 artigos aprovados para apresentação no Congresso Norte-Nordeste de Pesquisa e Inovação (Connepi), o Campus Jacobina do Ifba se destacou na região centro-norte do estado. Sob uma diversidade de áreas e temas, incluindo engenharias, ciências exatas e da terra, ciências biológicas, linguística, letras e artes, Jacobina ficou em 3º lugar quanto ao número de aprovações do Instituto. A atual coordenadora de pesquisa do campus é a professora de língua portuguesa Lucília Santa Rosa. Dentre os estudos qualificados para o evento, que acontece de 27 a 30 de novembro deste ano em Recife (PE), está “Confecção de protótipo de baixo custo gerador de energia elétrica a partir do vapor”, elaborado por quatro estudantes com apoio de docentes, integrantes do grupo de pesquisa Automação, Eficiência Energética e Produção do Ifba.

Após o processo de montagem, a equipe executora realizou análises de desempenho a fim de estabelecer quais fatores operacionais poderiam influenciar na conversão da energia cinética produzida na turbina em energia elétrica utilizável. A base do protótipo é composta por materiais como recipiente de desodorante aerossol e cooler de fonte de alimentação de computador inutilizados. “Foi possível encontrar finalidades para esses componentes, em geral, destinados de maneira inadequada no meio ambiente. Os resultados obtidos ainda podem ser úteis para a produção de gerador de energia de grande escala visando à sustentabilidade, além de servir como legado do Ifba, para utilização nas aulas práticas de eletromecânica”, explica Tércio Graciano, orientador do estudo ao lado do professor Raimison Bezerra.

Autoria da aluna do 4º ano Thalyta Leal, com orientação dos docentes Beliato Campos e Talita Gentil, o artigo “Análise dos livros didáticos de Física para a compreensão dos conteúdos do ensino técnico em Mineração” apresenta um mapeamento das obras adotadas pelo Ifba do 1º ao 3º ano, a fim de identificar as mais significativas no diálogo com a formação profissionalizante.

“Observei que muitos colegas tinham dificuldade para compreender determinados assuntos. Por exemplo, o movimento tectônico, estudado na física, relaciona-se diretamente com beneficiamento de lavra, do ramo da mineração. Após selecionar os livros, tabulei os conteúdos e verifiquei quais obras auxiliavam melhor na compreensão da mineração, com teoria mais contextualizada, maior número de capítulos, dentre outros. Acredito que a pesquisa trouxe resultados que podem aprimorar a metodologia de ensino do curso técnico, uma vez que muitos livros são sucintos e alguns possuem conteúdos que são divididos, destoando da sala de aula, a exemplo da calorimetria, ensinada desde o 1º ano na disciplina técnica de geologia, mas introduzida na física apenas no 2º”, pontua Thalyta.

Fruto da própria vivência em sala de aula, a jovem, que estreia no ramo da pesquisa, ressalta a satisfação por ter a possibilidade de participar de um congresso de grande porte como o Connepi: “Estou muito feliz com a aprovação do trabalho e o reconhecimento da sua qualidade!”, comenta.

Popularização da Ciência
Elaborado pelas estudantes de informática Iany Hellen Reis (2º ano), Rafaela Sampaio (1º) e Carla Queiroz (2º), o artigo “Construção de espectroscópio de baixo custo para o ensino da Astronomia”, pretende disponibilizar esse dispositivo óptico para observação da luz de modo acessível e barato para alunos do ensino médio.

“A partir da experiência de meu cunhado, que também é professor de física, e do incentivo do docente Beliato, aperfeiçoamos a ideia de montar o equipamento”, descreve Iany. Para tanto, as jovens utilizaram uma caixa de pasta de dente, fita isolante e mídia de CD/DVD. “É uma forma simples, que pode ser feita por qualquer pessoa. Ao visualizarmos a teoria, de maneira concreta, o aprendizado se torna mais dinâmico e atrativo”, diz Carla.

O aplicativo Física para Todos também se destacou na série de aprovações. Focado na utilização das tecnologias da informação e comunicação (TICs) como auxiliar das aulas, o app reúne temáticas distintas no âmbito das ciências da natureza para as séries iniciais (fundamental), visando à formação crítico-reflexiva, autônoma, sócio-cultural e cidadã.

Fruto da fase de teste realizada com alunos e professores do Colégio Sesc de Jacobina, em março deste ano, o artigo a ser apresentado pelos estudantes Felipe Torres, Marcos Paulo Rios, Kelvin Alves, Victor Moura e Moisés Reis enfoca questões como funcionalidade e compreensão dos conteúdos. “Nosso próximo passo será alimentar o aplicativo com mais textos, animações e exercícios, além de jogos. Tudo para que os alunos interajam com a ferramenta de forma prazerosa, motivadora e significativa, tornando o ensino de ciência mais acessível e lúdico”, pontua o professor e orientador da iniciativa Beliato Campos.

O app já rendeu à equipe participação no programa “Bolsista em Foco”, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), apresentação no XVII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), em Campus do Jordão, além de projeção nacional através de entrevista concedida ao Ministério da Educação (MEC).

Desenvolvimento Sustentável Regional
Utilizar animais e produtos derivados de diferentes órgãos de seus corpos para fins medicinais é uma prática tradicional presente em várias culturas ao longo da história. Com o objetivo de identificar os recursos da fauna utilizados pela população do distrito de Itaitu de forma terapêutica, o mestre em biologia e professor Marcos Reis, em conjunto com os estudantes de mineração Alice Freitas, José Vitor Silva e Juan Pietro, desenvolveu análise a partir de revisão bibliográfica e pesquisa de campo, dando origem ao estudo aprovado no Connepi.

Foram registradas 16 espécies usadas para fins zooterápicos, dentre elas mamíferos, aves, répteis, insetos e anfíbios. “Verificou-se que as abelhas, o carneiro e a galinha apresentam aspectos que foram bastante explorados para uso medicinal na localidade. Analisamos que, apesar dos impactos promovidos pelo turismo e pela expansão imobiliária, Itaitu demonstrou conservar essa prática de importante valor cultural, sobretudo entre a população mais idosa. Infelizmente os jovens pouco detêm esse conhecimento”, avalia Alice, que pretende cursar medicina veterinária devido à paixão pela biologia.

O texto também foi aceito no 15º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas, do qual o aluno José Vitor participou representando a equipe. “Nossa meta é de que a pesquisa sirva de base para uma futura proposta de extensão em educação ambiental na comunidade, visando valorizar a diversidade biológica e cultural do lugar”, sinaliza o docente Marcos Reis. As informações são de assessoria.

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